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Mensalmente, mais de 750 mil pessoas passam pela Região da 44, em Goiânia Foto: AER44

Região da 44: da Feira Hippie a uma engrenagem de negócios que conecta Goiás ao Brasil e ao mundo

Segundo maior polo de moda do país em produção e comercialização movimenta mais de R$ 14 bilhões por ano e recebe mais de 750 mil pessoas por mês

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29.09.2026 - 10:37:19

Catherine Moraes

Goiânia – R$ 14 bilhões por ano. Mais de 750 mil pessoas por mês. Cerca de 270 milhões de peças comercializadas em um único ano. Esse é o tamanho estimado da Região da 44, em Goiânia, segundo a Associação Empresarial da Região da 44 (AER44). Os números dão a dimensão de uma região que começou com uma feira e se transformou em uma enorme engrenagem de negócios, considerada o 2º maior polo de moda do Brasil em produção e comercialização. A Região da 44 conecta Goiânia a municípios produtores de moda do interior de Goiás, atrai compradores do Brasil e do mundo e movimenta também hotéis, restaurantes, transportadores e outros serviços. Entre os principais compradores internacionais, estão os países do Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia) e também do continente africano, mas as peças também chegam aos EUA e Europa. 

A história da empresária Juliete Rosa ajuda a mostrar como essa cadeia funciona na prática. Diretora da Alvorê, marca especializada em moda profissional para as áreas de saúde e estética, ela está na Região da 44 há 16 anos. Quando chegou, em 2010, a estrutura ainda era diferente da atual. “Eu até brinco que quando a gente chegou não era tudo mato. Era tudo galpão”, diz.

A empresária Juliete Rosa era feirante e viu na região da 44 uma oportunidade de crescer (Foto: Arquivo pessoal)

 A escolha pela região foi uma estratégia comercial. A empresa já participava da Feira Hippie e identificou na 44 uma oportunidade de alcançar um público que vinha à capital para comprar no atacado. “Com o passar dos anos, o perfil dos consumidores mudou. Hoje, aproximadamente 70% do faturamento da empresa vem do varejo presencial. Mas a marca também mantém e-commerce e vendas pelo WhatsApp”. 

A empresa comercializa cerca de 3 mil peças por mês entre jalecos e outros produtos que são fabricados em Goiânia e já atende clientes de estados como Pará, Acre, Rondônia e Mato Grosso, além do Paraguai, Bolívia e Argentina. 

Empresa comercializa 3 mil produtos por mês e atende estados como Pará, Acre, Rondônia e Mato Grosso, além do Paraguai,  Bolivia e Argentina (Foto: Divulgação) 

O presidente da AER-44, Sérgio Naves, afirma que a comercialização – no varejo e atacado – contempla os mais variados estilos de roupas e artigos de moda. “Recebemos turistas de compras e atacadistas dos quatro cantos do Brasil, especialmente do interior de Goiás e dos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo, Tocantins, Pará e Maranhão”, completa. Os produtos mais vendidos são de moda feminina, jeans e camisas de malha. 

A Região está situada em um perímetro que envolve 12 ruas e três avenidas: Contorno, 44 e Independência e inclui estabelecimentos como o Shopping Mega Moda, Shopping Araguaia, Mega Park, Pitbull Shopping e Shopping Galo, além da tradicional Feira Hippie, que deu origem a esse comércio. No total, são mais de 140 empreendimentos entre shoppings, galerias e hotéis. Estes últimos chegam a disponibilizar atualmente 5 mil leitos e também movimentam a região, não apenas com compradores, mas com hóspedes que estão participando de eventos e em compromissos de negócios. São 13 mil lojistas e 2,6 mil feirantes na região. 

