José Cácio Júnior
Nasce no PSD um sentimento que pode
sinalizar para que lado o pêndulo de alianças poderá circular nos anos
próximos, quando o recém-criado partido enfrentará os primeiros testes
das urnas. Integrantes do partido consideram que a adesão de novos
integrantes ao PMDB, como exemplo o deputado federal Sandro Mabel, o
ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso e a bancada da sigla na
Assembleia Legislativa, o torna mais aberto para diálogo.
E
justamente nesta abertura que pesedistas vislumbram uma aliança mais à
frente. Abertamente, políticos das duas sustentam o discurso de que
ainda é muito cedo para discutir composições eleitorais. Mas nos
bastidores, muitos ressaltam uma possível soma de forças, mais palpável
em 2014, ou mesmo da disputa municipal de 2016.
Vale lembrar que coligações antes consideradas absurdas foram firmadas
em Goiás. Depois de 26 anos como adversários, PT e PMDB hoje se alinham
lado a lado. Mesmo depois de abrirem a caixa de ferramentas na eleição
de 2004 em Goiânia, os dois partidos agora largam na frente na reeleição
do prefeito Paulo Garcia (PT) ano que vem.
Peemedebistas, por
sua vez, citam dois cenários para uma possível aproximação com o PSD:
falta de confiança do novo partido no projeto político do governador
Marconi Perillo (PSDB) em 2014 que, com três mandatos à frente do
Palácio das Esmeraldas, pode chegar desgastado na disputa da reeleição;
ou a dificuldade de apoio caso o candidato da base estadual não seja
Marconi. Sem o fator candidatura, o tucano teria mais dificuldade em
manter a base unida, pois os concorrentes teriam praticamente o mesmo
peso na disputa eleitoral.
O primeiro cenário é tido como mais
fácil de ser revertido. Marconi ainda tem três anos para arrumar a casa,
o que não foi possível em 2011 por alegar ter recebido o Estado
quebrado de Alcides Rodrigues (PP). Por outro lado, há quem acredite que
o tucano não será candidato novamente. Pela formatação do tabuleiro, a
eleição seria mais equilibrada.
Uma aliança junto ao PMDB também seria mais maleável para o PSD
fazer valer o seu projeto e crescer no Estado. Seus integrantes,
declaradamente, possuem interesse em comandar o governo estadual e os
maiores municípios. E isso pode se confundir com o projeto tucano de
expandir sua força política. Do outro lado da corda, para o PMDB, o PSD
pode ser uma alternativa para fazer força frente ao PT, única sigla da
oposição que pode atrapalhar os projetos peemedebistas. Mesmo tendo o
controle das prefeituras de Anápolis e Goiânia, o PT não consegue
aumentar sua capilaridade no interior do Estado. E candidatura
majoritária sem base nos municípios normalmente se mostra fadada ao
fracasso.
O desempenho do PSD em 2012 é fundamental para estas pretensões do
partido. Se conseguir eleger um número representativo de prefeitos e
vereadores, aí sim a sigla poderá sentar na mesa de negociações com mais
peso. E, a partir de 2016, a tendência é a renovação de nomes em todos
os partidos. Sem contar o discurso do PSD de não ter discrimanação para
formar aliança com qualquer partido, seja em 2012 e 2014.