Gabriela Lima e José Cácio Júnior
Após uma semana de suspense, o PSD teve o registro aprovado na noite desta terça-feira (27/9) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado da votação trouxe alívio aos políticos goianos que, de malas prontas para a nova legenda, só aguardavam a liberação da Justiça Eleitoral para dar adeus às siglas onde se sentiam desconfortáveis. O próximo passo, segundo o presidente do partido em Goiás, Vilmar Rocha, é efetivar as filiações.
Em Goiás, o PSD já nasce forte. Contará com a maior bancada na Câmara Federal, formada por quatro deputados eleitos, além de seis deputados estaduais. Pelo menos 30 prefeitos se comprometeram a assinar a ficha de filiação da nova sigla.
Fazem parte da bancada na Câmara Vilmar Rocha (DEM), Heuler Cruvinel (DEM), Armando Vergílio (PMN) e Thiago Peixoto (PMDB). Dois deles, no entanto, estão licenciados para ocupar cargos no governo estadual. Vilmar comanda a Casa Civil e Thiago está à frente da Secretaria de Educação. Entre os deputados estaduais, Ademir Menezes (PSD) Cristóvão Tormin (PTB), Lincoln Tejota (PTdoB), Itamar Barreto (DEM) , Frederico Nascimento (PTN) e Francisco Júnior (PMDB) anunciaram a mudança para a legenda.
Com uma quantidade considerável de adesões, Vilmar conta que agora é hora de montar uma base de vereadores em Goiânia. O PSD também volta os olhos para o segundo maior colégio eleitoral do Estado, a cidade de Aparecida de Goiânia, onde pretende lançar o deputado estadual ex-prefeito do município por dois mandatos e ex-vice-governador Ademir Menezes, para disputar contra o atual administrador Maguito Vilela (PMDB). Ademir já declarou que sem o apoio do governador Marconi Perillo (PSDB) uma candidatura em Aparecida não seria viável.
Outra preocupação do PSD é com o
tempo de TV. O partido deve solicitar na Justiça Eleitoral os minutos de propaganda eleitoral gratuita relativa à sua bancada de deputados federais. O principal problema é a legislação eleitoral. A lei calcula o tempo de TV conforme a bancada federal eleita
Julgamento
Vilmar Rocha, Armando Vergílio e Heuler Cruvinel, assistiram a votação do TSE pela televisão, no apartamento do deputado federal Fábio Faria (RN), em Brasília. Eles estavam entre o mais de 70 políticos que acompanhavam o idealizador da nova legenda, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Após o resultado positivo, definiram para a manhã desta quarta-feira (27/9) uma reunião da executiva nacional com presidentes regionais, na capital federal. Depois, partem para os respectivos estados onde prometem lançar propostas para viabilizar grandes reformas na política do País.
Apesar dos números favoráveis, o partido precisa agora correr contra o tempo. "Agora é hora de trabalho", disse o deputado Armando Vergílio, presidente do diretório metropolitano do PSD. Segundo ele, a executiva nacional se reunirá amanhã para traçar estratégias e partir para as filiações.
Sobre o suspense em relação ao pedido de vista, que adiou por uma semana a votação do registro no TSE, Armando disse que estava confiante. "Não se pode impedir, do ponto de vista democrático, o surgimento de uma força política tão expressiva", disse o presidente metropolitano. Agora, é esperar para ver se essa "força" se confirmará nas urnas, já que o maior desafio do PSD não é o registro do partido e sim as eleições de 2012.
Movimentação
A criação do PSD em Goiás movimentou o cenário político desde março. A legenda é integrada basicamente por políticos que não tinham espaço em seus partidos de origem. Outro ponto em comum é a ligação com o governador Marconi Perillo (PSDB). A proximidade com o tucano era um dos motivos que diminuia os espaços dos aliados em suas legendas. A brigas eram mais expostas no DEM e PMDB.
Marconi fez questão de se afastar de toda articulação pró-PSD para não criar mais atrito com Ronaldo Caiado. O DEM é um dos partidos que mais perde políticos para a legenda de Gilberto Kassab. Além disso, o tucano sabe que seu adversário é o Democratas, principalmente no próximo cenário estadual. Caiado já foi lançado como candidato ao Senado e o senador Demóstenes Torres (DEM) nunca escondeu o sonho de o DEM eleger o governador do estado.
Ideologia
O partido nasce com o objetivo de lançar prefeito nos principais municípios goianos. Embora seja forte politicamente, o PSD precisa mostrar sua ideologia e conquistar o gosto do eleitor. De forma genérica, seus integrantes citam bandeiras ligadas a partidos de direita como assuntos a serem defendidos pela nova legenda. E o eleitorado não tem demonstrado muita simpatia por valores liberais ou que permitam maior flexibilidade ao mercado financeiro.
Ainda no cenário eleitoral, o partido discute nomes para disputar a prefeitura de Goiânia. Armando Vergílio e Francisco Júnior articulam suas candidaturas nos bastidores. Armando sai candidato se a base estiver unida em seu nome. Thiago Peixoto pode bancar Francisco Júnior, que não esconde a vontade de ser prefeito de Goiânia.
Perdas
Oportunidade para políticos trocarem de legenda sem cair nas restrições da infidelidade partidária, o PSD causou defecções em diversos partidos goianos. O PMDB foi um dos que mais perdeu integrantes para a nova legenda: cinco prefeitos, um deputado federal e um deputado estadual. Quatro prefeitos do PR mudaram para o nova sigla. O DEM, que elegeu três deputados federais ano passado, contará apenas com Ronaldo Caiado. Três prefeitos saíram do Democratas. Políticos de outros nove partidos declararam adesão ao PSD. A lista de filiações ainda pode ser maior.
Políticos que demonstravam insegurança com o registro do PSD devem decidir se mudam de legenda depois da votação no Tribunal Superior Eleitoral. Casos dos deputados estaduais Álvaro Guimarães, que corre o risco de ficar sozinho no PR, e Joaquim de Castro (PPS), que vive em turbulência com o presidente regional do partido, Gilvane Felipe.