Michelle Rabelo
Goiânia – Para o delegado Valdir Soares, atual responsável pelo 8º Distrito Policial de Goiânia, primeira unidade da Polícia Civil que deve receber o atendimento padrão Vapt Vupt, falta quadros na corporação para que se possa humanizar o atendimento. O projeto do governo estadual pretende adequar o atendimento nas delegacias, dando mais qualidade ao contato entre a população e os policiais.
Entre as mudanças, estão a criação de uma sala de espera para a população que busca a PC, um curso de capacitação e ainda treinamentos de caráter humanizado para os servidores. Valdir falou com a reportagem do jornal A Redação e disse que não adianta tanto esforço para um quadro de funcionários precário. Confira na íntegra:
A Redação – O projeto é para humanizar o atendimento nas delegacias. A Polícia Civil precisa rever a maneira como lida com a população?
Valdir Soares – Sim. Quem paga o nosso salário é a população e ela tem direito de receber o melhor atendimento. Muitos dos nossos policiais já tem idade para se aposentar, falta gente, falta equipamentos, falta tudo. Não adianta qualificar os policiais que temos, já que são poucos. É preciso lembrar que 90% dos casos que atendemos são emergenciais e para lidar com isso precisamos de muita gente.
Também estão previstas reformas. Qual a necessidade do 8º Distrito Policial de Goiânia?
Necessidade total. É inadimissível que trabalhemos com a infraestrutura existente nas delegacias do Estado. Aqui em Goiás não temos um padrão como já existe em São Paulo e no Rio de Janeiro. O 8ºDP é inadequado para atender a população. Dias atrás tive que pedir uma doação de dinheiro para um Juizado para comprar cadeiras.
E as celas?
Elas têm que ser demolidas. Eu sou totalmente contra a existência de celas nas delegacias. O suspeito tem que ficar algemado em uma barra de ferro somente enquanto o flagrante é registrado. Depois disso ele não pode ficar na delegacia de polícia.
Os policiais passarão por treinamento relativo a atendimento ao público. Qual o foco principal?
O que precisa ser feito são concursos públicos para trazer mais gente para as delegacias. Além disso, eu defendo a criação de cargos iniciais para pessoas que tenham o 2º grau completo. Eles prestariam serviços mais básicos e assim, poderíamos aproveitar melhor os agentes e escrivães que são técnicos especializados. O foco é este: trazer mais gente antes de qualificar. Hoje, agentes e escrivães têm dificuldade de trabalhar.
Quais os principais problemas neste aspecto?
Falta motivação e qualificação para os dois cargos.
A equipe será reorganizada, havendo por exemplo a contratação de profissionais que dêem assistência social e psicológica às vítimas?
Eu ainda não sei, mas toda delegacia precisa de uma assistente social. Temos problemas aqui que são muito mais sociais que policiais. Hoje, existe uma necessidade real da instalação de um braço da Defensoria Pública dentro de cada delegacia.
Quais as expectativas?
Torço para que a estrutrura projetada se concretize. Quem ganha é o cidadão.