Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – Criado pela Resolução nº 015, de 30 de setembro de 1966, pelo Conselho Universitário, o Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás está completando 60 anos. Nesse documento, foi criada uma comissão para elaborar o currículo, definir orçamento e as primeiras providências para a sua implantação, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da instituição, e era composta por três professores: Lena Castelo Branco Ferreira da Costa, Vivaldo Vieira Silva e Lídia Polech. O primeiro vestibular foi realizado em maio de 1968, teve 80 candidatos, que disputaram as 20 vagas oferecidas, e 18 começaram as aulas no segundo semestre daquele ano. Foi o primeiro do Centro-Oeste brasileiro.
Coordenadora do Curso e do projeto de pesquisa para lembrar os 60 anos de sua criação, a professora Solange Franco desenvolve duas frentes de atuação: a organização do acervo, desde a identificação dos egressos, levantar o histórico de cada professor, principais documentos, plano de ensino, grade curricular e projeto pedagógico, e o Projeto Memória, para colher depoimentos de professores e egressos, gravar audiovisual etc.
Como começou
O início das aulas do Curso de Jornalismo, com professores de diversas áreas da UFG, coincidiu com a implantação em todo o país, pelo Ministério da Educação, da reforma universitária oficializada pela Lei mº 5.540, de 28.11.1968. Com essa mudança, a FFCL sofreu alteração em sua estrutura, dividindo-se na Faculdade de Educação e no Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL); o ICHL passou a contar com sete cursos: Letras, Ciências Sociais, Matemática, Física, Geografia, História e Comunicação Social, habilitação em Jornalismo.
A iniciativa de criação do Curso foi do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás, cujo presidente, José Osório Naves, conversou informalmente com o primeiro reitor da UFG, professor Colemar Natal e Silva, que lhe pediu para encaminhar proposta, em nome da entidade, o que ele providenciou em seguida. Isso foi antes da cassação de Colemar, em outubro de 1964. José Osório insistiu na sugestão com a nomeação do novo reitor, Jerônimo Geraldo de Queiroz, sensibilizando-o para a ideia – o dirigente universitário teve que enfrentar o Conselho da instituição, que votou contra, e o implantou em 1968. No andamento dessa luta o Sindicato contou com o apoio da Associação Goiana de Imprensa.
Convênios
Para iniciar o curso a UFG deslocou professores para atender o núcleo comum – Português, História, Sociologia, Geografia, Filosofia etc. – e fez convênios com duas instituições de ensino superior. Com a Universidade de Brasília, pelo seu Departamento de Comunicação, que forneceu três professores de disciplinas técnicas – José Antônio D’Arrochela Lobo, da área de TV, José Salomão David Amorim, de “Jornalismo Comparado” e “Políticas de Comunicação”, e Luiz Gonzaga Mota, de “Técnicas de Jornalismo” –, e com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, para a disciplina Fotojornalismo, que coube ao jornalista Francisco Campanela Neto, professor e da Editoria de Fotografia do “Jornal do Brasil”.
Em 1970 foi criado o Departamento de Comunicação Social, ligado ao ICHL/UFG, sendo indicado para chefiá-lo o professor Modesto Gomes da Silva, do Curso de História e que escrevia em jornais. Segundo chefe do Departamento, o professor Antônio Maia Leite foi o responsável pela sua organização administrativa e acadêmica, conseguindo montar, via concurso público, a primeira equipe de professores com formação na área: Antônio Maia Leite, que fez o Curso de Jornalismo no Rio de Janeiro, Valquíria Braga dos Santos, Taylor Oriente, que também estudou no Rio de Janeiro, e Thomas Roland Hoag.
Em 1973 fez um concurso nacional, quando foram contratados três professores: Francisco Eduardo Ponte Pierre, que lecionava na Universidade Federal de Minas Gerais, Hélio Furtado do Amaral, que era do Instituto Nacional do Cinema, e José Carlos da Rocha Carvalho, da Universidade de São Paulo e que ficou pouco tempo.