Presidente da CDL Goiânia, Gustavo Henrique de Faria defende crescimento organizado e planejado para empreendedores  (Foto: CDL Goiânia)

Presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL Goiânia), Gustavo Henrique de Faria afirma que a Região da 44 é um dos principais motores da economia de Goiânia. Acrescenta ainda que sua importância vai além do comércio. “A 44 gera emprego, renda e oportunidades para milhares de empreendedores. Por isso, fortalecer a região significa fortalecer toda a economia de Goiânia. O grande fluxo de compradores, inclusive de outros estados, movimenta toda uma cadeia que envolve comércio, confecção, transporte, hotelaria, alimentação e serviços. Por isso, quando a Região da 44 cresce, o impacto positivo também chega a outros setores da economia da capital. Para nós, o mais importante é garantir que essa força continue crescendo de forma organizada, com infraestrutura, segurança, mobilidade e um ambiente cada vez mais favorável para os empreendedores”, explica. 

270 milhões de peças vendidas em 2025 

Em 2025, a Região comercializou aproximadamente 270 milhões de peças. Os dados são da AER44 e projetados a partir do levantamento de grandes confecções que fornecem para os lojistas, e por números fornecidos pelo Sindicato da Indústria do Vestuário de Goiânia (Sinroupas). A maior parte das peças foram oriundas dos 30 municípios goianos que lideram a lista de produção de vestuário. 

O ticket médio dos compradores no atacado da região gira em torno de R$ 5 mil e R$ 8 mil, movimentando uma economia média mensal de aproximadamente R$ 761 milhões. Os números, entretanto, não são estáveis e cinco meses concentram a maior parte das vendas do ano: maio (Dia das Mães e Pecuária de Goiânia), junho (Dia dos Namorados), julho (Festa de Trindade) e outubro a dezembro (compras de final de ano). 

“No final do ano, principalmente, temos um aumento de fluxo de vendas não apenas no atacado, mas também no varejo. Entre os estímulos: Black Friday, parcelas do 13º salário e compras de Natal e réveillon. Para se ter uma ideia, somente nestes três meses a movimentação pode chegar a R$ 3 bilhões. Entre maio e julho, chegamos a movimentar R$ 1,5 bilhões”, acrescenta o presidente da associação.  

Mensalmente, a movimentação é de R$ 761 milhões, com aumento em datas estratégicas  (Foto: Kamylla Rodrigues)

Mas nem só de atacado e varejo sobrevive a região. A estimativa atual é de que a movimentação de compras na modalidade atacarejo já corresponda de 30% a 40% das vendas. “Nos últimos anos, a região também vem se consolidando como um importante ponto turístico do Estado com as vendas no chamado atacarejo, com turistas de compra levando número maior de peças para aproveitar preços de atacado. Essa tendência é percebida no grande fluxo de pessoas que passam pela região nos feriados prolongados, por exemplo”, explica Sérgio. 

Dados da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) mostram que a região é uma potência em novos negócios. Em 2021, foram abertas 508 empresas e baixadas 321, resultando em saldo positivo de 187 novos negócios. Em 2022, o saldo chegou a 222, com 514 aberturas e 292 baixas. No ano seguinte, foram 500 empresas abertas e 344 encerradas, com saldo de 156. Em 2024, o crescimento líquido foi o menor da série, de 95 empresas, resultado de 477 aberturas e 382 baixas. Já em 2025, o saldo voltou a crescer para 179, com 616 novos registros e 437 baixas. De janeiro a setembro de 2026, foram 401 aberturas contra 268 baixas, um saldo positivo de 133 empresas. Apesar das oscilações, em todos os anos analisados, o número de empresas abertas superou o de empresas encerradas, mantendo o saldo empresarial positivo no período.

Como tudo isso começou? 

Surgimento da Região da 44 foi impulsionado pela transferência da Feira Hippie para Praça do Trabalhador, em 1995  (Foto: Kamylla Rodrigues)

O surgimento da Região da 44 foi impulsionado pela transferência, no ano de 1995, do funcionamento da Feira Hippie de Goiânia para a Praça do Trabalhador, no Setor Central da Capital. Nessa época, a feira, considerada a maior da América Latina realizada a céu aberto, já tinha uma forte e consolidada vocação para o comércio de confecções. Cinco anos depois, em 2000, surgiram as primeiras galerias de lojas. Um dos empreendimentos pioneiros na Região, o Hotel e o Shopping Imperial foram construídos justamente na esquina da Rua 67-A com a Rua 44.

