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(Foto: Reprodução)

‘PCC e CV terroristas’: Brasil pode ser invadido pelos EUA como aconteceu na Venezuela?

Confira análise de especialistas

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29.05.2026 - 21:59:18

São Paulo – A classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas pelo governo dos Estados Unidos, na quinta-feira (28/5), assim como ocorreu na Venezuela antes da captura do ex-ditador Nicolás Maduro, alimenta receios de uma eventual invasão americana no Brasil. Apesar de algumas semelhanças no discurso dos EUA, especialistas ouvidos pelo Estadão dizem não acreditar em uma invasão no País.

“A primeira realidade é que são contextos absolutamente diferentes. A Venezuela é um país de uma comodity só (o petróleo). O Brasil tem múltiplos interesses em seu relacionamento internacional, tem portifólio de exportação, importância estratégica e questões geopolíticas, já que não se pensa a segurança do Atlântico sem o Brasil. Tudo isso na balança coloca o País em situação completamente diferente da Venezuela”, avalia Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM.

Segundo ele, é preciso levar em conta que o Brasil é uma das dez maiores economias e que o mundo precisa do País. “O Brasil não pode ser tratado como um país de 30 milhões de habitantes de uma riqueza só”, diz. “Acho muito improvável uma situação militar aqui. Há profundo entendimento entre forças militares brasileiras e americanas. Não é só o histórico, é hoje. Não consigo imaginar uma situação dessa”, afirma.

Para Trevisan, a situação muda quando se fala em sanções econômicas. “Isso pode acontecer. E são muito danosas. Empresas podem vir a ter algum vínculo com facções, mesmo que indireto, e serem punidas. Isso sim é real”, aponta.

O professor de direito internacional da Unicamp, Luís Renato Vedovato, vai na mesma direção. “O que pode ocorrer são bloqueios de bens, atuação mais específica em relação a bancos brasileiros, algum tipo de proibição do Pix. Parece mais desculpa para atacar questões econômicas no Brasil que possam estar incomodando ou motivação ideológica para dar apoio a um candidato”, afirma.

Na avaliação dele, os crimes cometidos por facções como o PCC e o CV não são baseados em ideologia, mas em ganhar recursos financeiros. “Um combate efetivo ao CV e PCC, e a gente sabe que precisam ser combatidos, seria cooperação jurídica internacional para que pudesse seguir o dinheiro e saber quem está usando as estruturas legais para lavar dinheiro”, explica.

Vedovato diz acreditar ser possível que se crie uma narrativa favorável à uma invasão, embora, para ele, seria uma “surpresa muito grande” que de fato ocorresse. “(A classificação) pode levar a algum tipo de intervenção como uma ação pontual de colocar pessoas agindo em missões secretas. Daí a acontecer no Brasil o que houve na Venezuela eu acho difícil. Em tese, está no escopo (uma invasão). O governo Trump não é um governo que atua dentro da lei e dentro da lógica”, indica.

Diferenças menores

De acordo com Vito Villar, coordenador de política internacional da BMJ Consultoria, as grandes incursões militares recentes de Trump, como no Irã e na Venezuela, foram em países em que a invasão não era uma novidade. “Não é o caso do Brasil. Há diferenças ideológicas, mas não é nem de perto como esses outros países”, afirma. “Mesmo que Trump e Lula tenham diferenças, não me parece que sejam tão substantivas a ponto de ter uma invasão”, diz.

Ele explica ainda que existem outros fatores, a exemplo da maior aproximação cultural do Brasil com os EUA, e das elites dos países, para acreditar que as chances de uma invasão sejam “irrisórias” atualmente. “Essa proposta de incluir as facções na lista não é nova. Essa discussão acontece há uns cinco, seis meses, só faltava ser assinada e ter vontade política”, conta. “Não vejo que (uma invasão) seria algo que faça sentido”, analisa.

E se houver uma invasão?

No caso de uma escalada das tensões entre Brasil e EUA, o professor Leonardo Trevisan afirma que o País “tem para onde correr”. Ele cita, por exemplo, o fato de a Câmara Brasil China ter divulgado dados mostrando que o País era quem mais recebia investimentos chineses no mesmo dia e horário em que Lula era recebido por Trump na Casa Branca. Após a classificação das facções, o governo chinês defendeu a “não interferência” em assuntos internos de outros países.

“Como qualquer dono de padaria, quem tem um fornecedor não tem nenhum. O Brasil tem dois. De alguma forma, desconfio que aquelas seis mil empresas médias e grandes dos EUA que têm cadeias produtivas integradas (com o Brasil) também bateriam na porta do Salão Oval”, aponta Trevisan. (Agência Estado)

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por Agência Estado

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