Samuel Straioto
Goiânia – Os seis candidatos ao governo de Goiás — Daniel Vilela (MDB), Danilo Pinheiro (PCO), Luciana Amorim (UP), Luís César Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) —, apresentaram propostas distintas para a Saúde, a principal preocupação do eleitorado em pesquisas recentes sobre a disputa de outubro. Reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias é a promessa que atravessa os planos de governo dos governadoriáveis.
As soluções apresentadas, porém, divergem bastante: de contratos emergenciais com hospitais privados a uma reorganização completa da gestão pública da saúde no estado. Enquanto parte das candidaturas defende ampliar parcerias com hospitais privados e Organizações Sociais para reduzir filas, outra parte propõe o caminho oposto: reestatizar a gestão das unidades públicas.
A gestão por OSs é a maior divergência entre os candidatos ao governo. Para alguns deles, a gestão por meio das Organizações Sociais é um modelo que deve ser defendido, mantido e ampliado, enquanto outros governadoriáveis propõem reduzir ou extinguir por completo.
Um dos pontos de maior convergência entre as candidaturas é a regionalização da saúde, citada de alguma forma em praticamente todos os planos, com o objetivo de evitar que pacientes do interior precisem se deslocar até Goiânia para tratamentos que poderiam ser oferecidos mais perto de casa.
A seguir, o que cada candidatura apresenta para a área.
Daniel Vilela (MDB)

O candidato à reeleição estrutura sua proposta em torno da continuidade e da ampliação da infraestrutura hospitalar já existente. O carro-chefe do plano é a construção do novo Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), com 500 leitos, 20 salas cirúrgicas e suporte para cirurgias robóticas, orçado em R$ 500 milhões. A estrutura atual do Hugo seria transformada em um centro especializado em saúde da mulher e maternidade de alto risco.
O plano também prevê a consolidação da regionalização, com fortalecimento de hospitais estaduais e policlínicas no interior, além da expansão da Rede Estadual de Combate ao Câncer, com novas unidades voltadas ao tratamento oncológico descentralizado. Na frente digital, propõe ampliar o uso de telessaúde e criar a plataforma “Goiás na Palma da Mão”, para agendamento e triagem via WhatsApp. O documento ainda cita o fortalecimento das redes estaduais de atenção psicossocial, doação e transplantes.
Danilo Pinheiro (PCO)
Assim como no plano apresentado para a Educação, o documento de saúde de Danilo Pinheiro segue a linha do programa nacional do Partido da Causa Operária, com foco em reivindicações políticas mais amplas do que propostas específicas para Goiás. A proposta central é a rejeição a qualquer forma de privatização, terceirização ou cobrança na rede de saúde, com defesa de atendimento 100% público e gratuito.
O plano também prevê a volta do programa Mais Médicos, validação imediata de diplomas de profissionais brasileiros e estrangeiros, abertura imediata de centenas de vagas em cursos de medicina sem vestibular e piso salarial de R$ 8 mil para os profissionais da saúde. Outra proposta é a defesa de gestão por comitês operários — conselhos formados por trabalhadores da saúde e usuários assumindo decisões administrativas dos hospitais, no lugar de cargos de direção política.
Luciana Amorim (UP)

A candidata da Unidade Popular defende a estatização integral da rede hospitalar estadual, com fim imediato das parcerias com Organizações Sociais e transferência total da gestão ao funcionalismo público. O plano prioriza atendimento a populações consideradas mais vulneráveis, com ampliação de clínicas voltadas a mulheres, periferias urbanas, população negra, indígena e pessoas com deficiência.
Entre as propostas específicas estão a construção de Centros Regionais de Saúde de Especialização Médica, a interiorização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), a implementação de uma rede de centros de saúde da família em todo o estado e a distribuição de absorventes em unidades básicas de saúde, escolas e unidades prisionais. A candidata também promete concursos públicos unificados, com carreira única do SUS, para suprir a falta de especialistas no interior.
Luís César Bueno (PT)

O petista defende o fim gradual das Organizações Sociais na gestão dos hospitais públicos estaduais, com transição planejada que devolveria ao Estado o controle direto das unidades, começando pelos prontos-socorros e serviços de urgência em Goiânia. O plano prevê concurso público amplo e regular para substituir a mão de obra terceirizada, com fim da pejotização entre os profissionais de saúde.
Entre as demais propostas estão a universalização da estratégia de saúde da família, a retomada de obras hospitalares paralisadas, um plano estadual de redução das filas de regulação com transparência ao paciente e a expansão da rede de atenção psicossocial. O plano ainda vincula o financiamento da saúde às oito zonas econômicas regionais propostas pela candidatura, buscando sustentabilidade financeira local para o setor.
Marconi Perillo (PSDB)