“Foi ali que eu cheguei. Eu não conhecia a Feira Hippie, não tinha relação com a feira, mas tinha uma amizade com o ex-prefeito de Goiânia Darci Accorsi, que me convidou para ver o projeto. A mudança levou a feira de cerca de 2,2 mil pontos na Avenida Goiás para aproximadamente 6,6 mil na Praça do Trabalhador. Isso brilhou meus olhos e implementei um sistema de comunicação, a Rádio Hippie”, conta o pioneiro da região, o jornalista e empresário Jairo Gomes. 

  Jairo Gomes foi pioneiro no comércio da 44, com o primeiro shopping da região  (Foto: Arquivo Pessoal)

Ele afirma que os compradores chegavam de diferentes partes do país, mas encontraram uma limitação: a concentração das vendas em apenas um dia da semana: o domingo. “Feirantes e clientes sentiam a necessidade do comércio funcionar mais dias na semana. E a partir daí, eu criei o Shopping Imperial, o primeiro empreendimento da região, inaugurado em 1º de março de 2001”. Segundo Jairo, muitos dos primeiros lojistas eram justamente feirantes que passaram a ter um espaço permanente para vender durante a semana. A transformação aconteceu rapidamente. De acordo com ele, entre 2001 e 2005 16 galerias foram montadas na região.

O empresário também participou da criação da Associação Empresarial da Região da 44, a AER44, entidade da qual foi o primeiro presidente. “Eu vi a região nascer. É como um filho. E com filho você tem entusiasmo, alegria, orgulho. Então a 44, para mim, é a menina dos meus olhos”. 

18% do PIB de Goiânia 

A movimentação financeira de R$ 14 bilhões anualmente faz com que a região seja responsável por 18% do PIB de Goiânia conforme dados do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB). Isso significa dizer que se a região fosse um município do Estado de Goiás teria o 5º maior PIB do Estado, superando Catalão, que teve em 2025, um PIB de R$ 10,3 bilhões. 

Para o economista Danilo Orsida, o peso econômico da Região da 44 não pode ser medido apenas pelo que acontece dentro das lojas. O polo funciona como um indutor de atividades em outros setores. A hotelaria é um deles.

Segundo Orsida, hotéis da região e do entorno são beneficiados pelo fluxo de compradores, especialmente nos períodos de maior movimento. A alimentação também acompanha essa demanda, com restaurantes, lanchonetes, praças de alimentação e fornecedores de refeições atendendo trabalhadores e visitantes.

O economista Danilo Orsida afirma que o polo de moda da 44 é um indutor de atividades de outros setores (Foto: Arquivo pessoal)

A proximidade com o Terminal Rodoviário de Goiânia aumenta a demanda por ônibus, táxis, motoristas de aplicativo, vans, fretes e serviços de logística. “É uma das maiores geradoras de empregos diretos e indiretos da capital”, afirma o economista. 

É um modelo em que o lojista da 44 não necessariamente vende apenas para o consumidor final. Muitos compradores chegam à capital para abastecer seus próprios negócios. 

Para Jairo Gomes, essa característica ajudou a transformar a região. “É uma operação de cunho familiar. Grande parte dos negócios é tocada pela própria família e há forte presença feminina. Muitas pessoas que começaram pequenas na região conseguiram crescer, formar os filhos e construir novos negócios a partir da atividade comercial”, destaca. 

A cadeia também se expandiu para outros setores ligados à produção, como lavanderias, facções e fornecedores de matéria-prima. Jairo cita ainda a relação com empresas da região de Campinas, em Goiânia, que fornecem malhas e outros materiais para os confeccionistas.

