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Virmondes Cruvinel (Foto: reprodução)

Alcançamos “IDH muito alto”, mas poderia ser melhor

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27.05.2026 - 09:22:05

O Brasil tem motivos para celebrar. Segundo o Radar IDHM 2024, divulgado agora pelo Pnud Brasil, o país alcançou 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, entrando pela primeira vez na faixa de desenvolvimento humano “muito alto”. É um dado histórico e deve ser reconhecido como resultado de uma trajetória construída por políticas públicas, ampliação do acesso à educação, inclusão social, fortalecimento do SUS e redução de desigualdades em diferentes regiões do país.

Mas a boa notícia não deve ofuscar o principal alerta do próprio levantamento: o Brasil avançou, mas poderia estar melhor. Entre os componentes do IDHM, a renda segue como o indicador que mais puxa o desempenho geral para baixo. Enquanto a longevidade chegou a 0,860 e a educação avançou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024, o índice de renda passou de 0,732 para apenas 0,760 no mesmo período. Ou seja, o brasileiro vive mais, estuda mais, mas ainda encontra dificuldade para transformar esse avanço em renda, emprego de qualidade e prosperidade duradoura.

Esse é o centro do debate. Desenvolvimento humano não pode ser entendido apenas como estatística. Ele precisa aparecer na vida concreta das pessoas: na escola que prepara melhor, no jovem que consegue uma profissão, no empreendedor que abre sua empresa com menos burocracia, na inovação que gera produtividade, na tecnologia que melhora serviços públicos e na economia que cria oportunidades reais.

O Brasil avançou muito em políticas de proteção social, e programas como o Bolsa Família tiveram papel importante ao manter crianças na escola e incluir famílias historicamente afastadas das oportunidades. Esse reconhecimento é necessário. Mas o próximo salto exige ir além da proteção: exige formação profissional e empreendedora, produtividade, inovação e ambiente econômico favorável para que as pessoas possam crescer com autonomia.

É aqui que a política pública precisa mirar com mais força. Educação de qualidade, ensino profissionalizante, ciência, tecnologia, inovação, empreendedorismo e desburocratização não são temas separados. São partes de uma mesma estratégia de desenvolvimento. Um país melhora sua renda quando sua população aprende mais, trabalha melhor, empreende com menos obstáculos, incorpora tecnologia e produz mais valor.

Essa tem sido uma linha central da nossa atuação parlamentar. Defendemos a educação como base da mobilidade social, a formação profissional como caminho para o emprego, a inovação como instrumento de modernização do Estado e o empreendedorismo como força de geração de renda. Também temos trabalhado muito pela desburocratização, porque um país que dificulta a vida de quem quer produzir, contratar e investir acaba limitando sua própria capacidade de crescer.

O IDHM mostra que políticas públicas consistentes fazem diferença. A melhoria da educação comprova isso. Mas o índice de renda deixa uma mensagem igualmente clara: inclusão social precisa caminhar junto com produtividade, qualificação e dinamismo econômico.

Não há contradição entre política social e desenvolvimento econômico. Pelo contrário: um país justo protege quem mais precisa, mas também abre portas para que cada pessoa possa construir sua independência. A escola precisa dialogar com o mundo do trabalho. O ensino técnico precisa chegar mais perto dos jovens. A inovação precisa sair dos laboratórios e alcançar a gestão pública, as empresas e os pequenos negócios. A burocracia precisa deixar de ser uma barreira para quem quer empreender.

O Brasil entrou na faixa de desenvolvimento humano muito alto. Isso é motivo de orgulho. Mas, se quisermos transformar esse avanço em renda maior, empregos melhores e oportunidades mais equilibradas, precisamos fazer do crescimento da produtividade uma prioridade nacional.

*Virmondes Cruvinel é deputado estadual, professor e procurador do Estado licenciado

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por Virmondes Cruvinel

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