Catherine Moraes
O Ministério Público ofereceu denúncia contra 15 pichadores que atuam em Goiânia e pediu que eles fiquem recolhidos em seus domicílios no período noturno, nos dias de folga e nos fins de semana. A medida é inédita no Estado e cautelar devido a nova lei de prisão preventiva. O tempo de duração da prisão domiciliar vai depender se o Judiciário vai ou não deferir o caso. A reincidência pode acarretar em detenção.
O promotor Juliano de Barros Araújo, que ofereceu a denúncia, afirma que os denunciados são líderes dos principais grupos que agiam entre 2009 e 2011 e juntos causaram prejuízo de mais de R$ 2 milhões. Entre as acusações, crime ambiental (pichação), apologia oa crime e formação de quadrilha.
Sobre a viabilidade de fiscalização, Juliano de Barros afirma que Judiciário, Ministério Público e a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) vão precisar unir forças para apurar cumprimento. O MP pediu ainda que os acusados sejam proibidos de adquirir tintas, sprays, rolos de tintas e pincéis, materiais usados para a prática do crime.
Para garantir o cumprimento da medida, deverá ser expedido edital para comunicação da ordem aos estabelecimentos comerciais de Goiânia e Aparecida de Goiânia. Juliano diz, entretanto, que não pensou sobre a punição para lojas que realizarem as vendas.
Inquéritos
Duas denúncias foram oferecidas por se tratarem de inquéritos distintos. Na primeira delas, 12 pessoas foram acusadas de crime ambiental (pichação) e formação de quadrilha, por terem pichado vários edifícios, monumentos urbanos e residências da capital. Na segunda são três os denunciados pelos mesmos delitos. Ambas são resultado de investigações feitas pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema).
No último dia oito de agosto, a Dema indiciou sete pessoas por pichação, por crime ambiental e ainda por formação de quadrilha. Entre os indiciados, Gladson Leonel de Souza, 20, vulgo ‘Gritu’, Flávia Gonçalves da Mata, 18, vulgo ‘Sena’, João Paulo Miranda, 20, vulgo ‘Gripe’, Guilherme Pereira 20, vulgo ‘Gelo’, Marcelo Octássio Bittencourt, 19, conhecido como ‘Tasyn’, Paulo Henrique Pedatella Ferreira Marques, 20, vulgo ‘Akato’ e João Gabriel Belém Souza, 18, antes conhecido como ‘Aids’que mudou o codinome para ‘Gosto’.
Destes, apenas João Paulo, Flávia e Gladston foram denunciados pelo MP. Juliano diz que os outros ainda estão sendo investigados e que as denúncias não são pessoais e sim por pichação. Cada picho foi datado e teve autores identificados. O trabalho do delegado Luziano de Carvalho, titular da Dema, foi elogiado pelo promotor. Para as investigações, Luziano aprendeu sobre a escrita dos criminosos, passo fundamental para a conclusão do inquérito.
Setores
A denúncia aponta também que, geralmente, os crimes eram praticados nos fins de semana, no período noturno, por isso a prisão domiciliar. Os setores mais afetados pelas pichações foram Bueno, Jardim América, Centro, Campinas, Parque Atheneu, Novo Horizonte, Nova Suíça e Pedro Ludovico.
Os grupos costumavam se preparar para praticar os delitos nas proximidades do Parque Vaca Brava ou do Shopping Flamboyant. Algumas vezes, eles chegaram a praticar até 20 pichações em apenas uma noite.
As investigações conseguiram nomear pelo menos sete gangues que agiram entre 2009 e 2011. O promotor Juliano de Barros diz que isso é só um passo e que durante as investigações foi possível listar mais de 30 gangues e que cada uma possui até 160 integrantes. “Isso é assustador e uma fronta ao poder público e à população. Goiânia não pode continuar sendo exemplo nacional em prática de pichação’, finaliza.
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