Projeto Cinturão da Moda: impulsionando a produção

Lançado em 2022 pela Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), o Projeto Cinturão da Moda tinha como objetivo impulsionar a indústria da moda em Goiás por meio de qualificação profissional e geração de renda no interior e na Região da 44. Em parceria com entidades como a AER-44 e empresas do setor têxtil, o programa estimula o empreendedorismo, movimenta a economia local e conecta lojistas e facções. No início, 30 municípios receberam qualificação. Em 2025, o governo de Goiás anunciou novas 10 cidades para expandir o projeto, totalizando 40 municípios. 

Entre os benefícios do projeto estão a oferta de cursos profissionalizantes na área de corte e costura, além de assistência para criação de cooperativas. Os produtos são vendidos, em sua maioria, por comerciantes da 44, no setor Norte Ferroviário. Até o momento,170 empresários já participaram do programa que já produziu mais de 700 mil peças desde sua criação. O Cinturão da Moda tem parceria com a Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), Sebrae, Senai, Goiás Fomento, Sistema OCB, bem como de empresas do setor têxtil e de confecção.

Cidades como Catalão, Itaguari, Itaguaru, Itapuranga, Taquaral e Pontalina se destacam na produção de moda íntima. Jaraguá, Itumbiara, Goianésia, São Francisco, Uruana, Trindade, Goiânia, Senador Canedo e Aparecida de Goiânia, por sua vez, têm tradição na fabricação de jeans. Goiatuba e Inhumas, em cama, mesa e banho. 

De acordo com a SIC, o objetivo é transformar Goiás no maior polo de moda do Brasil, com manutenção dos preços em concorrência direta com São Paulo, que hoje lidera no país com produção e comercialização. Para isso, uma das metas envolve a abertura de cooperativas em, no mínimo, 30 municípios do Estado. 

Cooperação intermunicipal 

Para o economista Danilo Orsida, essa relação entre a capital e os municípios produtores cria uma cadeia econômica complementar. “O valor econômico é compartilhado de forma complementar entre as duas pontas, criando uma rede de cooperação intermunicipal”, explica.

Nos municípios produtores, segundo o economista, permanece a parcela relacionada à transformação industrial, aos salários de costureiras, faccionistas, modelistas e cortadores, além do consumo local e dos impostos relacionados à produção.Já em Goiânia ficam os valores associados à comercialização, distribuição e aos serviços ligados ao comércio.

“Dessa forma, a 44 opera como a ‘vitrine e canal de distribuição nacional’ da produção têxtil do interior goiano. Sem a capacidade produtiva do interior, a 44 não teria escala de oferta; sem o poder de atração da 44, a produção do interior não encontraria vazão no volume necessário”. 

 A região da 44 opera como uma vitrine e canal de distribuição nacional  (Foto: Kamylla Rodrigues) 

A 44, segundo ele, atua como uma incubadora de microgeração de renda e empreendedorismo em nível nacional. “Primeiro, tem baixa barreira de entrada, que permite que pequenos produtores locais iniciem suas vendas sem a necessidade de estruturas complexas de distribuição. Segundo, funciona como a espinha dorsal de milhares de microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas lojas de roupas espalhadas pelo Brasil, que compram na 44 para revender em suas cidades. E terceiro, é uma porta de entrada rápida para a formalização e ascensão social de famílias que dependem do comércio informal ou da produção artesanal de vestuário”, explica. 

O presidente da CDL, Gustavo Henrique de Faria afirma que essa conexão é estratégica. “A Região da 44 é a nossa principal vitrine comercial, onde produtores do interior do estado encontram um mercado consolidado. É uma relação que beneficia toda a cadeia produtiva, o produtor ganha mercado, o comerciante ganha competitividade e Goiás fortalece sua economia”, pontua. 

