Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – O escritor Bernardo Élis não foi apoiado pelos militares em sua vitoriosa campanha para ingressar na Academia Brasileira de Letras, em outubro de 1975, quando venceu o ex-presidente da República, Juscelino Kubitschek. A observação é do professor doutor Nilson Jaime, presidente do Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado (Icebe), ao participar na quinta-feira, dia 23, de colóquio virtual que discutiu “O estigma da desconstrução ideológica de um imortal da ABL”, coordenado pela professora Aline de Fátima Marques, da Universidade Federal de Jataí.
Apresentando documentos dos arquivos do Serviço Nacional de Informações, trazidos à luz pela Comissão Nacional da Verdade, explicou que, após sua eleição para a ABL, “setores da imprensa nacional e da intelectualidade tentaram ‘suavizar’ a biografia do escritor goiano, reputando-o como um protegido do regime militar, a fim de justificar sua eleição, em detrimento de JK”. Conforme mostrou, Bernardo Élis foi monitorado, por mais de 20 anos, pelo SNI, implantado durante o regime militar. Inclusive, até o livro “Seleta” (1974) foi objeto de ressalvas, apenas por conter o conto “A Enxada”.
