José Abrão
Goiânia – O articulador político-cultural, comunicador e produtor Vitor Cadillac destacou, em sua fala durante a 1ª Arte Pensante – Roda de Conversa sobre Políticas para o Setor Artístico, a importância das parcerias e do companheirismo na área artística em Goiás. “Se a classe cultural avançou o que conseguiu avançar na exigência das políticas públicas, na construção de redes e de coletivos, isso se deve sobretudo às relações que temos uns com os outros para além dos nossos trabalhos”, pontuou. O evento foi promovido pelo jornal A Redação e ocorreu na Galeria Aberta – Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, em Goiânia, no dia 17 de setembro.
“Onde deixamos de lado os nossos desejos e a nossa capacidade de imaginação política?”, questionou. “Eu sou filho de uma década ganhada: de 2003 a 2013, as políticas públicas, não só de cultura, foram criadas e implementadas. A minha geração viveu uma época em que a sociedade estava com os poros muito abertos. A gente tinha uma sensação de que havia uma grande possibilidade de inventar, de imaginar, de propor novos modelos de sociedade”, lembrou, mas que viu esse desejo cair por terra.
“Não vejo os jovens de hoje dizendo o que os da minha geração diziam: vamos criar um coletivo, formar uma rede”, pontuou. “Vivemos uma era muito atomizada e isso é muito ruim para o setor da cultura. As pessoas hoje pensam nos entregáveis: como eu aprovo meu edital, como eu presto contas e como eu entrego meu projeto. Acho que, em alguma medida, isso domesticou [os artistas]”, criticou.
Essa fragmentação, ao seu ver, é um sintoma a ser superado no momento, voltando a pensar na criação artística como algo construído coletivamente.
