Samuel Straioto
Goiânia – Cinco das nove eleições para governador realizadas em Goiás desde 1990 terminaram em segundo turno, enquanto outras quatro foram decididas já na primeira votação. A primeira eleição geral sob a regra da maioria absoluta ocorreu em 1990, mas os eleitores goianos só precisaram voltar às urnas para escolher o governador em 1994. Em 2026, seis candidatos disputam o Palácio das Esmeraldas sob a mesma regra, que pode encerrar a eleição em 4 de outubro ou levar os dois mais votados a uma nova votação no dia 25 do mesmo mês.
O mecanismo foi estabelecido pela Constituição Federal de 1988, que passou a exigir maioria absoluta dos votos válidos para a eleição de governador e vice-governador. A regra não foi aplicada às eleições estaduais de 1988, devido às disposições transitórias da própria Constituição. Por isso, 1990 marcou a primeira eleição geral para governador realizada sob a possibilidade de segundo turno.
O histórico chega à eleição de 2026 com seis candidatos ao governo de Goiás: Daniel Vilela (MDB), Danilo Pinheiro (PCO), Luciana Amorim (UP), Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL).
Daniel disputa a permanência no cargo que ocupa desde abril. Marconi retorna à disputa pelo Executivo estadual depois de ter vencido quatro eleições para governador. Wilder Morais chega ao pleito após ter sido eleito senador em 2022. Danilo Pinheiro, Luciana Amorim e Luis Cesar Bueno completam a relação de candidatos.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Se nenhum dos seis candidatos alcançar a maioria absoluta dos votos válidos, os dois mais votados avançarão para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Governo de Goiás — 2026
| Candidato | Partido |
|---|---|
| Daniel Vilela | MDB |
| Danilo Pinheiro | PCO |
| Luciana Amorim | UP |
| Luis Cesar Bueno | PT |
| Marconi Perillo | PSDB |
| Wilder Morais | PL |
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral.
A regra começou em 1990, mas Goiás não precisou do 2º turno
A Constituição de 1988 determinou, no artigo 28, que governador e vice-governador seriam eleitos por maioria absoluta dos votos válidos, seguindo a sistemática prevista no artigo 77 para a eleição presidencial. Se nenhum candidato atingisse esse percentual, os dois mais votados disputariam uma segunda votação.
As eleições de 1988 ficaram fora dessa sistemática por determinação do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Em 1989, houve segundo turno para presidente da República, mas não uma eleição geral para governadores. Assim, 1990 foi o primeiro pleito estadual geral realizado sob a nova regra.
Em Goiás, a mudança constitucional não produziu uma segunda votação naquele ano. Iris Rezende (PMDB) venceu com 56,39% dos votos válidos, tendo Maguito Vilela como vice na chapa.
O resultado estabeleceu também uma conexão que atravessaria a história eleitoral do Estado: Maguito, então vice-governador, deixaria o cargo antes do fim do mandato para disputar o governo em 1994 e se tornaria o primeiro governador goiano eleito em segundo turno.
Eleições 1990
| Candidato | % votos válidos |
| Iris Rezende (PMDB) | 56,39% |
| Paulo Roberto Cunha (PDC) | 34,03% |
1994: Primeiro 2º turno
A primeira experiência goiana com uma segunda votação ocorreu quatro anos depois. Maguito Vilela havia sido eleito vice-governador na chapa de Iris Rezende em 1990, mas deixou o cargo para concorrer ao governo.
Na primeira votação de 1994, Maguito terminou na liderança, com 42,54% dos votos válidos. Lúcia Vânia (PP) ficou em segundo, com 25,52%, e Ronaldo Caiado (PFL), em terceiro, com 23,18%. Como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta, os dois primeiros avançaram. Os dados oficiais do TSE registram 1.573.296 votos válidos no Estado naquele primeiro turno.
A segunda votação ocorreu em 15 de novembro de 1994. Maguito venceu com 56,42%, contra 43,58% de Lúcia Vânia, tornando-se o primeiro governador goiano eleito em segundo turno e o primeiro a romper a marca de 1 milhão de votos no Estado.
O resultado também marcou uma mudança na trajetória política de Maguito. Ele assumiu o governo em janeiro de 1995 e permaneceu no cargo até maio de 1998. A relação oficial de governantes de Goiás registra o período entre 1º de janeiro de 1995 e 4 de maio de 1998.
1994 — a primeira disputa em dois turnos
1º turno
Maguito Vilela — 42,54%
Lúcia Vânia — 25,52%
Ronaldo Caiado — 23,18%
2º turno
| Candidato | % votos válidos |
| Maguito Vilela (PMDB) | 56,42% |
| Lúcia Vânia (PP) | 43,58% |
1998: A histórica eleição mudou o mapa político
Em 1998, Goiás voltou a precisar de uma segunda votação. A disputa colocou frente a frente Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB). O resultado foi uma eleição histórica que marcou a política goiana.
Marconi, então com 35 anos, buscava o governo estadual pela primeira vez. Iris já tinha uma longa trajetória política e havia governado Goiás em diferentes períodos.
No segundo turno, Marconi recebeu 53,28% dos votos, contra 46,71% de Iris. A vitória colocou o tucano no comando do Estado e abriu um ciclo que teria novos capítulos nas eleições de 2002, 2010 e 2014.
O resultado também representou uma mudança na sucessão política estadual. Depois de quatro vitórias consecutivas do PMDB nas eleições para governador desde 1982, o partido perdeu o comando do Executivo para o PSDB.
Eleições 1998 —
| Candidato | % votos válidos |
| Marconi Perillo (PSDB) | 53,28% |
| Iris Rezende (PMDB) | 46,71% |
Resultado: 2º turno.