Casa do Empreendedor: Prefeitura + Sebrae 

3ª Casa do Empreendedor da capital foi lançada em abril deste ano e fica localizada no Shopping Centro Oeste Outlet (Foto: Sebrae Goiás)

Em abril deste ano, a Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento e Inovação (Sedicas), em parceria com o Sebrae Goiás, lançou a 3ª Casa do Empreendedor da capital. O espaço está localizado no Shopping Centro Oeste Outlet, segundo piso, e tem como objetivo oferecer, em um só lugar, serviços para quem deseja  iniciar, formalizar ou ampliar a atividade empreendedora.

No local, os empreendedores podem realizar serviços como abertura do MEI, emissão de nota fiscal e guias, parcelamento e declaração anual, além de alteração cadastral e baixa do MEI. A Casa do Empreendedor também funciona como ponto de apoio para esclarecimento de dúvidas e encaminhamento de soluções práticas, prometendo mais agilidade e eficiência no atendimento.

A primeira Casa do Empreendedor de Goiânia foi inaugurada em março de 2025, no Paço Municipal, Setor Lozandes, e a segunda, em maio do mesmo ano, na região Noroeste de Goiânia, na Galeria Mangalô, no setor  Morada do Sol. 

Analista do Sebrae Goiás e gestora das Casas do Empreendedor de Goiânia, Nadyene Albernaz  explica que a região reúne milhares de pequenos negócios, lojistas e feirantes e que diante dessa dimensão e da relevância econômica da região, estar fisicamente presente neste território é uma estratégia de aproximação com o empreendedor, facilitando o acesso a orientação, capacitação e soluções para os negócios. 

“A formalização é um passo importante para que o lojista opere com maior segurança e tenha acesso a serviços e oportunidades que dependem da regularidade do negócio, como emissão de nota fiscal, acesso a crédito e participação em determinadas oportunidades comerciais e institucionais.  Na Casa do Empreendedor, o empresário também encontra orientação para cumprir suas obrigações, melhorar a gestão, organizar o negócio e se preparar para crescer e acessar novos mercados. Formalizar é o começo, não o fim da jornada empresarial”, acrescenta Nadyene Albernaz. 

Trabalho feito em parceria 

Antes de ocupar a presidência da AER44, Sérgio Naves já era proprietário do Shopping Vitória e conhecia, de perto, as demandas da região. Essa história começou há 14 anos quando ele adquiriu o empreendimento que hoje possui cerca de 60 lojistas e um mix bastante diversificado, que acompanha a própria vocação da Região da 44. “Temos lojas de bolsas e acessórios, jeans, moda goiana, moda fitness, moda bebê, além do segmento de alimentação. É uma diversidade que nos permite atender tanto o público do varejo quanto o atacadista que vem de diferentes regiões do país em busca da moda produzida e comercializada em Goiânia”, completa. 

Além de presidente da AER44, Sérgio Naves é proprietário do Shopping Vitória que passou por Retrofit e hoje conta com 60 lojistas  (Foto: AER44)

Inaugurado em 2001, o Shopping Vitória passou, recentemente, por um processo de retrofit. Ampliaram os corredores e também promoveram melhorias no segundo e no terceiro pisos, criando espaços e lojas mais atraentes e adequados tanto para o público do varejo quanto para o atacado.

Associado da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), ele ressalta a importância das parcerias para a capacitação, crédito, tecnologia, segurança, revitalização e melhorias que chegam, inclusive, ao trânsito da região. “Sou associado à CDL e a própria AER44 também é associada. Considero essa parceria muito importante, principalmente pelo fortalecimento da representação de classe e do associativismo.A CDL oferece instrumentos importantes para o empresário, desde serviços relacionados a crédito e score até iniciativas voltadas à tecnologia, qualificação, informação e conhecimento. Como entidade associativa, entendemos que é importante apoiar ações que fortaleçam o comércio, o empreendedor e que também tragam benefícios para a sociedade”, explica. 

