José Cácio Júnior
Nomeada em março de 2006 para ocupar o cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE) com a aposentadoria do então conselheiro Frederico Jayme, a qualificação de Carla Santillo é questionada pelo Ministério Público (MP). De acordo com a promotora Fabiana Lemes Zamallloa do Prado, Carla não teria comprovado a formação apresentada em seu currículo. A promotora pede a anulidade da nomeação da conselheira.
Graduada em Odontologia com especialização em Endodontia e universitária do curso de Direito, o MP afirma que Carla não conseguiu comprovar a conclusão dos seguintes cursos técnicos: Contabilidade e custos, Administração e Controle e Direito e Legislação. Filha do ex-governador Henrique Santillo (PMDB), Carla era deputada estadual pelo PSDB quando foi indicada ao cargo.
O Jornal A Redação realizou quatro tentativas de contato com
Carla até as 18h13 desta terça-feira. Funcionários do gabinete
informaram que ela estava em reunião com outro conselheiro do TCE.
O inciso III do artigo 28 da Constituição Estadual exige “notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública” e ter “mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública” para exercer o cargo de conselheira.
“Os notórios conhecimentos nas áreas elencadas, poderia ser comprovado por meio da juntada de diplomas e certificados de conclusão de cursos, indicação de publicação de livros, trabalhos acadêmicos, artigos, exercício de magistério, ou pareceres, aprovação em concursos públicos, dentre outros”, cita a promotora, complentado que a experiência profissional poderia ser comprovada com a Carteira de Trabalho da conselheira.
Favores
De acordo com a ação, a indicação de Carla foi uma “troca de favores políticos” com o governo do Estado. A promotora cita a rapidez com que o trâmite ocorreu. Indicada pelo governador Marconi Perillo (PSDB) no dia 30 de março de 2006 (penúltimo dia do tucano no comando do Palácio das Esmeraldas, já que Marconi renunciou ao cargo para disputar eleição ao Senado naquele ano), a aprovação aconteceu na mesma tarde e foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia seguinte. Carla tomou posse no dia 1º de abril. De acordo com a ação, a Assembleia não analisou as informações prestadas por Carla em seu currículo.
Por meio de sua assessoria de imprensa, Marconi afirmou que a indicação de Carla foi feita conforme a legislação. “O governo de Goiás se pautou na época pelos critérios de legalidade, rigor, isenção e respeito pelo interesse público. O governo está tranquilo e aguardará o trâmite da ação.”
Assessor especial no governo de Santillo, Marconi tem o ex-governador como uma referência em sua carreira política e sempre o cita em seus discursos.