Michelle Rabelo
Goiânia – Desde que foi descoberta, há 30 anos, a Aids vem sendo objeto de estudos para a criação de meios de prevenir e estabilizar a doença. Neste domingo (1/12) comemora-se o Dia Mundial de Luta Contra a Aids e a partir de segunda-feira (2/12) o Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA) terá uma programação especial para incentivar a prevenção da doença.
Todas as ações têm foco principal nos jovens que receberão informações sobre os riscos de contágio e as formas de prevenção da AIDS. Ao longo da semana, o HDT/HAA também realizará testes gratuitos de sífilis e hepatites para a população em geral. Os interessados devem comparecer à unidade das 8 às 12 horas com documentos pessoais e solicitar a realização dos exames na recepção do ambulatório.
Abrindo a programação, o HDT organizou uma partida de futebol que acontece às 10h45 horas desta segunda-feira (2/12) no campo localizado atrás do prédio da unidade. Os times serão formados por alunos, adolescentes entre 13 e 15 anos, da Escola Municipal Jalles Machado de Siqueira. Além disso, os jovens participarão de oficinas de dança e de saúde.
De acordo com o médico infectologista do HDT, Luiz Carlos Silva Souza, a ação tem o objetivo de conscientizar os jovens sobre a importância da prevenção do HIV através de informações e atividades interativas. Ao mesmo tempo, pretende estimular e fortalecer a consciência corporal, o auto-cuidado e a auto-imagem.
Confira programação completa:
8horas – início do evento com a recepção dos participantes pela direção do HDT/HAA
8h45min – Oficina de Prevenção e Conscientização
9h45min – oficina de Street Dance oferecida por alunos do Centro de Educação Profissional em Arte Basileu França (Cepa)
10h45min – jogo de futebol
11h20min – encerramento do evento.
Adesão
Um dos trabalhos mais importantes desenvolvidos no HDT cuida da adesão ao tratamento dos pacientes diagnosticados com a infecção, o que é necessário para garantir o controle da infecção e a qualidade de vida destes pacientes. A psicóloga e coordenadora do setor, Maria do Rosário, esclarece que a adesão não significa apenas a ingestão de medicamentos. “Ela inclui o fortalecimento do individuo, bem como o estabelecimento de um bom vínculo entre equipe e paciente, o que facilita a aceitação e a integração do viver com HIV/Aids no cotidiano”, explica.
Campanha Governo Federal (Foto: reprodução Instagram dstaidshv)
Criado há 11 anos, o setor atende cerca de 5 mil pacientes cadastrados, inclusive gestantes e crianças expostas ao vírus. Focado no acolhimento, sensibilização e conscientização acerca do tratamento, o trabalho visa reduzir o número de internações, zerar a transmissão vertical do HIV – situação em que o vírus é transmitido da mãe para o filho durante a gestação, no parto ou por meio da amamentação -, tornar o paciente corresponsável por seu tratamento e qualidade de vida, minimizar o preconceito e reduzir novos casos de HIV/Aids através da prevenção.
Ainda assim, muitas pessoas se recusam a iniciar ou prosseguir o tratamento. A gerente médica do hospital, Analzira Nobre, explica que as causas da não adesão ao tratamento de combate à Aids, no caso goiano, são multifatoriais. “Muitas pessoas preferem nem saber que são portadoras do vírus e existe ainda preconceito em relação a isso”, frisa.
“Alguns pacientes têm dificuldade de acesso até a unidade, outros usam drogas, outras são mulheres em situação de vulnerabilidade ou mesmo crianças que dependem dos responsáveis para vir ao HDT, situações que contribuem para o abandono do tratamento”, complementa.