Samuel Straioto
Goiânia – Sete partidos da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás se reuniram nesta segunda-feira (25) para buscar avanço na construção de uma frente eleitoral conjunta para as eleições de outubro. O encontro, realizado na sede do PT em Goiânia, reuniu dirigentes de PCdoB, PV, Rede, PSOL, PSB, PDT e do próprio PT em torno da reeleição do presidente e de uma chapa majoritária para o Estado. A coordenação para a campanha nacional ganhou forma, mas a definição do nome que vai disputar o Palácio das Esmeraldas ficou para sexta-feira (29), novo prazo estabelecido após meses de indefinição que já desgastam a relação entre os aliados.
A demora é um ponto sensível. Desde meados de 2025, o PT descumpriu seguidos prazos internos para bater o martelo sobre o candidato ao governo. O PT tem agora poucos dias para encerrar meses de indefinição — e apresentar um nome que consiga manter a coesão interna da frente e ter competitividade numa disputa em que o campo bolsonarista parte com vantagem consolidada no estado.
Durante o processo de discussões internas, a expectativa para possível candidatura ao governo chegou a recair sobre a presidente estadual do partido, a deputada federal Adriana Accorsi, e sobre o vereador de Goiânia Edward Madureira — ambos optaram por disputar cadeira na Câmara dos Deputados. Com a aproximação das convenções, a pressão dos aliados por uma resposta cresceu e resultou no prazo desta semana.
A frente e suas tensões
Dirigentes das legendas que integram o bloco reconhecem que a unidade em torno da campanha nacional de Lula não encontra o mesmo eco na construção para o pleito estadual. A coordenação conjunta funciona para a reeleição do presidente — mas a disputa pelo governo segue sendo terreno de indefinição e atrito interno.
Para Accorsi, principal articuladora da frente e defensora do nome do produtor rural Flávio Faedo para o governo, o encontro foi um avanço. “Seguimos unidos, com responsabilidade, diálogo e coragem, para fortalecer a reeleição do presidente Lula e construir uma alternativa forte, democrática e popular para Goiás em 2026”, afirmou a deputada. A retórica da unidade, no entanto, convive com a pressão concreta dos aliados por uma definição que já deveria ter acontecido.
Os nomes do ex-deputado estadual Luiz César Bueno e do advogado Valério Luiz seguem na disputa interna. Mas a articulação nacional do partido trabalha para convencer Faedo, sojicultor de Rio Verde com décadas de atuação no agronegócio goiano, a encabeçar a chapa — aposta que visa abrir diálogo com o eleitorado rural do interior, historicamente resistente ao PT.
PT e PSB negociam em separado

Logo após a reunião coletiva, Accorsi foi à sede do PSB para um encontro bilateral com a vereadora Aava Santiago, presidente estadual da legenda. O PSB soube da reunião ampliada apenas na sexta-feira anterior e optou por aguardar a conversa direta entre as duas dirigentes antes de se posicionar.
No encontro, o PT teria oferecido ao PSB a vaga de vice-governador na chapa majoritária. Aava rejeitou a proposta, mas sinalizou disposição para apoiar o candidato petista ao governo em troca de outro arranjo: o apoio do PT à candidatura da ex-deputada estadual Isaura Lemos ao Senado Federal pelo PSB. A articulação em torno de Isaura já tem aval do presidente nacional do PSB, João Campos, e foi apresentada a Simone Tebet e Geraldo Alckmin.
Em nota, o PSB confirmou o apoio à reeleição de Lula e a disponibilidade de compor a chapa majoritária, sem assumir compromissos além disso. “A abertura desse diálogo representa um passo importante na construção do campo democrático em Goiás e no Brasil”, afirmou Aava Santiago — linguagem que soa mais como abertura de negociação do que como acordo fechado.
Veja a íntegra da nota do PSB Goiás:
“A vereadora por Goiânia e presidenta estadual do PSB Goiás, Aava Santiago, recebeu, nesta segunda-feira (25), na sede do Diretório Estadual do Partido Socialista Brasileiro, a deputada federal e presidenta estadual do PT Goiás, Adriana Accorsi, para a primeira reunião entre as dirigentes partidárias, com foco nas eleições de 2026. O PSB foi informado, na última sexta-feira, 22, sobre a reunião ampliada dos partidos do campo progressista para a formação de uma frente, que viria a ser realizada na manhã desta segunda-feira, e optou por aguardar a conversa bilateral entre as presidentas dos diretórios estaduais do PT e do PSB, que ocorreu em sequência, na tarde de hoje. Na ocasião, o PSB reforçou o compromisso com a eleição de uma bancada forte para ALEGO e para a Câmara Federal, com a confirmação da pré-candidatura à deputada federal de Aava Santiago e de uma chapa ampla, plural e competitiva. Os dirigentes da sigla também reafirmaram o apoio integral à reeleição do presidente Lula, inclusive indicando nomes para integrar a coordenação de campanha, e sinalizaram a disponibilidade de compor a chapa majoritária com a indicação, para a disputa pelo Senado Federal, da ex-deputada estadual Isaura Lemos. A articulação em torno do nome de Isaura tem o aval do presidente nacional do PSB, João Campos, e vem ganhando tração, após ser apresentada a Simone Tebet e Geraldo Alckmin, com quem Aava se reuniu na última quinta-feira. ‘A abertura desse diálogo representa um passo importante na construção do campo democrático em Goiás e no Brasil. O PSB tem compromisso com a defesa da democracia, com a reeleição do presidente Lula e com um projeto político consistente para o estado, que dialoga com as prioridades nacionais dessa composição. Também reafirmamos nossa disposição de contribuir com a construção da chapa majoritária dentro de um processo de diálogo entre os partidos’, afirmou Aava Santiago. O encontro sinaliza o início da construção de uma agenda comum entre os dois principais partidos do campo progressista em Goiás, no âmbito das articulações para as eleições de 2026.”
