Cleomar Almeida
Um senhor com estrutura física forte, mesmo com os seus 74 anos, e contendo as lágrimas circulava na noite desta segunda-feira (10/10) pelo Hospital de Queimaduras de Goiânia, à espera da liberação do corpo do filho. Osvaldo de Oliveira Goulart, pai de João Goulart, a segunda vítima a morrer no incêndio que atingiu, no dia 29 de setembro, um apartamento no 12º andar no Setor Oeste, demonstrava resignação ao perder o filho do meio dos três que tinha.
Além de Osvaldo, amigos da família e vizinhos do prédio Aldeia do Oeste se encaminhavam na noite de segunda-feira até o hospital onde João Goulart estava internado. Osvaldo esteve mais cedo com o filho, por volta das 18h30, e, na ocasião, sentiu que a vida do filho minguava. “Eu peguei na perna dele e estava muito gelada. Eu vi que ele estava muito mal, mas tinha fé de que ele poderia viver”, conta o idoso, com os olhos marejados, mas segurando a emoção.
Ele relata que funcionários do hospital pediram para que se encaminhasse para Inhumas, cidade de origem da família, em busca de documentos de João Goulart. Pouco antes de chegar à cidade, recebeu o telefonema comunicando a morte do filho. Segundo filho de João Goulart, além de Muniki, que vivia no apartamento destruído, o pedreiro Diego Dias Goulart entrou em choque ao saber da morte do pai e foi amparado em Inhumas.
Ligada diretamente à vítima na noite do incêndio, a vizinha de andar Teresinha Francilina Barros, de 76 anos, que resgatou João Goulart agarrando-lhe pela janela da cozinha, de uma altura de 36 metros, também acompanhava a família no Hospital de Queimaduras. “A gente esperava muito que ele fosse viver. Mas os médicos disseram nos últimos dias que parte do rim estava queimado, além de outros órgãos afetados”, conta Teresinha.
Também moradora do edifício atingido pela tragédia, que, além de João Goulart, vitimou o genro dele, Eduardo Augusto de Araújo Silveira, 32 anos – que saltou do 12º andar -, Andréia Silva Pereira lamentava a perda da forma como se deu. “A imagem que fica é a única que eu queria que não ficasse. A dele internado, na UTI, todo enfaixado, todo entubado e muito mal”, desabafa.
Depois de encaminhado para o Instituto Médico Legal, o corpo de João Goulart será liberado e encaminhado para Inhumas, nesta terça-feira, para ser velado. O enterro deve ocorrer no cemitério São Judas, na cidade, onde também foi enterrado Eduardo Augusto de Araújo.
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