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A Copa mostra que o futuro do dinheiro não passa mais pelo cartão e nem pelas fronteiras

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18.05.2026 - 15:31:42

A Copa do Mundo sempre foi um espetáculo esportivo, mas também se consolidou como um laboratório global de comportamento, inclusive financeiro. Em um ambiente de consumo intenso, multicultural e em tempo real, uma coisa fica evidente: o futuro do dinheiro não passa mais pelo cartão, e tampouco respeita fronteiras. O que antes era uma tendência local, como o sucesso do Pix no Brasil, rapidamente se tornou referência global. A combinação entre pagamentos instantâneos e moedas digitais aponta para uma transformação profunda no sistema financeiro.

Durante décadas, o cartão simbolizou inovação em pagamentos. Hoje, porém, a velocidade e a fluidez deixaram de ser diferenciais, são exigências. Sistemas como o Pix mostram que é possível transferir dinheiro em segundos, 24 horas por dia, com menos intermediários, reduzindo custos e simplificando a experiência do usuário. No Brasil, esse modelo já representa uma parcela relevante das transações e vem diminuindo o uso de dinheiro físico. Para se ter uma ideia, segundo dados do Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas utilizam o sistema, equivalente a 80% da população.

Esse movimento se replica no mundo. Infraestruturas como o FedNow, nos Estados Unidos, e o SEPA Instant, na Europa, consolidam um novo padrão: pagamentos em tempo real como base do sistema financeiro. O próprio mercado americano, historicamente centrado no cartão, acelera agora para acompanhar essa mudança.

Mais do que adoção tecnológica, trata-se de uma nova arquitetura, sair de um modelo dependente de múltiplos intermediários para outro baseado na conexão direta entre contas. O resultado é menor custo para empresas, melhor fluxo de caixa e menos fricção para o consumidor, algo essencial em contextos como a Copa do Mundo, em que pagar precisa ser tão rápido quanto consumir.

Se os pagamentos instantâneos redefinem a infraestrutura, as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) prometem ir além, transformando o próprio conceito de dinheiro. Com liquidação imediata, menor custo e maior rastreabilidade, essas iniciativas podem viabilizar transações internacionais em tempo real e ampliar a inclusão financeira. Integradas a dispositivos e plataformas digitais, tornam o dinheiro cada vez mais invisível e até programável.

A Copa como termômetro do futuro
Em eventos como a Copa, todas essas tendências se encontram: múltiplas moedas, alto volume de transações e necessidade de agilidade extrema. Sem contar que empresas, restaurantes e lojas de departamento de grande porte e presentes nos EUA já estão garantindo o seu espaço e acoplando o Pix no negócio, como é o caso do Boteco do Manolo, Summit Visa, Boteco Restaurant, Yes Mega Store e MCA Transportation. Nesse cenário, o cartão expõe suas limitações: taxas elevadas, liquidação não imediata e dependência de múltiplos intermediários. Já os pagamentos instantâneos e, futuramente, as moedas digitais oferecem exatamente o oposto: simplicidade, velocidade e eficiência. Mais do que uma evolução tecnológica, estamos diante de uma mudança cultural. O consumidor não quer mais escolher “como pagar”, ele quer que o pagamento simplesmente aconteça.

A Copa escancara essa transformação: o dinheiro deixa de ser físico, deixa de ser cartão e passa a ser fluxo. Um sistema invisível, integrado e em tempo real, que conecta pessoas, empresas e países O cartão não desaparece, mas perde protagonismo, torna-se apenas mais uma interface em um ecossistema muito maior. Nesse novo jogo, quem ainda depende do “passar o cartão” já está jogando o campeonato errado.

*Taísa Bilecki Dias – Head de câmbio do Braza Bank

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por Taísa Bilecki Dias

*Repórter

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