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Rodrigo Rainha (Foto: reprodução)

Será que o brasileiro só é brasileiro na Copa?

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16.06.2026 - 11:11:36

Todo brasileiro conhece alguém que reclama do país por quatro anos e, na Copa, aparece de amarelo, corneta e opinião tática afiada. É um fenômeno nacional: o sujeito não sabe o nome do ministro da Educação, mas sabe o problema de jogar com dois volantes. A pergunta é inevitável: será que só somos brasileiros na Copa?

A ideia de Brasil sempre foi complexa. Historicamente, a cidadania foi estreita, deixando à margem indígenas, negros e trabalhadores. Como mostrou José Murilo de Carvalho sobre os “bestializados” da República, o povo assistiu às grandes mudanças políticas sem necessariamente protagonizá-las.

A Copa, porém, não pede certidão de pertencimento; chega com churrasco, TV ligada e um grito simples: “Vai, Brasil!”. Ela traz uma forma imediata de pertencimento onde a injustiça se chama VAR e a esperança tem tabela. O problema é achar que isso basta. Ser brasileiro apenas de quatro em quatro anos é como visitar a própria casa só no Natal: emociona, mas não resolve o vazamento da cozinha.

O nacionalismo dá abrigo, mas, quando adoece, vira armadura e lógica de guerra. A grande questão não é se o brasileiro só torce na Copa, mas por que o Brasil real costuma selecionar melhor seus convidados. O Brasil da camisa é generoso; o real separa quem entra pela porta da frente ou pela cozinha.

Ser brasileiro na Copa é fácil. Difícil é ser brasileiro na fila do SUS, no ônibus lotado, no combate ao racismo e na defesa da democracia. A Copa prova que existe uma vontade de Brasil que sobrevive aos nossos fracassos. O desafio é transformar essa amostra em compromisso. Patriotismo bom não é o que aparece quando a bola entra, mas quando a vida aperta.

*Rodrigo Rainha é professor de História da Estácio.

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por Rodrigo Rainha

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