Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – A arquiteta, urbanista, escritora, pesquisadora da história de Goiás, musicista, escultora e ambientalista Narcisa Abreu Cordeiro é a convidada de sábado, dia 17, às 9h, para falar no ‘Café com Leitura’, do Armazém do Livro (Av. Goiás, 929 – Centro, em Goiânia), sobre “Histórias Escritas e a Importância da Leitura Goiana”. O idealizador do projeto é Rômulo Vaz.
Narcisa é uma intelectual goiana de atuação multidisciplinar, cuja trajetória articula arquitetura, urbanismo, história, literatura, escultura, música e consciência ambiental. Sua contribuição mais expressiva ao patrimônio de Goiânia está na pesquisa e na divulgação dos fundamentos de seu plano urbanístico original, na defesa de suas áreas verdes e na valorização da memória dos pioneiros.
Seu trabalho traduz uma concepção humanista de cidade: um espaço que deve preservar sua identidade histórica, respeitar a natureza, valorizar a cultura e oferecer melhores condições de vida às gerações presentes e futuras.
Quem é
Narcisa Abreu Cordeiro é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Católica de Goiás (UCG), com especialização em Planejamento Regional pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano (CNDU) e diplomada em Botânica pelo Departamento de História Natural, também da UCG. Sua trajetória integra o planejamento urbano, a pesquisa histórica, a preservação ambiental e as artes.
Atuou durante 12 anos no Instituto de Planejamento Municipal de Goiânia, integrando a equipe de planejamento urbano do município, quando desenvolveu estudos e trabalhos técnicos relacionados ao zoneamento, à proteção das nascentes, à legislação urbanística e à integração entre o uso do solo, o saneamento, a eletrificação, os transportes e as reservas ambientais.
Idealizou o projeto ‘Goiânia 50 Anos’, voltado à organização e à preservação de informações sobre a formação e a evolução da capital, e se dedicou à recuperação histórica dos fundamentos do plano urbanístico original de Goiânia.
Entre suas contribuições profissionais, destacam-se: estudos sobre a evolução do plano urbanístico original de Goiânia; Projeto do Parque das Laranjeiras, voltado à habitação de interesse social; Plano urbanístico básico do conjunto Goiânia 2; estudos de valorização da paisagem urbana, das áreas verdes e das nascentes; e defesa do patrimônio arquitetônico art déco e da memória dos pioneiros de Goiânia.
Pesquisa histórica
É autora de obras de referência para o estudo da história urbanística de Goiânia, com pesquisas que valorizam os documentos, os protagonistas e os princípios que orientaram a concepção da nova capital.
Entre seus livros e projetos editoriais, destacam-se: “Goiânia – Evoluções do Plano Urbanístico Original” (1989); “Goiânia – Embasamentos do Plano Urbanístico Original” (1990), em coautoria com Normalice Maria de Queiroz; “In Totum”, poesia (1990); “Goyaz Profundo”, projeto editorial composto por 14 livros; “Goiânia – Cidade Bem Nascida”, obra organizada pela autora; “Ruas e Pioneiros de Goiânia”, projeto dedicado à memória dos primeiros moradores e à história das ruas da capital, que idealizou e coordenou, com execução de Ubirajara Galli; e “Amália Hermano Teixeira — Ambientalista Polivalente”, pesquisa biográfica em desenvolvimento.
Sua produção abrange ainda pesquisas sobre a história de Goiás, a memória cultural, a arquitetura, o urbanismo e a relação entre a cidade e a natureza. Seus estudos contribuíram para o reconhecimento do urbanismo de Goiânia como campo específico de investigação histórica e para a documentação utilizada na preservação do patrimônio Art Déco.
Artes plásticas e música
Sua atividade intelectual ultrapassa os limites da arquitetura e do urbanismo. Como escultora, estudou com Ana Maria Pacheco e participou de exposições nacionais e internacionais. Coordenou o projeto Museu de Escultura ao Ar Livre, na Praça Universitária, em Goiânia.
Na música, desenvolveu sua expressão artística como cantora e soprano, aproximando musicalidade, poesia e artes visuais. Como escritora e poeta, publicou livros e textos em jornais, revistas e coletâneas culturais.
Sua trajetória caracteriza-se pela integração entre conhecimento técnico, sensibilidade artística e compromisso com a identidade cultural goiana.
Defesa ambiental
É defensora histórica da preservação das áreas verdes, das nascentes, dos parques e da qualidade ambiental de Goiânia. Sua visão de planejamento urbano considera a cidade como um organismo integrado, no qual cultura, economia, natureza, mobilidade e qualidade de vida devem caminhar juntas.
Entre suas iniciativas recentes estão: “Goiânia Cidade Vida Verde”, proposta concebida com Jacira Rosa Pires, voltada à valorização ambiental e à construção de uma cidade mais humanizada; “Caminho Escola”, projeto de valorização educativa, histórica e cultural de Goiânia, desenvolvido com Jacira Rosa Pires; “Ruas e Pioneiros de Goiânia”, iniciativa de resgate da memória urbana e biográfica das gerações que participaram da formação da capital; e propostas de valorização dos arquitetos Attilio Corrêa Lima e Armando de Godoy, reconhecendo suas contribuições para a concepção e a evolução de Goiânia.
Participação institucional
Narcisa participa de instituições culturais, literárias, históricas e artísticas, entre elas: Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, como sócia emérita; Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, como titular; Academia Goianiense de Letras, em cuja trajetória institucional também atuou; União Brasileira de Escritores — Seção de Goiás; Instituto dos Arquitetos do Brasil, Seção de Goiás; Associação Internacional de Artistas Plásticos; e outras entidades culturais e acadêmicas no Brasil e no exterior.
