A Redação
Goiânia – Aldo Rebelo será o coordenador político da campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD). O anúncio foi feito nesta quinta-feira (30/7), depois que o ex-ministro aceitou o convite feito durante reunião realizada em São Paulo, com a presença do ex-governador de Goiás, do presidente nacional do PSD e candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab, e do coordenador político da legenda, Heráclito Fortes.
Segundo a sigla, a chegada de Aldo busca fortalecer a interlocução política e ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade. A chegada do ex-ministro ao time do PSDB, representa um reforço na condução política da candidatura de Caiado, visto que a expectativa é de que ele atue na interlocução com partidos, lideranças regionais e representantes de diversos segmentos, contribuindo para a consolidação do projeto eleitoral encabeçado pelo goiano.
A definição da coordenação política ocorre poucos dias após a oficialização da chapa formada por Caiado e Kassab. O PSD frisa que trabalha para ampliar sua base de apoio e estruturar a campanha nos estados, reunindo lideranças políticas e técnicos para elaborar propostas e coordenar a estratégia eleitoral ao longo dos próximos meses.
Aproximação
Aldo participou da convenção nacional do PSD que oficializou a chapa de Caiado à Presidência. Na ocasião, o ex-ministro defendeu um projeto nacional voltado ao desenvolvimento, à soberania e ao fortalecimento da capacidade de planejamento do País.
Até chegar a este ponto, porém, ele enfrentou um ano conturbado com reviravoltas e guinadas na carreira política. A primeira delas ocorreu ainda nos últimos dias de 2025. Aldo Rebelo anunciou sua pré-candidatura à Presidência pelo Democracia Cristã (DC) tendo como plataforma o antipetismo.
Trajetória
Antes de anunciar a pré-candidatura, Aldo Rebelo passou por diferentes governos e partidos. Ele foi ministro da Coordenação Política no primeiro mandato de Lula e presidiu a Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007. No governo Dilma Rousseff, comandou os ministérios do Esporte, da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Defesa.
Filiado ao PCdoB por 40 anos, Rebelo deixou o partido em 2017 e passou, na sequência, por PSB, Solidariedade, PDT e MDB. Nesse período, se afastou da esquerda e se aproximou do bolsonarismo.
Rompido com Lula, o ex-ministro critica o atual governo e afirmou, no anúncio da candidatura, que o petista está “refém do STF e sequestrado pela sua própria fraqueza”.
A candidatura ao Palácio do Planalto, porém, não vingou e gerou uma crise no DC. A briga começou em 16 de maio, quando o partido filiou Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e o apresentou como pré-candidato à Presidência no lugar de Aldo Rebelo. O presidente da sigla, João Caldas, afirmou na época que a troca “foi feita pelo povo”, já que Rebelo não pontuava nas pesquisas.
A decisão não agradou Aldo Rebelo, que reagiu mantendo a pré-candidatura. Além disso, chamou Barbosa de “nome clandestino”. Segundo ele, a troca teria relação com o temor de Caldas de que o caso do Banco Master atingisse a família do cacique em Alagoas.
Em 22 de maio, a direção nacional do DC decidiu, por unanimidade, expulsar Rebelo da legenda. Caldas classificou a conduta e declarações do ex-ministro como algo que “passou de todos os limites”. Rebelo contestou a expulsão, alegou não ter sido notificado oficialmente e seguiu se apresentando como pré-candidato.
O imbróglio, então, chegou à Justiça. Após a comunicação da direção do DC à Justiça Eleitoral, o juiz Tiago Machado, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, oficializou o cancelamento da filiação de Rebelo, com data retroativa a 22 de maio. O ex-ministro recorreu, argumentando haver “irregularidades” no processo.
Em 9 de junho, porém, a Justiça do Distrito Federal reverteu o quadro: a juíza Gabriela Jardon Guimarães de Faria, da 6ª Vara Cível de Brasília, determinou a suspensão imediata da expulsão e deu ao DC prazo de 72 horas para reintegrar Rebelo ao partido, sob multa de R$ 50 mil. A magistrada entendeu que a legenda não comprovou ter aberto o devido processo disciplinar antes de expulsá-lo.
Ao Estadão, Aldo Rebelo afirmou na época que as tratativas do DC para retirar ou impedir sua candidatura “estão eivadas de ilegalidades e irregularidades e serão derrubadas na Justiça”. Até então, ele seguia se apresentando como pré-candidato à Presidência da República.
Joaquim Barbosa, por sua vez, desistiu da candidatura apesar de ter tirado o lugar de Aldo Rebelo. O DC agora tem uma nova pré-candidata à Presidência: a advogada Clariana Barão.
Houve, ainda, tratativas para retirar o nome da advogada e lançar Joaquim Barbosa como vice de Zema, mas as articulações fracassaram. (Com informações da Agência Estado)
