José Cácio Júnior
Atualizada às 17h22
Com o discurso de que é um “soldado” no PMDB, o deputado federal Sandro Mabel defende a manutenção da aliança com o prefeito Paulo Garcia (PT) nas eleições do ano que vem para a prefeitura de Goiânia. Mabel foi citado pelo neopeemedebista Vanderlan Cardoso como um dos nomes do partido para a disputa na capital. No entanto, o deputado demonstrou que quer apoiar a candidatura de Paulo à reeleição.
“O PMDB é um partido de acordo. Vamos respeitar os acordos que foram feitos”, afirma Mabel, ressaltando a parceria com o PT. Para o deputado, discussões sobre aliança e candidaturas em 2012 devem ser analisadas pelo diretório estadual da legenda. “Estou chegando no PMDB, serei soldado”, finaliza.
Presidente licenciado do PMDB nacional, o senador Valdir Raupp (RO), disse que a executiva não irá interferir nas coligações nos estados. A prioridade é lançar candidato no maior número de cidades e manter a aliança com o PT. “Os diretórios estaduais municipais é que irão decidir o que fazer.”
Grupo
Mabel negou que chega no PMDB formando um grupo com o Vanderlan Cardoso. Antes de formalizar sua filiação, os dois trocaram elogios públicos. Vanderlan citou Mabel como nome do partido para Goiânia que, por sua vez, foi lançado pelo deputado como candidato ao governo do Estado em 2014.
“Vamos realizar um trabalho com o partido inteiro. Não estou formando grupo com Vanderlan, de forma alguma. Estou chegando para trabalhar. Eu penso que o PMDB é um só e por isso precisamos trabalhar pelo partido.”
O evento de filiação é acompanhado por líderes nacionais do PMDB e de partidos da base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT). O ministro da Previdência, Garibaldi Alves (PMDB), o líder do partido na Câmara Federal, deputado Henrique Eduardo Alves (RN) e o senador Edilson Lobão Filho (MA) marcaram presença.
Como pano de fundo à filiação de Mabel, integrantes do PMDB e PT reforçaram a aliança entre os dois partidos. Depois de elogiar Mabel, o prefeito Paulo Garcia (PT) desestimulou quem tenta passar a imagem de rompimento entre o petista e Iris Rezende (PMDB). “Quem quer separar Iris e Paulo pode tirar o cavalinho da chuva.”
Projeto
Voltando à velha rotina política, Iris disse que o PMDB “completa o projeto que estava faltando ao partido” com o novo integrante. As filiações de Vanderlan e Mabel, somada às outras nos últimos 40 dias, “agiganta” e consolida a legenda em seu trabalho de luta e de oposição, continua o ex-governador.
“Estou caminhando consciente de que o partido nunca vai acabar”, respondeu Iris às críticas dos mais pessimistas que preveem um futuro sombrio ao PMDB. Sem rumo após a eleição de 2010, por conta da quarta derrota seguida ao governo do Estado, a dúvida sobre a recuperação da legenda foi levantada.
Seguindo a linha de Iris, Mabel afirmou que não quer chegar ao PMDB com posto alto. “Não quero ser nada, quero ajudar o PMDB a ser cada vez mais”. O deputado contou alguns detalhes mudança de partido. Em conversa com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), Mabel ouviu que sempre esteve envolvido com a legenda por conta de sua atuação na Câmara dos Deputados.
O ex-presidente do PR em Goiás repetiu as frases de Valdir Raupp. Ao presidente nacional do PMDB, Iris disse que Mabel nunca tinha saído de fato da legenda.
Mabel retorna ao PMDB 11 anos depois de ter saído do partido em que começou sua carreira. A primeira passagem durou entre 1987 e 2000. Neste período, ele foi eleito deputado estadual em 1990, disputou a prefeitura de Goiânia dois anos depois e foi eleito deputado federal em 1994.
Na Assembleia, Mabel foi um dos parlamentares que trabalharam na criação do Fomentar, programa que concedia benefícios fiscais criado por Iris Rezende.