O presidente da associação também destaca o Sebrae, especialmente no incentivo ao empreendedorismo e na capacitação dos empresários, inclusive com a  Casa do Empreendedor, aproximando os serviços de quem efetivamente empreende na região. “Da mesma forma, considero fundamental o apoio da Prefeitura de Goiânia e do Governo de Goiás, que felizmente cresceu nas últimas gestões municipal e estadual. Desde a criação da AER44, conseguimos manter uma ótima interlocução com as diversas esferas do poder público. Com isso, temos conseguido avançar em pautas e projetos de suma importância para o nosso polo, como a revitalização da Região da 44, o reforço da segurança pública, melhorias no trânsito”

Nesse contexto, o maior desejo é consolidar Goiânia como a Capital da Moda do Brasil. “Com apoio do poder público e desses parceiros como a CDL e o Sebrae, estamos conseguindo uma transformação da 44 que vai além dos empreendimentos individualmente. Estamos falando da qualificação de toda uma região que se tornou um dos grandes polos de moda e comércio do país”, finaliza. 

Presidente da CDL Goiânia, Gustavo Henrique de Faria afirma que um empreendedor sozinho dificilmente consegue levar suas demandas ao poder público. Dessa forma, as parceria entre associações e poder público garantem acesso a soluções e benefícios que podem contribuir para reduzir custos, melhorar a gestão, qualificar sua equipe e ampliar oportunidades de negócios. “É assim quando um empreendedor se associa à CDL, por exemplo. Ele passa a fazer parte de uma entidade que representa os interesses do comércio e trabalha para fortalecer um ambiente de negócios mais seguro, competitivo e favorável ao empreendedor. Com a CDL Goiânia, ele tem uma entidade que defende os interesses do setor em temas como segurança, tributação e ambiente de negócios”

Para se associar, basta procurar a CDL pelos canais de atendimento ou pelo site. A partir daí, o empresário passa a usar os serviços e benefícios e a participar das ações. “Nosso compromisso é estar ao lado do empresário, tanto no balcão da loja quanto nas decisões que afetam o futuro do comércio da nossa cidade”, finaliza. 

A experiência que a internet não substitui

 Superintendente do Shopping Gallo, Chrystiano Câmara afirma que mesmo com avanço de compras pelo digital, loja física ainda garante credibilidade e segurança (Foto: Arquivo Pessoal)

A transformação digital também chegou aos grandes empreendimentos da Região da 44. O consumidor atual busca pelo chamado “omnichannel”: ele pode conhecer uma marca pelas redes sociais, visitar a loja física e depois concluir a compra pelo site ou pelo WhatsApp.

No Shopping Gallo, o superintendente Chrystiano Câmara, acompanha de perto a mudança no comportamento dos consumidores. Para ele, a venda pela internet é um caminho sem volta, mas não eliminou a necessidade da experiência presencial.

“O consumidor vem ao shopping para ver o material, a costura, a textura. Depois que ele vê, ele cria sua afinidade com aquela loja. Aí sim ele passa a comprar por WhatsApp daquela loja. O Shopping Gallo mantém inclusive uma agência dos Correios e estrutura para despacho de mercadorias”, conta Chrystiano. 

O superintendente do shopping afirma que, depois da pandemia, muitos lojistas passaram a combinar atendimento presencial e vendas digitais. Em alguns casos, segundo ele, comerciantes que antes trabalhavam apenas com a loja física passaram a manter equipes específicas para vendas pelo WhatsApp.

  Juliete e outros empresários foram a São Paulo, a convite da CDL Goiânia, em uma missão sobre o futuro do varejo (Foto: Arquivo pessoal)

A empresária Juliete também destaca a importância da capacitação para atender esse mercado cada vez mais dinâmico. Recentemente, ela participou de uma missão empresarial realizada pela CDL em parceria com o Sebrae Goiás, voltada ao varejo, em São Paulo.

Segundo ela, uma das principais discussões foi justamente a necessidade de combinar tecnologia e valorização do atendimento humano. “As duas estratégias não são excludentes. A empresa precisa estar presente no digital, mas também precisa preservar a experiência presencial”, completa. 

