Yuri Lopes
Goiânia – Você pode escutar alguém dizendo que completar álbum de figurinhas da Copa do Mundo é coisa de criança. Deve ter escutado que é coisa só de menino, ou ainda que não deve fazer sucesso hoje em dia, onde tudo é tão touchscreen, digital, virtual. Seja lá quem foi que disse isso, está enganado. Após quase um mês de lançado, o álbum da Copa movimenta recreios, horários de almoço e as redes sociais. E tem muito marmanjo participando da brincadeira.
Esse tipo de produto costuma ter boa saída nas bancas de revistas, mas pelo fato de o campeonato de futebol ser realizado no Brasil, a coisa muda um pouco. "Toda Copa esses álbuns têm muita saída, mas por ser aqui no País, o frenesi aumentou em relação à Copa passada", comenta Marcos Araújo, proprietário da Ler Revistaria Hoje, do Goiânia Shopping.
O empresário está vendendo o terceiro lote de pedidos de álbuns e estima que tenha comercializado cerca de 150 volumes, e de 7 a 8 mil figurinhas. Distribuído gratuitamente na primeira tiragem, o álbum ganhou uma versão em capa dura, que custa R$ 24,90, que teve pré-venda na internet e quando começou a ser vendido em bancas sumiu bem mais rápido do que a Panini, editora responsável pelo produto, previu. Já a versão comum não está em falta e custa R$ 5,90.
O publicitário Arthur Moraes (foto), de 23 anos, não esperou o álbum de capa dura e foi logo completando o álbum comum, que levou apenas duas semanas para ser totalmente preenchido com as 640 figurinhas. Ele justifica a rapidez na conclusão do álbum pela quantidade de troca de figurinhas que fez e a novos recursos como os grupos de troca. Além dos grupos no Facebook, eu me encontrava com o pessoal no Giraffa`s do final da Avenida 85. Teve um dia que eu cheguei a ficar um sábado inteiro lá
trocando figurinhas", conta Arthur.
Outro ponto de encontro de trocadores de figurinhas é a Livraria Leitura do Goiânia Shopping, que recebe os grupos aos sábados de 10 às 16 horas, e aos domingos a partir do meio-dia, no segundo piso da livraria. Além do álbum e das figurinhas, muita gente vai até a loja para outros produtos da Copa. "Tudo relacionado a futebol está tendo ótima saída aqui na livraria. As réplicas da taça já foram todas vendidas, bem mais rápido do que esperávamos", comemora a coordenadora da leitura, Leide Souza.
Enquanto Arthur já coleciona álbuns da Copa desde 2002, Saulo Antônio de Brito, de 8 anos, está começando agora. Estimulado pelos colegas de escola, ele foi com a mãe e a irmã até uma banca para comprar o primeiro álbum de sua vida. "No meu condomínio e na escola todos os meus amigos estão trocando, daí eu também quis", explica ele. Perguntado sobre qual era o jogador preferido, a resposta veio colada na pergunta: "Cristiano Ronaldo, porque ele é o melhor". Já o jogador brasileiro que ele mais gosta é o Neymar, de quem já quis copiar o mesmo corte de cabelo.
(Foto: divulgação/Panini)
O dono de banca, Marcos Araújo conta que mais do que nas outras Copas, nesta o público é bastante diversificado, por isso não é possível traçar um perfil de quem vai comprar o álbum e as figurinhas. "Não sei se pelo fato da Copa ser aqui no Brasil, se é por ter jogadores bonitões, só sei que cresceu demais o número de meninas e mulheres comprando esses produtos aqui", comenta ele. Existem casos de meninas e mulheres que colecionam o álbum, mas tem aquelas que usam o produto como forma de presente. "Em um dos encontros de troca de figurinhas eu conheci uma menina que completou o álbum para presentear o namorado. Acho que não vai ter a mesma graça, que é justamente o ato de juntar as figurinhas, né?", conta Arthur, que gastou, no máximo, R$ 150.
Comprar o álbum e juntar as figurinhas é apenas parte de toda a preparação para o mundial que começa em junho, pelo menos é assim na família de Arthur. "Eu coleciono pelo ar de nostalgia, por fazer isso desde criança e principalmente pelo clima da Copa. Aqui em casa todo mundo é maluco por esporte e quando chega essa época a gente se empolga bastante", declara.