A Redação
Goiânia – O Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO) defendeu, em uma carta aberta direcionada a prefeitos, deputados federais, senadores e trabalhadores goianos, o adiamento da discussão sobre o fim do regime 6×1 no Congresso Nacional. Para as entidades, é fundamental que o debate ocorra de forma ampla, técnica e equilibrada, com a participação de todos os setores da sociedade. As entidades empresariais defendem argumentam que o atual cenário político não oferece condições adequadas para um debate aprofundado. Para o FEE-GO, “é fundamental que o tema seja tratado com responsabilidade, longe de influências eleitorais e com foco nos impactos econômicos e sociais.”
Além disso, com base em estudos de entidades nacionais e análises econômicas, o Fórum alerta para possíveis impactos negativos sobre o emprego, a renda e o crescimento econômico do país. Segundo as entidades, a eventual extinção do regime 6×1 pode representar um “perigo real” para o mercado de trabalho brasileiro, com risco de redução de até 630 mil empregos formais, especialmente em setores intensivos em mão de obra. As estimativas também indicam um aumento significativo nos custos com trabalhadores formais, podendo chegar a R$ 267 bilhões por ano.
O documento ressalta ainda que a diminuição da jornada, mesmo que parcial, pode provocar retração econômica relevante. Projeções apontam impacto negativo de até R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB), com efeitos mais
severos sobre trabalhadores de menor qualificação. Simulações indicam, inclusive, possibilidade de queda de até 11,3% no PIB.
Outro ponto destacado pelas entidades é o impacto direto sobre salários e renda familiar. Com o aumento estimado de até 7% nos custos da folha, empresas podem reduzir contratações, limitar horas extras e rever benefícios, comprometendo o poder de compra das famílias.
Os efeitos também se estenderiam aos principais setores da economia. No comércio e nos serviços, as perdas podem chegar a R$ 122,4 bilhões e R$ 235 bilhões anuais, respectivamente, com redução de vagas em atividades essenciais. No setor agropecuário, os custos podem subir entre 7,8% e 8,6%, com impacto direto em regiões do interior, onde o agro é a principal fonte de renda. Já na indústria, o aumento de custos com mão de obra pode alcançar cerca de 11%,
equivalente a R$ 88 bilhões.
O Fórum também alerta para possíveis efeitos inflacionários, com projeções de aumento de até 13% nos preços ao consumidor. Esse cenário pode pressionar a inflação, dificultar a redução das taxas de juros e afetar, principalmente, famílias de menor renda.
No setor da construção civil, estudos indicam risco ao acesso à casa própria. A elevação de cerca de 10% no custo da hora trabalhada pode resultar em imóveis mais caros, menor oferta e prazos mais longos para entrega.
A carta é assinada pelas instituições que compõem o Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO): ACIEG, ADIAL, FACIEG, FAEG, FCDL-GO, FECOMÉRCIO-GO, FIEG e OCB/GO
Leia a carta abaixo:
CARTA ABERTA AOS PREFEITOS, DEPUTADOS FEDERAIS, SENADORES E TRABALHADORES GOIANOS AS AMEAÇAS ESCONDIDAS NO FIM DA JORNADA 6 X 1
O Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO), manifesta preocupação com propostas de alteração da jornada de trabalho que impliquem a extinção do regime 6×1, com base em profundos estudos técnicos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), e análises da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
1. PERIGO REAL AO SEU EMPREGO
A extinção do regime 6×1 trará impactos diretos sobre o mercado de trabalho, com risco de redução de até 630 mil empregos formais no país, especialmente em setores intensivos em mão de obra. Pode elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia.
2. QUEM PERDER O EMPREGO TERÁ DIFICULDADE EM SE RECOLOCAR NO MERCADO
Mesmo essa pequena redução da jornada de trabalho provocar retração de até R$ 76 bilhões no PIB, afetando a geração de empregos e atingindo principalmente trabalhadores de menor qualificação, concentrados em funções operacionais. Simulações do IBRE/FGV apontam ainda que o PIB pode cair até 11,3%.
3. IMPACTO NEGATIVO NOS SALÁRIOS E NA RENDA FAMILIAR
A elevação dos custos do trabalho, estimada em até 7% na folha salarial, tende a levar empresas a reduzir contratações, limitar horas extras e rever benefícios, com impacto direto na renda mensal das famílias e na capacidade de consumo.
4. REDUÇÃO NO COMÉRCIO, NOS SERVIÇOS DO DIA A DIA E NO AGRO
Os levantamentos indicam impacto anual de até R$ 122,4 bilhões no comércio e R$ 235 bilhões no setor de serviços, com potencial redução de vagas em atividades como atendimento, vendas e serviços essenciais. Além disso, aumento de custos entre 7,8% e 8,6% no setor agropecuário, com potencial redução de postos de trabalho, especialmente em regiões do interior onde o agro é a principal fonte de emprego e renda, como em Goiás. Na indústria, o aumento de gastos com empregados formais seria proporcionalmente maior: cerca de 11%, o equivalente a R$ 88 bilhões. Simulações do IBRE/FGV apontam ainda que o PIB pode cair até 11,3%.
5. AUMENTO DE PREÇOS, INFLAÇÃO E JUROS ALTOS
O repasse desses custos pode gerar aumento de até 13% nos preços ao consumidor, pressionando a inflação, reduzindo o poder de compra e dificultando a queda das taxas de juros, com impacto mais intenso sobre famílias de menor renda.
6. AMEAÇA AO SONHO DA CASA PRÓPRIA
Estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta riscos para quem pensa em adquirir imóvel, já que prevê aumento de 10% no custo da hora trabalhada, somado ao risco de menor oferta de imóveis e prazo de entregas mais longos.
NECESSIDADE DE DEBATE AMPLO FORA DA CONTAMINAÇÃO ELEITORAL
Diante de impactos dessa magnitude — envolvendo retração econômica, aumento de custos, redução de empregos e pressão inflacionária — o Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO), defenderá junto aos prefeitos, deputados federais e senadores do Estado, de maneira firme, constante e decidida, o adiamento da discussão para o próximo ano. Isso permitirá o debate amplo, técnico e equilibrado, com participação de todos os setores da sociedade, considerando que o atual período eleitoral pode comprometer a análise objetiva de um tema que afeta diretamente milhões de trabalhadores brasileiros.
ENTIDADES DO FEE-GO
ACIEG, ADIAL, FACIEG, FAEG, FCDL-GO, FECOMÉRCIO-GO, FIEG e OCB/GO