Mariana de Barros, de 50 anos, é pedagoga e ainda trabalhava em sala de aula quando decidiu empreender como lojista na 44, há 14 anos. As filhas trabalhavam como vendedoras na região e deixaram os empregos para auxiliar a mãe. Foi assim que surgiu a Mariana Modas (@marianamodass), dentro do Shopping Mega Moda, hoje com mais de 703 mil seguidores no Instagram e venda no atacado e varejo não apenas para o Brasil inteiro, mas também para países como: Estados Unidos, Londres, Portugal, Espanha, Bélgica, Bolívia e Paraguai. Hoje, a venda também ocorre inicialmente de forma presencial antes de se fortalecer de forma on-line. 

“No início minhas filhas cuidavam da loja e eu ainda era professora. Hoje nossa venda é muito on-line, pelo Instagram e pelo nosso site e elas cuidam dessa parte. Eu fico na linha de frente da loja com outras duas funcionárias, no atendimento presencial. Ter uma loja física dá credibilidade e infelizmente ainda existem muitos golpes de forma on-line. Então, o fato de termos uma loja física dá confiança pro cliente, tanto do atacado quanto do varejo. Temos também clientes de varejo que gostam de vir até a loja, ter uma experiência diferente mesmo”, acrescenta.

Localizada no Shopping Mega Moda, Mariana Modas é administrada por mãe e filhas (Foto: divulgação)

 Layane Santos, Mariana Araújo (mãe), Tauane Santos e Luana Araújo (Foto: arquivo pessoal)

Quem compra na 44?

O público também se diversificou. No Shopping Gallo, Chrystiano estima que 60% dos consumidores sejam de Goiás e 40% de outros estados. O fluxo também inclui compradores de países da América Latina, como Bolívia, Colômbia, Venezuela e Argentina.

A proximidade com a Rodoviária de Goiânia ajuda a explicar parte desse movimento. “Passageiros que chegam à capital e precisam esperar algumas horas pelo próximo ônibus acabam circulando pela região”. 

O Shopping Gallo recebe cerca de 270 mil a 280 mil pessoas por mês  (Foto: Divulgação)

O fluxo também está relacionado ao chamado turismo de compras. O Shopping Gallo recebe, segundo o superintendente, cerca de 270 mil a 280 mil pessoas por mês. Em novembro e dezembro, o número quase dobra. O shopping tem cerca de 350 lojistas e aproximadamente 3,2 mil pessoas trabalhando diretamente em atividades ligadas ao empreendimento. Cerca de 80% dos lojistas, segundo Chrystiano, são goianos ou vieram de municípios do interior de Goiás. Os outros 20% são de outros estados, como Paraná e São Paulo.

Operação dedicada ao turismo e investimento que chegou na hotelaria 

A história do Grupo Mega Moda na Região da 44 começou em 2012, quando uma das empresas do grupo possuía um galpão na região e recebeu uma proposta expressiva de compra do imóvel. A oportunidade despertou o interesse dos empreendedores, que decidiram conhecer mais de perto o movimento comercial daquele território e identificaram ali um potencial de desenvolvimento muito maior.

“Goiânia já possuía uma forte vocação para a produção e comercialização de moda, impulsionada por uma cadeia produtiva que se estende por diversas cidades do interior de Goiás. A localização estratégica no centro do Brasil também favorecia a distribuição desses produtos para diferentes regiões do país. O que faltava era uma infraestrutura comercial capaz de acompanhar e potencializar esse movimento. Foi a partir dessa percepção que surgiu a visão de construir o maior shopping de moda atacadista do Brasil, reunindo produtores, lojistas e compradores em um ambiente planejado”, completa a gerente de marketing do Grupo Mega Moda, Paula Sepulveda. 

