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IHGG (Foto: divulgação)

Dicionário das vozes femininas na literatura em Goiás será lançado dia 6 no IHGG

Arquivo será disponibilizado para quem quiser acessar

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28.04.2026 - 18:30:29

Jales Naves

Especial para A Redação

Goiânia – Já está pronto o primeiro ensaio sobre a produção literária feminina em Goiás, trabalho de fôlego realizado nos últimos 18 meses pela escritora Elizabeth Abreu Caldeira Brito, para lançamento na quarta-feira, dia 6, às 9h, no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Na oportunidade, será disponibilizado o arquivo, gratuitamente, para quem quiser acessar o “Dicionário crítico das vozes femininas da literatura em Goiás”, em pdf. A obra reúne em torno de 650 nomes, num gesto de reconhecimento e tentativa de perenizar a biobibliografia das mulheres que constroem a literatura brasileira feita em Goiás. Indica como pioneira a poetisa Honorata Minelvina, que não chegou a editar um livro e teve suas poesias publicadas em diversas formas de comunicação.

“Busca reverenciar as trajetórias, o pensamento e a escrita de mulheres que, à sua maneira, ajudaram a ampliar o horizonte literário de Goiás e as narrativas que habitam esse universo, quer seja em prosa ou em verso, no romance ou na ficção, no teatro ou no ensaio”, afirmou a autora. Suas páginas evidenciam o que há de mais relevante das mulheres biografadas. “Agregam, a uma síntese histórica e biográfica, um átimo da produção intelectual e da presença das escritoras, representativa da força literária de cada uma, a despeito das dificuldades enfrentadas por todos que habitam o cenário literário em Goiás”.

Na oportunidade, haverá o vernissage da exposição “Traços, cores e gestos femininos”, com a coordenação de Pedro Galvão, presidente da Associação Goiana de Artes Visuais, e curadoria de Bento Cassiano. Estarão mostrando seus trabalhos as artistas Alessandra Teles, Andyra Menezes, Carol Borges, Célia Fraia, Cleide Nazareth, Demirane, Dorothy, Elma Carneiro (in memoriam), Helenilce, Ionara Novais, M. Francisca S. B., Margarete Cantares, Mari Sousa, Maryah Bernardes, Nelze, Selvita, Solange Soares, Tainara Caiuá, Vanessa Rocha e Vânia Ferro. Apresentação musical: duo pianístico com as musicistas Consuelo Quireze e Maria Lúcia Roriz.

Denso e intenso

O livro, na opinião do escritor Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado, “é denso, intenso, carregado de significados múltiplos na sua abrangência de tempo, estilo, espaço e gênero”. Explicou que Beth Caldeira realizou um trabalho de fôlego e muito estafante; “aquele de rastrear, em estradas e caminhos de pedras e espinhos, talvez algumas flores, a trajetória nem sempre amena da mulher goiana no vasto, difícil e apaixonante campo da ação intelectual”.

“Num rastreamento muito completo e abrangente, a autora abarca as biografias das mulheres que se dedicaram ao fazer literário no Estado, além dos estudos críticos sobre elas; o que é uma novidade por esses rincões”, e que remete ao profundo estudo feito em 2002, em nível nacional, pela escritora Nelly Novaes Coelho (1922-2017), em alentado volume de 750 páginas, “Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras”, com somente 42 escritoras de Goiás.

Outros autores também se dedicaram ao estudo da literatura feminina no Brasil como Hilda Agnes Hubner Flores, com o “Dicionário de mulheres”, publicado em 2011; Maria Stela Duarte Mendes, com o “Dicionário da mulher”, de 2002; Schuma Schumaber e Érico Vital, com “Dicionário Mulheres do Brasil de 1500 até a atualidade”, publicado em 2000; Mary Del Priori, com “História das mulheres no Brasil”, de 2006; Zahidé Lupinacci Muzart, com “Escritoras brasileiras do século XIX”, publicação de 2009, em quatro volumes, e “Dicionário das mulheres”, da Editora Grijalbo, com tradução de Hédon Casanova, mais antigo, de 1967. “Esses os mais conhecidos”.

