Samuel Straioto
Goiânia – Os seis candidatos ao governo de Goiás nas eleições de 2026 apresentam propostas diferentes para o desenvolvimento econômico do Estado. Os planos incluem desde a atração de investimentos e a modernização de incentivos fiscais até medidas como o fortalecimento de pequenos negócios, a criação de zonas econômicas regionais e a nacionalização de setores estratégicos da economia.
Levantamento feito pela reportagem do jornal A Redação, a partir da análise dos planos de governo apresentados pelos candidatos Daniel Vilela (MDB), Danilo Pinheiro (PCO), Luciana Amorim (UP), Luís César Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL), mostra que a economia é tratada de formas bastante distintas, com diferenças que vão da defesa do livre mercado e da atração de investimentos privados até propostas de intervenção direta do Estado sobre setores produtivos.
Os documentos também variam quanto ao grau de detalhamento. Alguns candidatos apresentam programas segmentados por setor, com metas e indicadores específicos, enquanto outros tratam o desenvolvimento econômico de forma mais geral, associada a diretrizes ideológicas mais amplas.
Daniel Vilela (MDB)
O plano de governo de Daniel Vilela reúne a economia no eixo “Desenvolvimento Econômico e Competitividade”, que cita como resultados da atual gestão o aumento da renda do trabalho, a redução da informalidade e da taxa de desocupação, além da modernização da política de incentivo fiscal Pró Goiás e da desburocratização na abertura de empresas.
Entre as propostas está o fortalecimento da agropecuária, com ampliação do acesso a crédito, assistência técnica e inovação, além da manutenção do status sanitário de área livre de febre aftosa sem vacinação. Na mineração, o documento propõe estruturar uma Política Estadual de Fomento à Mineração, ancorada no Plano Estadual de Recursos Minerais 2050, com foco em atrair investimentos de processamento de minerais críticos e terras raras para que a industrialização ocorra dentro do Estado, e não apenas a extração.
O plano também propõe um programa de fortalecimento dos destinos turísticos municipais e um programa permanente de apoio à modernização das administrações tributárias municipais, para preparar as prefeituras para a transição da Reforma Tributária. O documento defende ainda a diversificação de mercados e parceiros comerciais, aproveitando o Acordo Mercosul-União Europeia, e a redução da dependência externa de insumos estratégicos, como fertilizantes.
Danilo Pinheiro (PCO)
O programa do Partido da Causa Operária trata a economia a partir da defesa da intervenção direta do Estado sobre setores estratégicos. Entre as propostas estão a reposição integral das perdas salariais, com aumento emergencial de 50% de todos os salários, a fixação de um salário mínimo que não poderia ser inferior a R$ 7.500 e a redução da jornada de trabalho para o máximo de 7 horas diárias e 35 horas semanais, sem redução de salário.
O documento também defende a proibição de demissões, com ocupação e controle dos trabalhadores sobre empresas que demitam ou ameacem fechar, e a nacionalização, sem indenização, de reservas minerais, refinarias e outras empresas entregues ao capital estrangeiro. Na agricultura, o partido propõe o assentamento imediato de sem-terra acampados e a ocupação de latifúndios para garantir terra a quem nela trabalhe. Assim como em outras áreas do programa, essas propostas têm caráter de plataforma nacional, sem detalhamento específico de metas para a economia de Goiás.
Luciana Amorim (UP)
O plano de Luciana Amorim, da Unidade Popular, propõe a criação de frentes emergenciais de trabalho nos bairros pobres e no interior do Estado, com obras de infraestrutura em saneamento, além de um auxílio emergencial de caráter permanente até que haja oferta plena de emprego para a população goiana. O documento também defende a criação de um salário mínimo goiano, com valor 100% superior à média nacional.
Entre as propostas está a reestatização da Celg, distribuidora de energia, e a interrupção da privatização da Saneago. O plano também defende o estímulo a redes de economia local e solidária, com apoio a feiras agroecológicas e pequenos produtores, e a implementação, de forma emergencial, do passe livre para pessoas em situação de desemprego. Na área rural, o documento propõe universalizar a assistência técnica e a extensão rural na perspectiva agroecológica e avançar na reforma agrária, com a regularização de terras do Cerrado goiano e sua destinação a cooperativas de pequenos produtores e trabalhadores sem-terra.
