A Redação
Goiânia – O município de Goianira, que comemora mais de 100 anos de existência, foi criado pela Lei estadual nº 2.363, de 9 de dezembro de 1958, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado e sancionada pelo então governador José Ludovico de Almeida. A iniciativa e a determinação dessa conquista histórica foram do então vereador José Rodrigues Naves Júnior, conhecido como Zé Navinho e que pertencia à União Democrática Nacional (UDN), partido de oposição ao Partido Social Democrático (PSD), cujos integrantes dirigiam o Governo do Estado.
A informação está no livro “São Geraldo / Goianira – O surgimento do povoado e a trajetória de pioneiros. Documentos registram a construção do distrito e da cidade”, do jornalista e escritor Jales Naves, que será lançado na terça-feira, dia 13, às 9h, no auditório do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Se for considerada essa data, Goianira completará 68 anos em dezembro.
Sexto dos nove filhos do casal Maria Luiza Naves e José Rodrigues Naves Júnior e o último a nascer na vila de Goianira, quando ainda era distrito de Goiânia, em 16 de abril de 1950 – três filhas, todas mulheres, nasceram posteriormente, quando os pais se mudaram para o bairro de Campinas – Jales se interessou em conhecer a história local. Colheu depoimentos, buscou documentos e, depois de muito pesquisar, resolveu organizar as informações colhidas e contar a história. Não conseguiu todos os dados, e então resolveu escrever com as informações que juntou.
Resgate da história
Os padres redentoristas alemães, que vieram para Goiás em 1894, instalando-se no então município de Campinas, foram responsáveis pelo trabalho de assistência religiosa à população que já habitava a região, em especial na zona rural, que consistia na celebração da missa, casamentos e batizados e doutrinação. Esse trabalho se ampliou a partir de 1910, com a chegada de novo grupo de religiosos da Baviera, Alemanha. Entre eles estava o padre Pelágio Sauter, que já em março daquele ano realizou a primeira desobriga em Goiás, percorrendo as fazendas São Domingos, Boa Vista e Guerreiros, justamente onde surgiria, na década seguinte, o povoado de São Geraldo.
Um dos primeiros registros de terras na região data de 26 de setembro de 1916, referente a uma área adquirida, em 1912, por Manoel Pires da Costa, um português que veio para o Brasil em 1882, aos nove anos de idade. Ele morou no Rio de Janeiro, Santos, Curitiba, onde se casou pela primeira vez; em São Paulo, quando voltou a se casar; e depois se mudou para a antiga capital do Estado de Goiás, no início do século XX, para exercer o ofício de alfaiate. Após adquirir essa área, que denominou Boca da Mata e tinha 2.321,40 hectares, decidiu mudar de atividade e se transferir para a fazenda com a família. Ali, implantou uma importante estrutura de produção, que tornou a propriedade auto suficiente em praticamente todos os setores produtivos, com sobras que foram exportadas, gerando renda, emprego e movimento comercial.
Na época em que instalou a fazenda a região ainda era pouco habitada. O então município de Campinas tinha, em 1912, cinco mil habitantes, passando para seis mil em 1913, oito mil em 1914; e caindo para 4.445 habitantes em 1932. A população do Estado de Goiás, no período, era de 224.784 habitantes.
A movimentação para criar o povoado se deu a partir do trabalho do Padre Pelágio, em seu giro paroquial. Uma das primeiras reuniões, motivada pelas visitas dos redentoristas, aconteceu na casa do fazendeiro Philadelphio Peres de Sousa. Em documento editado pela Prefeitura de Goianira, há o registro desse encontro, que tratou da organização da vila e formou uma comissão. Um segundo momento foi o levantamento de um cruzeiro para a construção da capela, em 25.03.1922, que dois meses depois foi aprovada pela Provisão Diocesana, como também a planta do pequeno templo e de um cemitério.
Em registro feito pelo jornal “O Popular”, o então secretário do Prefeito de Campinas, Osório Carlos da Silva, disse ter levado a notícia de criação da vila de São Geraldo em 1935.
