São Paulo – Representantes de grandes clubes brasileiros como Flamengo e Fluminense estiveram, na manhã desta terça-feira (3/11), em audiência pública com o Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux, relator de ações contra a medida provisória que proíbe as bets no País, para defender o retorno das casas de apostas ao mercado.
Em setembro, o Governo Federal publicou uma Medida Provisória que veta a “exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa no território nacional”. Para se tornar definitiva, a proibição ainda será votada no Congresso.
Clubes da elite do futebol brasileiro protestaram nas últimas semanas e enviaram representantes para a sessão desta terça-feira.
“O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol, principalmente nas agremiações menores com essa perda de receita”, discursou Mattheus Reis e Montenegro, presidente do Fluminense.
Segundo a discursar para Luiz Fux, Montenegro assegurou que o clube carioca perderá R$ 200 milhões de receitas em um ano com o fim definitivo das bets.
O representante do clube tricolor ainda adotou um discurso de defesa das equipes com menor arrecadação no futebol do Rio de Janeiro.
“O ponto que me chamou atenção é que ouvi muito se falar sobre o drama das famílias, o drama do endividamento. Isso é verdade, o Fluminense não nega isso. Só que também existe um drama do desemprego. O que os clubes vão fazer se a receita acabar?”, questiona.
“Mexer com essa MP vai no coração de todos os clubes, acaba com a principal fonte de sobrevivência”, acrescenta.
Antes de Montenegro, Flávio Willeman, vice-presidente geral do Flamengo, discursou para atacar a Medida Provisória. De acordo com o representante rubro-negro, toda a estrutura do clube será comprometida, incluindo outras modalidades.
“O Flamengo possui mais de 1.200 empregados que poderão ser comprometidos com a queda de aproximadamente R$ 430 milhões de receitas anuais com futebol e esportes olímpicos”, assegurou.
Willeman também usou como argumento os contratos firmados pelo futebol profissional, sem citar casos específicos. O Flamengo, recentemente, pagou mais de R$ 315 milhões para repatriar Lucas Paquetá, na maior transferência da história do futebol nacional.
“Foi com base nesses contratos que o Flamengo planejou a sua estrutura financeira para os anos seguintes. O Flamengo se organizou financeiramente para os quatro ou cinco anos com base nos contratos assinados de acordo com a legislação vigente”, explicou.
“O Flamengo contraiu obrigações financeiras com atletas e empregados com base nesses contratos. O Flamengo acreditou que o Brasil regulou as apostas”, encerrou.
Na abertura da sessão desta terça-feira, o Ministro Luiz Fux defendeu que as casas de apostas sejam banidas do território nacional.
Fux assumiu a relatoria do caso por prevenção, porque já conduz ações que questionavam as leis que regulamentavam as apostas online.
