A Redação
Goiânia – Um fundo imobiliário criado por meio de uma iniciativa pioneira do cooperativismo de crédito pretende movimentar até R$ 1 bilhão em operações imobiliárias nos próximos meses. O FII inaugura a participação do segmento no mercado de capitais e estabelece uma alternativa de funding para incorporadoras e loteadoras.
Além de prover capital para os empreendimentos imobiliários, o fundo leva governança aos empreendimentos e pode atuar em operações em todo o país. Apesar da forte presença no estado de Goiás, onde as instituições fundadoras possuem suas raízes, o projeto expandiu sua atuação também para praças consolidadas, como o Sudeste.
O Fundo de Investimento Imobiliário (FINU11) é uma novidade da Central Sicoob Uni e do Sicoob Nova Central, e foi criado com um aporte financeiro inicial de R$ 100 milhões. A MAG Investimentos foi selecionada como gestora do FII e faz parte do grupo Mongeral Aegon, que já possuía outros projetos com a instituição financeira.
“O FII nasce em um momento de transformação das fontes de financiamento do setor imobiliário e busca conectar capital e projetos por meio de estruturas mais adequadas às características de cada empreendimento. Para a MAG, esta iniciativa com as centrais do Sicoob levará acesso ao mercado de capitais para muitos cooperados”, afirma Tomaz de Gouvêa, sócio-diretor da MAG Investimentos.
Ao justificar a importância do FINU, Argemiro Mendonça, vice-presidente da Central Sicoob Uni, explicou que o sistema de habitação do Brasil está “sufocado” no momento. “O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que sempre irrigaram o setor, estão desidratados, seja por conta da gestão pública com os recursos do FGTS usados para despesas correntes de seus usuários, deixando de cumprir com o papel importantíssimo de viabilizar infraestrutura e habitação; seja porque a Caderneta de Poupança deixou de ser vista de forma geral pela população como opção de investimento”, destacou o dirigente.
Já para Ioav Blanche, presidente do Conselho de Administração do Sicoob Secovicred, cooperativa filiada ao Sicoob Nova Central, é essencial destacar o pioneirismo da iniciativa. Ele reforçou que o projeto quebra o paradigma de que o cooperativismo financeiro deve se limitar a produtos de crédito tradicionais e que o FINU11 pode sim contribuir para a entrada do segmento no mercado de capitais. “Estamos consolidando esse projeto, com muito investimento de tempo e recursos. E nesse contexto, fechar negócios é um indicativo que estamos no caminho certo”, afirmou.
Somente no 1º semestre de 2026, as captações no mercado de capitais ultrapassaram os R$ 360 bilhões. O resultado atingido é o melhor para o período em toda a série histórica da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), nos últimos 15 anos.
A consolidação das primeiras operações do FINU11 valida a tese de investimento e a viabilidade operacional do fundo. Esse marco inicial serve para ampliar a visão de que o sistema cooperativista está participando ativamente do financiamento do setor imobiliário e enxerga um vasto espaço de atuação no mercado de capitais, provando que o modelo cooperativista possui capacidade de inovação e relevância estrutural.
