A Redação
Goiânia – A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) realizou, na manhã desta terça-feira (6/10), em Goiânia, mais uma edição do ciclo de palestras Brasil em Movimento, com participação do economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega. O encontro, realizado na Casa da Indústria, discutiu as perspectivas econômicas do país, os desafios para o crescimento e os impactos de medidas como a reforma tributária sobre o setor produtivo.
Presidente da Fieg, André Rocha afirmou que a iniciativa busca reunir especialistas para estimular a discussão sobre os cenários político e econômico e contribuir para a formulação de políticas públicas. Segundo ele, a entidade espera que a próxima composição do Congresso Nacional avance em temas considerados estratégicos para a economia.
“Temos uma expectativa muito grande com essa renovação do Congresso Nacional. Temos o desafio de uma reforma tributária. Que possamos discutir políticas públicas eficientes, a quatro mãos, com os poderes públicos municipal, estadual e federal, para melhorar a produtividade e a competitividade das indústrias goianas e brasileiras”, afirmou.
Rocha também destacou a intenção de ampliar o diálogo entre o setor produtivo e o poder público, em parceria com o Fórum das Entidades Empresariais e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Sabemos dos grandes desafios do Brasil e dos grandes problemas que nossa economia tem hoje. A importância de estarmos discutindo e provocando reflexões é que, a partir daí, vamos discutir os melhores caminhos e políticas”, disse.

Maílson Da Nóbrega durante palestra na Fieg (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)
Cenário Econômico
Durante a palestra, Maílson da Nóbrega abordou o cenário econômico nacional e internacional, política fiscal, inflação, juros, investimentos e os efeitos das reformas estruturais. O economista também tratou das críticas e preocupações relacionadas à reforma tributária e afirmou que há exageros nas avaliações sobre o impacto do novo sistema de tributação.
“No mínimo tem exagero em relação ao IVA. A reforma tributária trará benefícios incríveis para a economia brasileira. Aumentar a produtividade e a competitividade, aumentar oportunidades e vai ter também riscos, custos”, afirmou.
Para Maílson, a mudança representa uma transição de um modelo que considera complexo e sujeito a distorções. Ele avaliou que os custos de adaptação devem ser considerados, mas não justificariam a reversão da reforma.
“Você não sai de um sistema caótico para no outro dia ter um sistema bom. Tem custo isso. Estão criando tempestade em copo d’água”, disse. Segundo o ex-ministro, eventual revogação da reforma poderia gerar efeitos negativos para a economia. “O benefício para o país é incalculável e o custo seria desastroso se houver um movimento vitorioso de revogar a reforma tributária”, afirmou.
O economista também recomendou que as empresas se preparem para um possível período de maior dificuldade financeira no país. Na avaliação dele, a indústria deve analisar os impactos de uma eventual crise e adotar medidas de proteção financeira.
“Primeiro lugar, a indústria deve fazer estudos de impactos dos efeitos de uma crise financeira grave que pode acontecer no Brasil nos próximos dois anos. Uma medida clara é contra o endividamento. Segurar novos investimentos por um período”, afirmou.
Maílson recomendou ainda atenção ao caixa das empresas diante de uma eventual redução da oferta de crédito. “Proteger o caixa. E, em crises como essa, em que o crédito escasseia, as empresas que têm caixa são as que sobrevivem”, disse.
Para o economista, encontros promovidos por entidades empresariais têm papel importante na preparação do setor produtivo diante de cenários de incerteza. “Eventos como este é o melhor que fazem as associações de classes: debater problemas, trazer especialistas, fomentar o debate, absorver conhecimentos, traçar diretrizes e estratégias para as empresas”, afirmou.
O diretor de Administração e Finanças do Sebrae Goiás, João Carlos Gouveia, também destacou a parceria com a Fieg e avaliou que as reformas e o equilíbrio das contas públicas estão entre os desafios do país. “O país é uma potência, mas existem desafios. É um alento entender que temos válvula de escape para as pequenas empresas. As reformas precisam acontecer, mas o orçamento federal precisa ser respeitado. Temos que fazer um ajuste fiscal”, afirmou.
Criado em maio, o Brasil em Movimento tem como proposta discutir os impactos do cenário político e econômico sobre o setor produtivo goiano. Antes de Maílson da Nóbrega, o ciclo recebeu o analista político Caio Coppolla, o CEO da Quaest Pesquisas, Felipe Nunes, o CEO da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, e o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman.
