Terminou neste domingo, na HBO Max, a primeira temporada de Lanternas, uma ousada reimaginação mais madura para os Lanternas Verdes, basicamente os policiais cósmicos do universo DC, muito conhecidos pelos leitores, mas não tão conhecidos pelo grande público. Nesta nova DC cinematográfica capitaneada por James Gunn, havia a dificuldade de introduzir esses personagens sem sobrecarregar a audiência e, ao mesmo tempo, diferenciá-los de maneira significativa do já estabelecido Superman.
E a inspiração veio descaradamente de True Detective, a aclamada série antológica da própria HBO que renasce dos mortos a cada cinco anos para uma nova temporada antes de sumir na calada da noite por mais meia década. Adicione a isso um pouco de superpoderes e ficção científica e pronto: você tem o espírito da série.
Agora, se você já era um fã dos Lanternas Verdes antes… talvez essa série não seja para você. Não exagerei quando falei em “reimaginação”: os criadores Tom King, Chris Mundy e o notório Damon Lindelof, de LOST, pegam a mitologia desses personagens e da Tropa Lanterna Verde e mais ou menos jogam na fogueira, reinventando o que querem e reaproveitando o que consideram útil. Se para você isso soa como vilipêndio, melhor passar longe.
A trama acompanha Hal Jordan (Kyle Chandler), que já atua como Lanterna Verde na Terra desde 1986, décadas antes de o Superman se revelar para o mundo. Porém, seu comportamento irresponsável e, às vezes, perigoso e suspeito gera desconfiança nos Guardiões de Oa, que passam a buscar um substituto. Entra aí John Stewart (Aaron Pierre), um fuzileiro treinado desde criança para assumir o anel de Lanterna Verde. Os dois precisam trabalhar juntos para solucionar um mistério em uma cidadezinha: um alienígena perigoso está escondido por lá, e outros alienígenas ainda mais perigosos vão destruir a cidade caso ele não seja encontrado.
Além da boa caracterização e da excelente química entre os personagens, o que segura a série é exatamente a mistura entre super-herói, detetive e ficção científica. Separadamente, a narrativa não para em pé em nenhuma dessas frentes: o mistério é ordinário; os poderes quase não aparecem e ETs malvadões não são novidade. É a junção dos fatores que torna a trama envolvente o suficiente para justificar a assistida.
Se você está buscando algo diferente e que consegue fugir um pouco do convencional, com ótimas atuações, Lanternas pode ser uma boa pedida para você, especialmente se o lance de super-heróis nunca te atraiu. Se você espera muita ação, pancadaria e bem contra o mal, aí Lanternas vai ficar devendo.
