Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – A segunda turma do Curso de Jornalismo do então Instituto de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal de Goiás, que se chamava Curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, foi a que mais teve iniciativas, lutou e realizou pela instituição. De 20 candidatos aprovados no vestibular e ingressaram em 1969, 10 o concluíram em 1972 e conquistaram seu diploma, depois de muita luta para conseguir as condições indispensáveis para o funcionamento das atividades escolares. Dentre essas, a contratação de professores com titulação específica, organização da sala de redação e do laboratório de fotografias, aquisição de máquinas de datilografia e de fotografia, de livros, a dinâmica de estudos e avaliações e a participação nos principais eventos realizados pelo Brasil.
Seus integrantes criaram e colocaram em funcionamento o Centro de Estudos de Comunicação, no âmbito da UFG, que promoveu estudos e debates e realizou o principal evento da área no país no início daqueles agitados e tensos anos 1970: o I Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação, de 1º a 4 de novembro de 1972, em espaços do Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, no setor Universitário, em Goiânia. Essa reunião, com representantes de todas as faculdades da área do país, produziu o principal documento elaborado por professores e alunos, com as grandes reivindicações, entregues ao então Ministro da Educação, coronel Jarbas Passarinho, e ao Conselho Federal de Educação, em Brasília.

Dentre outras iniciativas, mesmo sem máquinas e orientação de professores, produziram um documentário sobre os XX Jogos Universitários Brasileiros, disputados em Goiânia em 1969; editaram a revista “Informática”, do Departamento de Comunicação Social do ICHL / UFG, sobre folclore, em 1970; elaboraram artigos para o livro “Aspectos da Cultura Goiana”, antologia organizada pelos professores Ático Vilas Boas da Mota e Modesto Gomes da Silva, em 1971; foram responsáveis pelo terceiro número do jornal-laboratório “O Foca”, também do Departamento, sobre o movimento cultural em Goiás, em 1972; e o “Documento de Goiânia”, reunindo toda a trajetória para chegar àquela grande reunião e as decisões do Encontrão, entregues ao Ministro da Educação, também em 1972.
No período, participaram do I Congresso Brasileiro de Informação Rural, em Brasília, DF, 4 a 8 de maio de 1970, promoção da Associação Brasileira de Informação Rural, Ministério da Agricultura e Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB); da VIII Conferência Nacional dos Jornalistas Profissionais, em Goiânia, GO, em junho de 1971, iniciativa da Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais (Fenaj) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás; I Seminário Nacional de Propaganda e Publicidade e I Festival Internacional do Filme Publicitário, em Brasília, de 4 a 8 de outubro de 1971, promovidos pela UnB e Escola Superior de Propaganda, de São Paulo; e IV Semana de Estudos de Jornalismo, em São Paulo, SP, em maio de 1972, do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (DJE-ECA/USP) e Fenaj, que ensejou a realização do I Encontro Nacional. Também, o próprio I Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação (Encontrão), em Goiânia, GO, no início de novembro de 1972, nas dependências do Colégio Universitário, organizado pelo Centro de Estudos de Comunicação.
Integrante dessa segunda turma (1969-1972), o jornalista Jales Naves, que participou de toda essa movimentação, esteve em reuniões em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, organizou e foi o primeiro presidente do CEC, e presidiu a primeira plenária do Encontrão. Ainda, participou da V Semana de Estudos de Jornalismo, em São Paulo, em maio de 1973, patrocinada pelo DJE-ECA/USP; e obteve, com o apoio da UFG, uma vaga no XIV Curso Internacional em Ciências da Informação Coletiva, em Quito, Equador, de 16 de julho a 14 de setembro desse ano, no Centro Internacional de Estudos Superiores de Periodismo para América Latina (CIESPAL), como único bolsista da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Ao final desse curso, adquiriu toda a documentação produzida pelo CIESPAL, como livros, estudos e pesquisas sobre comunicação e doou para a biblioteca do Departamento de Comunicação Social do ICHL/UFG, no dia em que proferiu palestra sobre “Comunicação e desenvolvimento na América Latina”, a convite do professor Francisco Eduardo Ponte Pierre, em 1º de novembro de 1973.
O Curso de Jornalismo da UFG só foi reconhecido pelo MEC em 1975, a partir de quando foram expedidos os diplomas aos formados.

Bela e saudosa matéria! Certamente foi a turma que mais contribuiu para o reconhecimento do curso e, em grande parte, graças ao seu empenho e sua dedicação, Jales