O avanço silencioso do ceratocone tem preocupado especialistas da área da saúde ocular e colocado em evidência a importância do diagnóstico precoce. Durante o Junho Violeta, campanha dedicada à conscientização sobre a doença, oftalmologistas reforçam o alerta para os sinais iniciais do problema, que pode comprometer seriamente a qualidade da visão quando não tratado adequadamente.
O ceratocone é uma doença progressiva que afeta a córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal dos olhos, provocando afinamento e deformação do tecido. Com isso, a córnea passa a assumir um formato irregular, prejudicando a formação das imagens e causando distorções visuais.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que aproximadamente 150 mil brasileiros convivem com a doença. O problema costuma surgir principalmente na adolescência e no início da vida adulta, período em que muitos pacientes ainda não percebem as alterações visuais iniciais. Estudos apontam que o ceratocone pode atingir cerca de uma em cada duas mil pessoas no mundo, embora pesquisas mais recentes indiquem incidência ainda maior devido à ampliação dos métodos diagnósticos.
Entre os sintomas mais comuns estão visão embaçada, aumento frequente do grau dos óculos, sensibilidade excessiva à luz, dificuldade para enxergar à noite e distorção das imagens. Em muitos casos, os sinais surgem de forma lenta e progressiva, o que contribui para o atraso na procura por avaliação oftalmológica.
Outro fator que chama a atenção dos especialistas é o hábito de coçar os olhos, considerado um dos principais agravantes da doença. Pessoas com alergias oculares e rinite costumam apresentar maior risco de progressão do ceratocone devido ao atrito constante na região ocular.
O diagnóstico é realizado por meio de exames específicos capazes de avaliar a curvatura e a espessura da córnea. Quando identificado precocemente, o ceratocone pode ser controlado com tratamentos modernos, como lentes especiais e procedimentos que estabilizam a progressão da doença. Nos casos mais avançados, entretanto, pode haver necessidade de transplante de córnea.
A campanha Junho Violeta busca justamente ampliar o acesso à informação e conscientizar a população sobre a importância das consultas oftalmológicas periódicas.
Mais do que uma campanha de conscientização, o Junho Violeta representa um chamado para o cuidado preventivo com a visão, reforçando que o diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta no combate aos impactos do ceratocone.
Humberto Borges é médico oftalmologista