Grupo Mega Moda investiu mais de R$ 160 milhões no lançamento dos empreendimentos em 2012 (Foto: Divulgação Mega Moda)

Desde 2012, o Grupo Mega Moda mantém investimentos contínuos na Região da 44, que resultaram na consolidação de um complexo comercial formado pelo Mega Moda Shopping, Mega Moda Park e Mini Moda, além de hotel integrado, estacionamentos e estruturas de apoio ao turismo de compras. Os números totais de investimento não são revelados, mas apenas na época do lançamento do Mega Moda Park, o grupo investiu mais de R$ 160 milhões. Atualmente, o Grupo Mega Moda reúne aproximadamente 1.200 lojas, distribuídas entre o Mega Moda Shopping, Mega Moda Park e Mini Moda, em um complexo com mais de 57 mil m² de área construída. Também é responsável pela geração de mais de 15 mil empregos diretos e indiretos, considerando as atividades desenvolvidas pelos lojistas e sua cadeia produtiva.

A estrutura foi desenvolvida para atender às particularidades do turismo de compras, com estacionamento capaz de receber até 80 ônibus de excursão, além de vagas para veículos de passeio, hotel integrado, praças de alimentação, climatização, elevadores, escadas rolantes e serviços de apoio aos compradores. “Outro avanço importante foi a estruturação do turismo de compras. Hoje, o Grupo possui uma operação dedicada ao relacionamento com guias e excursões, oferecendo atendimento especializado, espaços de descanso, hotelaria e iniciativas como o Tour do Atacado, que facilita a jornada dos visitantes e aproxima os compradores dos fornecedores”, finaliza a gerente de marketing do grupo. 

O futuro de uma região que não para de crescer

Um dos desafios apontados pelos comerciantes é a escassez de mão de obra, que segundo o economista Danilo Orsida, é um fenômeno estrutural e transversal, que afeta a indústria, os serviços e o varejo em geral, agravado pelo aumento da taxa de ocupação nacional e por mudanças no perfil dos trabalhadores. Ele explica que nesse cenário é preciso profissionalizar a gestão de pessoas, promover parcerias com entidades do Sistema S (Sebrae, Senac, Senai) para capacitação rápida no próprio local, adotar sistemas de automação comercial e buscar a flexibilização de jornadas e benefícios atrativos. 

Além desse, outros desafios estruturais batem à porta do varejista. Entre eles, a mobilidade, que inclui transitar e estacionar na região. 

Apesar dos problemas, os empresários ouvidos pela reportagem avaliam que ainda existe espaço para expansão. “Eu acredito muito ainda no potencial da 44. Eu acredito que ainda tem muito que ser feito e agregar ainda nesse mercado da moda”, diz Juliete. Para Chrystiano, a tendência é que os empreendimentos continuem se modernizando. Jairo, que acompanha a região desde o início, também acredita que a transformação está longe de terminar.

Agora, o desafio, segundo eles, é fazer com que a estrutura acompanhe a dimensão que a região alcançou. Para Danilo Orsida, o caminho passa justamente por equilibrar crescimento econômico e planejamento urbano.

A Região da 44 já deixou de ser apenas um ponto de venda de roupas. A cadeia que se formou ao redor dela envolve produção, comércio, turismo, logística, serviços, emprego e renda. Há 31 anos, a história começou com a transferência de uma feira. Hoje, milhares de empresas, compradores, trabalhadores e produtores fazem parte de uma engrenagem milionária.

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por Adriana Marinelli

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A Redação Goiânia – Um incêndio atingiu um apartamento no 20º andar de um edifício residencial no Setor Marista, em Goiânia, na tarde de segunda-feira (28/9). O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) foi acionado para atender a ocorrência e retirou moradores que estavam em situação de risco devido à fumaça. A primeira […]

Saúde
29.09.2026
Iniciada em Goiás a distribuição da vacina Pneumo 20 para idosos com 85 anos ou mais

A Redação Goiânia – Goiás recebeu, nesta semana, 31.690 doses da vacina pneumocócica 20-valente conjugada (Pneumo 20) para idosos com 85 anos ou mais e já iniciou a distribuição dos imunizantes para as 18 Regionais de Saúde. O quantitativo corresponde a 50% das doses previstas para o Estado. Disponibilizada pelo Ministério da Saúde, a vacina amplia […]