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E o táxi para a balada?

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27.09.2011 - 11:12:35


Foi lançado hoje pelo governo estadual o programa Balada Responsável, que visa coibir a conduta criminosa de misturar álcool e volante nas ruas de Goiânia. Para entender melhor do assunto, leia aqui, neste link, no A Redação . De fato, este projeto demorou a chegar em nossa cidade, pois vidas são perdidas diariamente, de forma estapafúrdia, por conta dessa inconsequente prática. Contudo, entendo que o projeto não veio de forma completa e prejudica de forma séria o setor do entretenimento e gastronomia de Goiânia. A pergunta que fica é a seguinte: como voltará para casa alguém que tenha bebido?

Sabemos que os insuficientes ônibus que circulam em Goiânia param de rodar à meia-noite e só retornam às 5 da manhã. Porém, na prática, não é bem isso que acontece. Vá para um ponto de ônibus exatamente às 5 horas e veja quanto tempo você vai esperar ali. Além do tédio de aguardar, a pessoa corre um risco sério, pois é notório que nossa segurança pública vai de mal a pior e os altíssimos índices goianienses de homicídios estão aí para provar que não minto. Ou seja, a hipótese do transporte coletivo está descartada por conta de sua ineficiência.

A opção do táxi seria a mais plausível, contudo existe um limitante sério nesse serviço em Goiânia: o valor é simplesmente exorbitante. Digo isso calcado em duas perspectivas: quando comparamos o valor pago em outras capitais brasileiras e quando comparamos com o total gasto na balada em relação ao táxi.

Perante outras cidades, o serviço goianiense é caro, de forma desproporcional. Por que o táxi aqui em Goiânia é tão caro? Não sei nem chutar o que motiva tal valor. Alguém aí sabe o porquê? Se sim, por favor, me ajude!

E quando colocamos o valor que tiramos do bolso para pagar o táxi em comparação com que gastamos no restante da noite, veremos que boa parte ficou nas mãos do taxista. Se formos olhar o quanto gastamos de ingresso e conta, no caso de casas noturnas, ou o valor total da notinha, no caso de restaurantes e bares, veremos que o táxi morde um tanto considerável do montante final gasto na noite.

Li que o governo está pensando em uma parceria com os taxistas. Se o que foi publicado é verdade, a proposta é um acinte ao bom senso. Para viagens acima de 20 reais, teria um desconto de 10% quem tivesse usando o broche do Balada Responsável. Calma aí… Deixa eu ver se entendi mesmo… Então em uma vigem de 30 reais, eu pagaria “módicos” 27 reais e ainda teria que usar um broche ridículo na balada?!? Vocês só podem estar de brincadeira, né? Não sei se é por aí não…

O táxi não pode ser o maior gasto de alguém que vai para a balada. Bastava ser imposto uma taxa única entre os bairros para que a coisa pegasse de verdade. Por exemplo, entre bairros vizinhos, tipo Bueno e Marista, 5 reais e ponto final. Para viagens mais longas, tipo Bueno ao Jaó, 15 reais. Com o aumento do fluxo, o negócio ficaria viável e lucrativo ao taxista que deixaria de ganhar muito de poucos e passaria a faturar pouco de muitos. Se tiver vontade política, uma ação dessa sai do papel fácil. E aí cabe ao setor do entretenimento e da gastronomia, em especial o atuante pessoal da Abrasel, encabeçar essa briga. E eles já podem contar com meu apoio integral.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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