Lis Lemos
A Polícia Civil desarticulou uma quadrilha que roubava maquinário e defensivos agrícolas em Goiânia e cidades do interior. A Operação Sal da Terra já prendeu 23 pessoas, mas falta ainda cumprir 11 mandados de prisão. Dois acusados não se encontram mais no país. A polícia suspeita que dois homens estejam foragidos, no Paraguai. Dezenove mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
A Polícia estima que R$ 10 milhões em mercadorias foram recuperados. Com a quadrilha foram encontrados cinco pistolas calibre 380, duas espingardas, sendo uma calibre 12 e outra calibre 44 e R$ 10 mil em espécie, além de carteiras de identidade falsas, blocos de notas fiscais falsas e rádio-comunicadores. A quadrilha usava os rádios para se comunicarem e sintonizar a frequência dos rádios das Polícias Civil, Militar e Federal.
A quadrilha vinha sendo investigada desde o dia 16 de junho deste ano, mas a suspeita é que eles atuavam desde o início do ano de 2010. Segundo o delegado adjunto da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), Douglas Pedrosa, o homem identificado como Elvislande Batista Borges, é o receptador da quadrilha e ficava com 80% da carga roubada. O homem tem uma fazenda na cidade de Itumbiara. No entanto, o delegado afirma que além de receptador, Borges era também o financiador das ações dos ladrões.
Dois homens, Osvaldo Aparecido Feltrin e Rudimar Antônio Soares, sob o comando de Elvislande, chefiavam dois grupos que atuavam nos assaltos e roubos. As pessoas agenciadas para as quadrilhas eram dos estados de Pernambuco, Alagoas e Minas Gerais. Até o momento acredita-se que nove assaltos foram feitos em fazendas nas cidades de Rio Verde, Morrinhos, Acreúna, Itumbiara e que os crimes eram violentos. Há dois meses o gerente de uma fazenda em Acreúna foi morto em um assalto da quadrilha.
Cada assalto contava com a participação de cerca de onze homens. Em uma das ações, 50 funcionários chegaram a ser rendidos em uma fazenda. A polícia adverte que as ações eram violentas e que há a suspeita de que dois fuzis pertencentes à quadrilha estejam enterrados em fazendas. O delegado Douglas Pedrosa afirmou ainda que há a suspeita de que as quadrilhas de roubos de insumos agrícolas estejam migrando de atuação e que podem estar envolvidos em roubos a bancos.
Prevenção
O diretor institucional da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Bartolomeu Braz Pereira, acompanhou a apresentação na Polícia Civil e afirmou que a prática de roubos e assaltos na zona rural é comum, mas que tem se intensificado ao longo dos anos.
Braz fez um alerta aos produtores rurais que evitem fazer compras de insumos em grande quantidade para inibir a ação dos ladrões. Outro apelo é que os fazendeiros registrem os roubos para ajudar no trabalho de identificação da polícia.