A Redação
Goiânia – Cerca de um em cada quatro beneficiários da saúde suplementar no Brasil está vinculado a cooperativas médicas ou odontológicas. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar mostram que o país soma 88,4 milhões de beneficiários na saúde suplementar, número que inclui planos médico-hospitalares e odontológicos. Desse total, cerca de 24,3 milhões estão associados a cooperativas de saúde.
O dado evidencia a relevância do modelo cooperativista no sistema de saúde brasileiro, especialmente em um cenário de crescente demanda por qualidade assistencial, eficiência e sustentabilidade. Diferentemente de outros formatos do setor, o cooperativismo coloca o médico no centro do cuidado, garantindo autonomia técnica para a condução clínica e maior proximidade com o paciente.
Esse modelo ganha escala no país. Segundo dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, do Sistema OCB, o ramo de saúde reúne cerca de 699 cooperativas distribuídas em mais de 90% do território nacional, com cerca de 270 mil cooperados. Apenas entre médicos, são aproximadamente 116 mil, o equivalente a cerca de 20% dos profissionais em atividade no Brasil.
Além da ampla presença territorial, o modelo também tem peso econômico relevante. Em 2024, as cooperativas de saúde registraram R$ 123,7 bilhões em movimentação econômica e somaram R$ 75,9 bilhões em ativos, evidenciando seu papel não apenas assistencial, mas também estrutural dentro do sistema de saúde.
Autonomia médica e qualidade assistencial
Na prática, a principal diferença do cooperativismo está na autonomia do médico na condução do cuidado. O cooperado atua com independência técnica para tomar decisões clínicas, definir condutas e organizar o acompanhamento do paciente de acordo com sua necessidade.
Esse modelo permite um cuidado mais individualizado, com maior proximidade entre médico e paciente e decisões mais alinhadas à realidade clínica. A autonomia profissional contribui para maior agilidade nas condutas, continuidade no acompanhamento e maior efetividade dos tratamentos.
Ao mesmo tempo, os cooperados também participam da organização da cooperativa e contribuem para o aprimoramento dos serviços, fortalecendo a integração entre assistência e gestão.
Referência internacional
O modelo brasileiro também ganha reconhecimento fora do país. De acordo com o ranking Cooperative Monitor 2025, da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), o Sistema Unimed está entre as quatro maiores cooperativas do mundo.
O resultado posiciona o Brasil como referência para países que buscam ampliar o acesso à saúde por meio de modelos cooperativos, especialmente em sistemas que enfrentam desafios de custo, acesso e sustentabilidade.
Cooperados como ativo estratégico
Em Goiás, esse modelo se traduz em uma estrutura consolidada. O estado reuniu, em 2024, 39 cooperativas de saúde, com mais de 10 mil cooperados e cerca de 5 mil empregos diretos gerados pelo setor.
Na Unimed Goiânia, os médicos cooperados são considerados o principal ativo da operação. A cooperativa conta com 3042 médicos, distribuídos entre Goiânia e municípios do interior, atuando em 48 especialidades médicas.
A atuação desses profissionais vai além da assistência. Com autonomia clínica e responsabilidade sobre o cuidado, os cooperados conseguem conduzir o atendimento com maior liberdade técnica, o que contribui para melhores desfechos, redução de intervenções desnecessárias e maior satisfação dos pacientes.
Esse modelo também favorece uma relação mais próxima entre médico e paciente, fortalecendo o vínculo, a continuidade do cuidado e a confiança no atendimento prestado.
Para o diretor de Mercado da Unimed Goiânia, Dr. Frederico Moraes Xavier, o modelo cooperativista também impacta diretamente a competitividade e a percepção de valor da marca. “O cooperado é o principal ativo da cooperativa. Ele tem autonomia para conduzir o cuidado do paciente, tomar decisões clínicas e atuar com independência técnica, sempre com foco na melhor assistência. Isso fortalece a qualidade do atendimento e gera mais confiança para o beneficiário”, afirma.
Segundo ele, esse diferencial também se reflete no posicionamento da operadora no mercado. “Quando você tem um corpo clínico qualificado, engajado e com autonomia para atuar, a experiência do paciente melhora. Isso fortalece a marca de forma consistente, aumenta a percepção de valor do serviço e contribui para a competitividade da cooperativa em um cenário cada vez mais exigente”, destaca.
Um modelo centrado no paciente
Ao fortalecer a autonomia do médico e a qualidade assistencial, o cooperativismo consolida um modelo mais alinhado às necessidades do paciente e às transformações do setor de saúde.
Em um cenário de aumento da demanda por qualidade, pressão sobre custos e maior exigência dos beneficiários, a atuação dos cooperados se consolida como um dos principais diferenciais para garantir um sistema mais eficiente, sustentável e centrado no cuidado.
