Cleomar Almeida
Cerca de 80 servidores e alunos do Campus Goiânia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) encerraram, na noite desta terça-feira (27/9), uma caminhada de 12 horas ininterruptas, em volta da instituição de ensino, no Centro. O ato será repetido diariamente até quinta-feira (29/9) e está incluído nos manifestos pela melhoria da educação. “Estamos em greve desde o dia 15, mas não parados. Sempre nos movimentos”, disse a professora Luciana Ribeiro, integrante do Comando de Greve do IFG.
Ao longo do dia, a caminhada contou com vários grupos, que se revezaram para intensificar o movimento, disse a professora. Segundo ela, a caminhada é inspirada na corrida pela educação realizada, desde julho, pelos estudantes do Chile. “Estamos, a cada dia, tentando pressionar o governo para estabelecer um acordo justo com os servidores da instituição”, afirmou Luciana.
Os grevistas reivindicam reposição salarial de 14,67%, reformulação do planos de cargos e salários e redução de carga horária de trabalho dos técnicos-administrativos para 30 horas semanais. Eles também querem mais concursos públicos para contratação de novos servidores e melhorias nas instalações das unidades de ensino e investimentos de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação.
Em Goiás, cerca de 10 mil alunos estudam em oito campi do IFG, em Goiânia, Anápolis, Formosa, Inhumas, Itumbiara, Jataí, Luziânia e Uruaçu. Somente na unidade da capital, há cerca de 4 mil estudantes sem aulas, disse a professora.
Carta aos pais
Depois da caminhada, houve uma reunião com pais e comunidade. Eles receberam uma carta, pela qual os grevistas comparam três áreas do governo federal vinculadas à educação. O objetivo é mostrar o que classificam como desvalorização dos profissionais, conforme divulgado, abaixo.
Primeira: Instituto Nacional de Pesquisas em Educação (Inep), que tem como função pesquisar, devolver informações e fazer avaliações sobre o desenvolvimento educacional. Salário inicial com nível superior: R$ 4.895,26; salário no final de carreira: R$ 9.554,60. Isso sem especialização ou mestrado.
Segunda: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que tem como função avaliar o financiamento e a execução de programas educacionais. Salário inicial com nível superior: R$ 4.895,26; salário no final de carreira: R$ 9.554,60. Isso sem especialização ou mestrado.
Terceira: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), qualquer nível superior sem especificar qual a função. Salário inicial: R$ 3.943,65; salário no final de carreira: R$ 7.867,40. Isso sem especialização ou mestrado.
Os grevistas criticam que nenhuma das funções citadas é exercida em uma sala de aula com 40 alunos, com a finalidade de ensinar conteúdos, tirar dúvidas e avaliar o rendimento dos alunos. Reclamam, também, porque têm de complementar, em casa, inclusive em finais de semana e feriados, a preparação de aulas, as avaliações e a correção de atividades, sem a devida remuneração.
De acordo com a professora, os grevistas acreditam que o movimento serve para forçar o governo a apresentar um acordo que atenda às suas reivindicações. “Estamos sentindo que a greve deve gerar um resultado positivo”, assegurou Luciana.
Leia mais:
Professores e servidores do IFG entram em greve hoje