*Atualizado às 23h50
É considerado grave o estado de saúde dos sobreviventes do incêndio no apartamento 1203, no 12º andar do edifício Aldeia do Oeste, na Avenida G do Setor Oeste, próximo ao Hospital Geral de Goiânia (HGG). De acordo com boletim médico divulgado no início da noite desta quinta-feira (29/9), João de Oliveira Goulart, 49, e Kátia Maria Dias Goulart, 45, permanecem internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Queimaduras de Goiânia. O casal teve ferimentos de 1º e 2º graus e, segundo os bombeiros, o homem teve cerca de 80% do corpo queimado pelas chamas e, principalmente, pelo calor das labaredas, que chegou a cerca de 800ºC. João ficou mais ferido que a esposa pois tentou sair do apartamento mas só conseguiu se salvar pois foi socorrido por uma vizinha de 76 anos que o ajudou a sair pela janela da cozinha.
A filha deles, Muniki Dias Goulart, 25, que se jogou da janela do quarto onde estava com o marido, aguarda transferência da UTI do Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO). Muniki que, segundo os bombeiros, não teve traumatismo craniano, não corre risco de morrer. A família aguarda um laudo médico para transferir a jovem também para o Hospital de Queimaduras. O marido de Muniki, Eduardo Augusto de Araújo Silveira, 32, também se jogou da janela e morreu no momento da queda. Ao socorrer Muniki, os bombeiros perceberam que a jovem não estava consciente, mas murmurava palavras desconexas no momento do atendimento. A jovem teve ferimentos graves em todo o corpo e foi salva porque caiu sobre uma superfície menos rígida que o marido.
O incêndio
Segundo o assessor da corporação, Coronel Martiniano Gondim, não é possível ainda determinar a hora em que o incêndio começou mas, por análise, é possível especular que as chamas se iniciaram por volta das 5h desta quinta-feira. "Nós fomos acionados às 5h22. Exatamente às 5h35 nós já estávamos resgatando a senhora que estava presa no apartamento (Kátia Maria) e controlando o fogo. O incêndio atingiu apenas a sala, nos fazendo crer que não havia passado nem meia hora desde o início do fogo", conta Gondim. O coronel pontua que os outros cômodos da casa, como a cozinha, quartos e hall, foram atingidos por muita fuligem e fumaça, mas não pelas labaredas. "Todo o apartamento teria sido tomado pelo fogo se houvesse passado mais de trinta minutos antes da chegada do resgate", explica o bombeiro.
Em entrevista ao AR, o Coronel contou ainda detalhes sobre momentos de pânico dos familiares. Segundo Gondim, João de Oliveira, ao perceber o calor no quarto onde estava com a esposa, Kátia, tentou chegar até a porta do apartamento, atravessando o fogo, mas não conseguiu sair. A chave da porta estava em um copo, em cima da pia da cozinha, o que teria dificultado a fuga. O homem então chamou pela vizinha do apartamento ao lado, uma aposentada de 76 anos, que conseguiu ajudar o homem a saltar para a outra cozinha. “É de fato impressionante, pois a distância entre as janelas dos dois apartamentos gira em torno de 1,5m a 2m”, ressalta Gondim. Mesmo com muitas queimaduras, João ainda teria tentado voltar ao 1203 para salvar a esposa, que foi resgatada em seguida pelos oficiais.
Causas
O outro filho de João e Kátia, o pedreiro Diego Dias, foi avisado por funcionários do Hospital de Queimaduras sobre a tragédia. Ele, que mora em Inhumas, afirmou que chegou a conversar com os pais depois do acidente. Segundo Diego, a família teria realizado um churrasco no dia anterior e, segundo João Goulart, um curto circuito na churrasqueira elétrica poderia ter provocado o incêndio. Diego também achou dois dos três cães da família, escondidos embaixo de uma das camas do apartamento. O terceiro cão, que estava na sala, morreu carbonizado.
De acordo com o assessor de comunicação do Corpo de Bombeiros, coronel Martiniano Gondim, essa é uma das hipóteses que será investigada. "Realmente encontramos a churrasqueira na sacada com o fio dentro da casa. Mas somente a polícia técnico-científica vai dizer a causa do incêndio". Os policiais realizaram a perícia no apartamento na manhã desta quinta-feira e deve continuar as investigações até o próximo sábado (1/10). O laudo final deve ser apresentado pelos técnicos em 30 dias. Depois da perícia, o apartamento foi liberado para que a família retirasse alguns pertences e permanecerá interditado até o fim das investigações.