2002: Marconi evita nova votação
A eleição de 2002 interrompeu a sequência de dois pleitos decididos em segunda votação. Candidato à reeleição, Marconi Perillo conseguiu ultrapassar a maioria absoluta dos votos válidos já no primeiro turno.
O tucano recebeu 51,21%, enquanto Maguito Vilela ficou em segundo, com 32,79%.
Foi a primeira reeleição de um governador de Goiás pelo voto direto dentro da nova sistemática eleitoral e a segunda eleição estadual, depois de 1990, resolvida em uma única votação.
Eleições 2002 — vitória no 1º turno
| Candidato | % votos válidos |
| Marconi Perillo (PSDB) | 51,21% |
| Maguito Vilela (PMDB) | 32,79% |
Resultado: primeiro turno.
2006: o 2º turno volta à disputa
Quatro anos depois, a eleição voltou a ser decidida em duas etapas.
Alcides Rodrigues (PP) havia assumido o governo em março de 2006, depois da renúncia de Marconi Perillo, que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. Na eleição daquele ano, Alcides buscou permanecer no comando do Estado e enfrentou Maguito Vilela no segundo turno.
Na votação definitiva, Alcides recebeu 57,14% dos votos válidos, contra 42,86% de Maguito.
A eleição inaugurou uma sequência de três pleitos consecutivos decididos em segundo turno.
Eleições 2006 —
| Candidato | % votos válidos |
| Alcides Rodrigues (PP) | 57,14% |
| Maguito Vilela (PMDB) | 42,86% |
Resultado: 2º turno.
2010: Marconi retorna ao Palácio das Esmeraldas
A eleição seguinte repetiu um confronto conhecido do eleitorado goiano. Marconi Perillo e Iris Rezende voltaram a disputar o governo, 12 anos depois de terem se enfrentado pela primeira vez em um segundo turno.
Nenhum dos dois conseguiu maioria absoluta na primeira votação. Na segunda etapa, Marconi venceu com 52,99% dos votos válidos, contra 47,01% de Iris.
A vitória marcou o retorno de Marconi ao governo estadual após um período no Senado.
Eleições 2010
| Candidato | % votos válidos |
| Marconi Perillo (PSDB) | 52,99% |
| Iris Rezende (PMDB) | 47,01% |
Resultado: 2º turno.
2014: terceiro 2º turno consecutivo
Marconi e Iris voltaram a se enfrentar em 2014. No primeiro turno, Marconi teve 45,86% dos votos válidos, enquanto Iris ficou com 28,40%. Como nenhum atingiu a maioria absoluta, os dois avançaram para a segunda votação.
No segundo turno, Marconi foi reeleito com 57,44%, contra 42,56% de Iris.
A eleição fechou um período inédito na série histórica: Goiás teve três eleições consecutivas decididas em segundo turno, em 2006, 2010 e 2014.
Eleições 2014
1º turno
Marconi Perillo — 45,86%
Iris Rezende — 28,40%
2º turno
| Candidato | % votos válidos |
| Marconi Perillo (PSDB) | 57,44% |
| Iris Rezende (PMDB) | 42,56% |
O TSE confirmou a reeleição de Marconi na segunda votação.
2018: Caiado quebra sequência de três segundos turnos
A eleição de 2018 mudou novamente o padrão. Ronaldo Caiado (DEM) venceu já no primeiro turno, com 59,73% dos votos válidos.
O resultado encerrou a sequência de três eleições consecutivas em que Goiás havia precisado de uma segunda votação.
Daniel Vilela, filho de Maguito Vilela, terminou a disputa em segundo lugar. A presença do então candidato do MDB também criou uma conexão entre dois momentos da história eleitoral do Estado: seu pai havia protagonizado, em 1994, a primeira vitória em segundo turno para governador de Goiás.
Eleições 2018
| Candidato | % votos válidos |
| Ronaldo Caiado (DEM) | 59,73% |
| Daniel Vilela (MDB) | 16,14% |
Resultado: primeiro turno.
2022: Caiado repete vitória em uma votação
Quatro anos depois, Ronaldo Caiado, a época filiado ao União Brasil, voltou a vencer no primeiro turno. O TRE-GO registra que o governador foi reeleito com 51,68% dos votos válidos.
O resultado manteve a série iniciada em 2018: duas eleições consecutivas sem necessidade de segundo turno.
Na chapa vencedora estava Daniel Vilela, eleito vice-governador. Em 2026, a relação entre os dois ciclos políticos ganhou outro capítulo: Caiado deixou o governo em 31 de março para disputar outro cargo, e Daniel assumiu o Palácio das Esmeraldas em 1º de abril. A relação oficial de governantes do Estado confirma as duas datas.
Eleições 2022
| Candidato | % votos válidos |
| Ronaldo Caiado (União Brasil) | 51,68% |
| Demais candidatos | 48,32% |
Resultado: primeiro turno.
Nove eleições, cinco segundos turnos
| Ano | Resultado | Eleito |
|---|---|---|
| 1990 | 1º turno | Iris Rezende (PMDB) |
| 1994 | 2º turno | Maguito Vilela (PMDB) |
| 1998 | 2º turno | Marconi Perillo (PSDB) |
| 2002 | 1º turno | Marconi Perillo (PSDB) |
| 2006 | 2º turno | Alcides Rodrigues (PP) |
| 2010 | 2º turno | Marconi Perillo (PSDB) |
| 2014 | 2º turno | Marconi Perillo (PSDB) |
| 2018 | 1º turno | Ronaldo Caiado (DEM) |
| 2022 | 1º turno | Ronaldo Caiado (União Brasil) |
4 eleições foram definidas no primeiro turno e 5 precisaram de uma segunda votação.
