Juca Vasconcelos
Goiânia – Os consumidores goianos agora poderão comprar cerveja de qualidade feita em Goiás. Após 13 anos de mercado, a Cervejaria Goyaz lança no final do mês de janeiro a sua linha de cervejas especiais.
Essa é a primeira linha completa de cervejas especiais comerciais produzidas no Estado. A linha é composta por 3 rótulos: Colombina Lager, Colombina Weiss e Colombina India Pale Ale (IPA).
Pioneirismo
A Goyaz está planejando atingir um público que anseia por novidades. Fundada em 2001 por João Bosco das Mercês, o Joãozinho Mercês, a empresa ganhou reconhecimento e mercado ao longo dos anos.
Hoje a cervejaria é administrada por Patrícia Mercês, filha de João. Ela é engenheira de alimentos, estudou na Bélgica e trabalhou na InBev, na cervejaria belga Hoegaarden, umas das mais vendidas cervejas belgas.
"Fizemos um estudo de mercado que indicou que Goiânia tem uma carência nesse segmento, estruturamos o projeto e começamos a tocar", explica Patrícia.
"Em seguida, contratamos o sommelier de cervejas Alberto Nascimento, que nos indicou a consultoria da Kátia Jorge, mestre cervejeira que criou as Devassas Loira, Ruiva e Morena, para desenvolver as nossas receitas", diz.
Alma goiana
Segundo Patrícia, o investimento está na casa dos R$ 500 mil, após seis meses de projeto. Ela conta que esse investimento é focado na qualidade. "Por exemplo, usamos na nossa IPA uma rapadura moça branca feita em Nerópolis exclusivamente para a gente", afirma.
A fábrica compra a rapadura de um produtor do município que produz o doce artesanalmente e entrega conforme a necessidade da cervejaria. "Isso reflete na qualidade do produto. Desde a profissional que desenvolveu a receita, o somellier, o mestre cervejeiro, o rótulo, elementos regionais, tudo isso agrega qualidade ao final do processo", diz Patrícia
A empresa também produz o chopp Glória Brazilian Helles, receita desenvolvida para o Bar Glória
A expectativa da família Mercês é de que o produto seja muito bem aceito. "Quisemos muito trazer uma aura regional para o produto, atentando para a goianidade, orgulho de ser goiano", disse a engenheira. "Assim como o carioca é bairrista com o seu chope, queremos que o goiano valorize a cerveja e o chope feitos aqui e com qualidade."
Até nos rótulos a alma goiana está presente. "A arte dos nossos rótulos foi feita por dois artistas goianos, o Morbeck e o Wes, e vamos lançar com a assinatura dos dois nos rótulos", afirmou.
As cervejas
O sommelier de cervejas Alberto Nascimento explicou para a equipe de A Redação os estilos que estão lançando no mercado goianiense.
Colombina Lager – "É uma cerveja leve, fácil de beber, do estilo Munchen Helles, um dos mais consumidas na Alemanha. A fabricamos com a lupulagem tardia, que dá somente aroma e não deixar amargor do lúpulo alemão Saphir, que é uma variação nobre e deixa aroma de especiarias e leve picância".
Colombina India Pale Ale – "Passou pelo processo de Dry Hopping, com o lúpulo australiano Galaxy, traz aroma frutado cítrico, lembrando o cheiro de maracujá e um sabor mais frutado. Ela é um pouco mais encorpada e mais amarga".
Colombina Weiss – "É uma ceveja de trigo tradicional, usamos no mínimo 60% de trigo na fabricação. É uma cerveja refrescante e leve, porém de aromas presentes sem dar aquela sensação de sentir-se cheio ao fim do primeiro copo, que está de maneira equivocada na imaginação dos consumidores que não conhecem o estilo."
As Colombinas estarão disponíveis em garrafas de 600 ml e chope, sob encomenda à fábrica. "O preço das garrafas para o consumidor final deve ficar na faixa de R$ 13 a R$ 15", afirma Alberto.
As Colombinas também estarão disponíveis em chope
Paixão por cerveja
Além de ser o slogan das Colombinas, a paixão por cerveja é o que move a família. "Desde quando abri o meu primeiro bar, em 1984, na Rua 24 com a Rua 4, no Centro, que pensava em produzir minha própria cerveja", afirmou João, lembrando do bar que levava seu nome.
Em 2001, comprou uma linha de produção e a montou ainda no bar quando passou a servir chope de fabricação própria para os clientes. Com a aceitação, foram surgindo pedidos para servir o chope em festas e eventos, o se tornou o principal negócio da empresa.
"Sempre sonhei em fabricar a minha própria cerveja. Foi um sucesso, popularizou o chope aqui em Goiânia. Antigamente você contava nos dedos os bares da cidade que serviam chope. Hoje, a grande maioria dos bares conta com uma chopeira", disse Joãozinho Mercês, que hoje não trabalha mais na produção. "Hoje sou sócio da fábrica e tenho um bar na região de Campinas".
Em 2013, Patrícia decidiu voltar a Goiânia e resolveu trabalhar na cervejaria da família. "Foi a paixão por cerveja que falou mais alto". Ela afirma que trouxe de sua experiência no exterior a tradição que os europeus tem com a cerveja.
A vinda de Patrícia foi uma revolução na microcervejaria. "Só produzíamos o chope para festas, hoje já temos cinco cervejas diferentes sendo feitas aqui", afirmou, referindo-se à produção do Chope Mercês, do Chope Glória Brazilian Helles, e dos três estilos da Colombina.