As grandes cidades contemporâneas são resultado de uma combinação que vai muito além do crescimento econômico ou da expansão imobiliária. Organização urbana, segurança sanitária, equilíbrio nas relações econômicas e proteção ambiental dependem da existência de instituições públicas capazes de acompanhar as transformações da sociedade e garantir que o desenvolvimento aconteça de forma responsável.
Nesse cenário, a fiscalização municipal ocupa uma função que frequentemente passa despercebida pela população, embora esteja diretamente ligada à rotina de quem vive, trabalha e empreende na cidade. Ainda há quem associe o trabalho do auditor fiscal exclusivamente à aplicação de multas ou à adoção de medidas restritivas. Essa percepção, porém, ignora a dimensão social e econômica de uma atividade voltada justamente à proteção coletiva e ao funcionamento equilibrado da cidade.
O auditor não está contra o cidadão nem contra o empresário. Ao contrário, sua atuação beneficia exatamente aqueles que dependem de uma cidade organizada, segura e minimamente previsível para exercer suas atividades. O empreendedor que atua corretamente, o consumidor que busca segurança e as famílias que desejam serviços públicos eficientes possuem, todos eles, interesse direto em uma fiscalização séria e qualificada.
A presença da fiscalização municipal alcança situações que impactam diariamente a vida dos goianienses. Está na retirada de produtos impróprios para consumo, na prevenção de riscos sanitários, na atuação ambiental, no combate a práticas clandestinas e no acompanhamento de atividades que precisam obedecer parâmetros técnicos para funcionar adequadamente. São ações que ajudam a proteger a saúde pública, preservar o espaço urbano e garantir concorrência mais equilibrada entre empresas.
As cidades mais organizadas e prósperas do mundo compreenderam há muito tempo que desenvolvimento sustentável depende de planejamento, capacidade técnica e instituições fortes. Exemplos como Copenhague, Amsterdã e Singapura revelam que qualidade de vida não surge apenas de grandes investimentos, mas também da capacidade do poder público de estabelecer regras claras e proteger o interesse coletivo. Nesses lugares, a fiscalização não é encarada como obstáculo ao crescimento, mas como parte da própria construção de cidades modernas e seguras.
Também é importante compreender que fiscalização eficiente fortalece o ambiente econômico. Ambientes desorganizados, marcados pela ausência de controle e pela proliferação de irregularidades, acabam penalizando justamente quem trabalha de maneira correta. Quando o poder público atua com equilíbrio e responsabilidade, cria-se um cenário mais estável tanto para a população quanto para os setores produtivos.
A atividade fiscalizatória exige aprovação em concurso público rigoroso, preparo técnico, atualização constante e capacidade de compreender as novas dinâmicas urbanas. O auditor contemporâneo não exerce apenas uma função corretiva. É um trabalho que possui caráter preventivo, orientador e estratégico, contribuindo para evitar riscos e para tornar a cidade mais funcional.
O verdadeiro desenvolvimento urbano não se mede apenas pela verticalização das cidades ou pelos indicadores econômicos, mas pela capacidade de construir ambientes socialmente equilibrados. E poucas funções públicas contribuem tanto para esse equilíbrio silencioso e indispensável quanto a atuação responsável da fiscalização municipal.
*Horácio Mello é presidente do Sindicato dos Funcionários da Fiscalização Municipal de Goiânia