Sobre as escritoras femininas em Goiás há produções de Célia Coutinho Seixo de Britto (1914-1994); José Mendonça Teles (1936-2015); Mário Ribeiro Martins (1943-2016); Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado (1969); Moema de Castro e Silva Olival (1931-2020), Darcy França Denófrio (1936); Rosarita Fleury (1913-1993) e, também, estudos críticos de Gilberto Mendonça Teles (1931-2024), Antonio Geraldo Ramos Jubé (1927-2010), Nelly Alves de Almeida (1916-1999), Brasigóis Felício (1950), Gabriel Nascente (1950), Bernardo Elis Fleury de Campos Curado (1915-1997), Modesto Gomes (1931-2008), Basileu Toledo França (1918-2005), Bariani Ortêncio (1923-2024), Eliana Gabriel Aires (1945), Heloísa Helena de Campos Borges (1948), Wânia Majadas (1941-2021), Álvaro Catelan (1947), Eurípedes Leôncio Carneiro (1949), José Fernandes (1946-2018), Ademir Hamu (1950), Miguel Jorge (1933), Eduardo Ramos Jordão (1945-2020), Jô Sampaio (1949), Maria Luísa Ferreira Laboissière (1953); Maria Zaira Turchi (1955), Vera Maria Tietzman Silva (1945), Stella Leonardos (1923-2019), Maria de Fátima Gonçalves Lima (1960), Maria Terezinha Martins do Nascimento (1950), Marília Núbile (1947), Geraldo Pereira (1958), Adovaldo Fernandes Sampaio (1944), Wendell Santos (1944), Geraldo Coelho Vaz (1940), Emílio Vieira (1944-2024), Alice Spíndola (1940-2026), Heloísa Selma Fernandes Capel e muitos outros.

Garimpeira das palavras

Para Bento Fleury, Elizabeth Abreu Caldeira Brito agora se destaca na galeria das dicionaristas goianas pelo seu arrojado trabalho de garimpeira das palavras. “Buscou, livre de qualquer cânone, os nomes que em diferentes tempos e estilos, reconhecimento ou anonimado, com ousadia, percorreram as lides literárias em Goiás; mesmo diante de todas as adversidades e lutas para a impressão da ideia feminina, num Estado mais viril e masculino, até por formação, e romper as paredes altas e agressivas que se ergueram diante dos caminhos das timoneiras da arte literária nas plagas do Anhanguera”.

Com paciência e precisão, a autora trouxe a biografia das escritoras e os estudos críticos, geralmente presentes nos cadernos literários dos jornais goianos como “O Popular”, “Diário da Manhã”, “Jornal Opção” e “Folha de Goiaz”, em épocas distintas, e nos prefácios, orelhas, posfácios, sites, blogs e as capas dos livros pesquisados. “Conseguiu mostrar quão variada e rica é a produção da mulher nesses rincões, nesse chão parado”. Trouxe reconhecimento às autoras e aos críticos que se debruçaram sobre essas obras, num estudo acurado do estilo, tema e gênero; para criar uma forma mais completa de pesquisa sobre a arte literária feminina em Goiás.