Luís César Bueno (PT)
O plano de Luís César Bueno organiza toda a estratégia econômica em torno de oito zonas econômicas regionais, cada uma com uma vocação produtiva definida, como tecnologia e turismo de eventos na Região Metropolitana de Goiânia, fármacos e logística no eixo Central-Anápolis e agroindústria e mineração no Sudeste Goiano. O modelo segue o princípio de que a infraestrutura deve anteceder a demanda, com áreas de energia, água, acesso e licenciamento mapeadas antes da chegada de novos investimentos.
Entre os programas transversais está o Fornecedor Goiano, que prevê mapear as compras de grandes empresas e obras públicas e preparar micro e pequenas empresas (MPEs) para atendê-las, com metas de desenvolvimento de fornecedores locais atreladas aos incentivos fiscais concedidos. O plano também propõe o Pequeno Negócio Rápido, com balcão digital de licenciamento, crédito, garantias e acesso a mercados públicos e privados, e uma Rede de Formação para o Desenvolvimento, que organiza a qualificação profissional a partir da demanda informada por empresas e cadeias produtivas. O documento cita indicadores de partida, como 652,73 mil microempreendedores registrados no Estado, e uma meta programática de integrar 10 mil micro e pequenas empresas, cooperativas e produtores às cadeias produtivas.
Marconi Perillo (PSDB)
O plano de Marconi Perillo dedica um capítulo ao “Desenvolvimento Econômico e Trabalho”, parte do eixo “Prosperidade” do documento. As propostas incluem simplificar e digitalizar os procedimentos para investir e empreender em Goiás, fortalecer a política estadual de atração de investimentos e apoiar a expansão de empresas já instaladas, com atenção a setores como data centers, biotecnologia, energia limpa e inteligência artificial.
O documento também propõe ampliar a industrialização e a agregação de valor à produção goiana, preparando áreas e distritos estratégicos para receber novos empreendimentos. Para micro e pequenas empresas, a proposta central é retomar e modernizar o Banco do Povo como instrumento de acesso ao crédito. O plano defende ainda aproximar a qualificação profissional das vagas efetivamente demandadas pelas empresas e desenvolver uma estratégia para o aproveitamento sustentável do potencial mineral de Goiás, com atenção especial aos minerais estratégicos e às terras raras.
Wilder Morais (PL)
O plano de Wilder Morais organiza a economia em três programas: “Trabalho que Melhora a Renda”, “Goiás Mais Simples” e “Agro, Indústria, Serviços e Inovação com Valor em Goiás”. No primeiro, a proposta central é planejar a qualificação profissional a partir de um mapa regional de vagas, salários e profissões em falta, com contratação de cursos vinculada a metas de conclusão e inserção no mercado de trabalho. O documento também propõe o Primeiro Salário, no qual o Estado assumiria meio salário mínimo nos primeiros seis meses de contratação de jovens sem experiência.
Em “Goiás Mais Simples”, o plano prevê integrar cadastros e licenças estaduais em uma porta única, com exigência proporcional ao nível de risco da atividade e prazo público para cada autorização. O programa também reúne o Empreende Goiás, com crédito, garantia e orientação financeira para microempreendedores e pequenas empresas. Já no programa voltado a agro, indústria e inovação, o documento propõe atrair empresas de processamento de alimentos e avançar, nos minerais críticos e nas terras raras, da extração para etapas de separação, refino e industrialização, condicionando o apoio estadual a metas de qualificação, contratação local e rastreabilidade.
Resumo das propostas para Economia
| Candidato | Partido | Principais propostas |
|---|---|---|
| Daniel Vilela | MDB | Modernização do Pró Goiás, fomento à mineração de minerais críticos e terras raras e apoio à transição tributária dos municípios. |
| Danilo Pinheiro | PCO | Reposição salarial, redução da jornada de trabalho, nacionalização de reservas minerais e refinarias, sem detalhamento específico para Goiás. |
| Luciana Amorim | UP | Salário mínimo goiano, reestatização da Celg e da Saneago e reforma agrária com destinação de terras a cooperativas. |
| Luís César Bueno | PT | Oito zonas econômicas regionais, programa Fornecedor Goiano e Pequeno Negócio Rápido para micro e pequenas empresas. |
| Marconi Perillo | PSDB | Retomada do Banco do Povo, atração de investimentos e industrialização com agregação de valor à produção goiana. |
| Wilder Morais | PL | Mapa regional de vagas, Empreende Goiás para crédito a pequenos negócios e avanço na industrialização de terras raras. |
Fonte: levantamento da reportagem de A Redação, com base nos planos de governo dos candidatos ao governo de Goiás para as eleições de 2026.