O tucano centra sua proposta na eliminação das filas de espera para consultas, exames e cirurgias, com uma reorganização ampla da regulação estadual e regional. Um dos pontos mais concretos do plano é a construção de um hospital de urgências no Entorno Sul, em Novo Gama, para atender cerca de 600 mil pessoas da região, além da garantia de operação do hospital de Águas Lindas e da ampliação de leitos e especialidades no Hospital Estadual de Urgências de Aparecida de Goiânia (Heapa).
Para zerar filas já nos primeiros meses de gestão, o plano prevê contratos emergenciais com a rede privada para realização de consultas e cirurgias represadas, além de uma revisão da gestão do Ipasgo, plano de saúde dos servidores estaduais. O documento também propõe ampliar o uso de telessaúde, teleconsultas e telelaudos, e fala em valorizar e qualificar os profissionais da rede.
Wilder Morais (PL)

O senador propõe a criação do “SUS Goiano”, um sistema que uniria rede pública, hospitais privados, Santas Casas e instituições filantrópicas com o objetivo de zerar o déficit de cirurgias e consultas no estado. Um dos pilares do plano é a transparência tecnológica: o paciente poderia acompanhar pelo celular o andamento do seu atendimento e sua posição na fila, dentro da chamada regra “Data na Guia”, que garante prazo de referência e alternativa assistencial em caso de atraso.
O plano também prevê a criação de uma tabela estadual complementar aos valores pagos pelo SUS federal, como forma de estimular hospitais privados e filantrópicos a aceitarem mais procedimentos pela rede pública, além de uma política regional de fixação e formação de médicos e enfermeiros em especialidades escassas no interior. Outra proposta é o programa “Remédio em Casa”, com entrega domiciliar de medicamentos de uso contínuo para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. O documento ainda prevê caminhos assistenciais organizados, com prazos entre etapas, para câncer, saúde da mulher, gestação, autismo, saúde mental, reabilitação e doenças raras.
Resumo das propostas
| Candidato | Partido | Principais propostas |
|---|---|---|
| Daniel Vilela | MDB | Novo Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), com 500 leitos e 20 salas cirúrgicas, incluindo suporte a cirurgias robóticas; conversão do prédio atual do Hugo em Hospital da Mulher; plataforma digital “Goiás na Palma da Mão” para agendamento via WhatsApp; expansão de Policlínicas e da Rede de Combate ao Câncer no interior; fortalecimento da regionalização e da atenção primária |
| Danilo Pinheiro | PCO | Saúde 100% pública, gratuita, sem cobrança ou privatização; gestão dos hospitais e postos por comitês de trabalhadores da saúde e da comunidade, sem cargos políticos diretores |
| Luciana Amorim | UP | Fim imediato das parcerias privadas e das OSs, com estatização total da rede hospitalar; ampliação de clínicas voltadas a mulheres, periferias, população negra, indígena e pessoas com deficiência; concursos públicos unificados para suprir a falta de especialistas; distribuição de absorventes em unidades de saúde, escolas e presídios |
| Luis Cesar Bueno | PT | Fim gradual das Organizações Sociais (OSs), com retomada da gestão direta do Estado sobre hospitais, começando pelas urgências de Goiânia; concursos públicos para substituir terceirização; vinculação do financiamento da saúde às oito zonas econômicas regionais propostas; universalização da estratégia de saúde da família |
| Marconi Perillo | PSDB | Hospital Regional no Entorno Sul (Novo Gama), para atender cerca de 600 mil pessoas; ampliação do Hospital Estadual de Urgências de Aparecida de Goiânia (Heapa); compra emergencial de cirurgias eletivas na rede privada para zerar filas no início do mandato; modernização/descentralização do sistema de regulação; revisão da gestão do Ipasgo |
| Wilder Morais | PL | Criação do “SUS Goiano”, unindo rede pública, hospitais privados, Santas Casas e filantrópicas; plataforma de fila única (“Minha Vez, Saúde com Data”) com previsão de atendimento pelo celular; tabela estadual complementar à do SUS para estimular a rede privada a aceitar mais procedimentos; programa “Remédio em Casa” para idosos e pessoas com mobilidade reduzida; política regional de fixação de profissionais no interior |
*Nomes dos candidatos estão em ordem alfabética