Assim, apareceram as romancistas (Rosarita Fleury, Edla Pacheco Saad, Armênia Pinto de Souza, Hilda Dutra Magalhães, Ada Curado, Adelice da Silveira, Alice Godinho, Elacy de Amorim, Malu Ribeiro, Adélia de Freitas e Carmem Gomes), as contistas (Nita Fleury, Ayda Félix de Souza, Célia Siqueira, Zina Brill, Alcione Hermano, Alcione Guimarães, Nice Monteiro, Maria Helena Chein, Leda Selma, Júlia Franco e Marieta Teles Machado), as poetas (Vilda Guerra, Augusta Faro, Laila Navarrete, Yêda Schmaltz, Leodegária de Jesus, Cora Coralina, Emília Perillo, Jacira Brandão Veiga Jardim, Sônia Maria Ferreira, Elza Nobre, Berenice Artiaga, Marilda de Godoy, Maria Lúcia Félix, Ana Cárita, Dalva Chitarra, Sônia Elisabeth, Sônia Maria Santos, Natalina Fernandes, Umbelina Frota, Diva Goulart, Sônia Cury, Violeta Metran, Judite Miranda, Maria Carmem Xavier Nunes, Ellen Carneiro Valle, Divina Paiva, Lygia Rassi, Rosamary Costa Ramos, Denise Godoy, Sílvia Nascimento e Maria Abadia Silva), as memorialistas (Ofélia Sócrates, Ondina Albernaz, Luisa de Camargo Ferreira, Leda Xavier de Almeida, Nelly Alves de Almeida, Ana Braga, Celuta Mendonça Teles, Maria Adélia Mendonça Arantes, Lydia Arantes, Lucíola de Amorim, Anna Cryssilla de Siqueira e Silva, Ana de Britto Miranda, Elza Baiocchi e Ida Artiaga Moreno), as cronistas (Genezy de Castro, Nair Perillo, Maria Paula Fleury de Godoy, Heloísa Helena Campos Borges, Alba Dayrell e Belkiss Spencière Carneiro de Mendonça), as pesquisadoras (Mary Baiocchi, Lena Castello Branco, Gilka Vasconcelos, Célia Coutinho, Maria Augusta Callado, Maria das Dores Campos, Maria do Rosário Cassimiro, Zilda Diniz Fontes, Nilza Diniz Silva, Jô Sampaio, Ercília Macedo, Eli Falanque, Haydèe Jayme, Mara Públio Veiga Jardim, Regina Lacerda, Maria Augusta Sant’Anna Moraes, Narcisa Cordeiro e Nancy Ribeiro); e as biógrafas (Beth Fleury, Célia Coutinho Seixo de Britto, Maria Eloá de Souza Lima, Olinda da Rocha Lobo, Áurea Cordeiro de Menezes, Esther Oriente e Amália Hermano).

Apoio cultural

O projeto foi realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, por meio do Ministério da Cultura, operacionalizado pelo Governo de Goiás, sob a gestão da Secretaria de Estado da Cultura. A produção executiva esteve a cargo da Zabeiê Produtora, sob a orientação da produtora cultural Lidiane Caroline que auxiliou, sobremaneira, na concretização do trabalho.

A equipe, composta pelas pesquisadoras Luana de Araújo Ramos e Ludmila Abreu Caldeira Brito Vieira, mergulhou na tarefa fundamental de localizar, investigar, reunir e organizar as vozes literárias.

Destacou a colaboração de escritores do IHGG e do Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis Para os Povos do Cerrado (Icebe), citando os professores doutores Bento Fleury, “pelo irrestrito e fundamental apoio na pesquisa”, e Nilson Jaime, “pela interlocução”; e o escritor Geraldo Coelho Vaz, “pelas indicações para a composição do escopo do projeto”.

O trabalho foi no “Dicionário do Escritor Goiano”, de José Mendonça Teles (4ª edição de 2011), que biografou 162 mulheres. “Conseguimos, nesta edição, reunir cerca de 650 autoras, um acréscimo substancial aos trabalhos citados, não obstante o pequeno lapso de apenas um ano de pesquisa, período de vigência do projeto de fomento”. O “Dicionário crítico das vozes femininas da literatura em Goiás” é um trabalho de memória e para o futuro. “Possibilitará que pesquisadores se inteirem da literatura do nosso estado desde seus primórdios”.

“Esta é a primeira edição de outras que se sucederão, à medida que mais informações surgirem acerca da produção feminina da literatura em Goiás. Que este dicionário circule, inspire, provoque pesquisas, leituras, novos olhares e novas vozes”, completou.

 

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por Taíssa Gomes

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