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O que faz um show ser marcante

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21.09.2011 - 12:36:01

Já vi muitos shows em minha vida. Mas muitos de não saber nem chutar quantos. Entre entretenimento e trabalho, sem exagero algum, está na casa dos milhares. Nada me dá mais prazer do que um show de um artista que amo. Gente que admiro a obra, que está com um repertório bom na turnê, que tem canções que me tocam. Mas não é só isso que conta na hora de selecionar os grandes shows de sua vida. Existe uma série de fatores de ordem mais que subjetiva que contam nisso. Se você pegou alguém naquela balada, se bebeu horrores, se teve alguma emoção na volta para a casa, se conseguiu pegar aquele brinde que o artista jogou do palco… Enfim, coisas que aconteceram com você, e só com você, que fazem aquele show se destacar perante o restante.

 

No meu caso, alguns shows são particularmente marcantes. Dois dos Titãs estão na lista. O primeiro foi em 1990, durante a turnê do disco ao vivo Go Back. Eu tinha 11 anos de idade e meus pais me levaram ao Ginásio Rio Vermelho para ver a banda que eu então mais curtia. Que experiência sensacional ver aqueles oito caras ao vivo! Para uma criança, sacar aquele povão dançando, subindo na cesta de basquete da quadra e se jogando de lá, um tanto de cabeludo para todos os lados… Foi marcante! Uma nova perspectiva de vida se abriu ali. Não sei se eu seria quem sou se não fosse aquele show. Muito obrigado, pai e mãe! Ou não, né…

 

O segundo dos Titãs que marcou foi o de 1995, na turnê do Titanomaquia. Tinha um campeonato de motocross naquele espaço onde fazem eventos em frente ao Flamboyant. No auge da adolescência, cheguei super cedo ao shopping para ficar bem na grade, colado no palco. Consegui e assisti o show inteiro de frente para o Marcelo Fromer, falecido guitarrista da banda. Uma explosão de violência com aquele repertório do disco mais pesado da carreira da banda. Todos os shows dos Titãs que vi depois disso ficaram menores, sem impacto. Aquele padrão de emoção que atingi é inigualável.

 

Na categoria dos gringos, preciso destacar a tríade Paul McCartney (em São Paulo, em 2010), Rolling Stones (em Copacabana, em 2006) e Bob Dylan (no Rio de Janeiro, em 2008). Esses ganham espaço na minha memória afetiva pelo caráter mítico de ver a história da música passar na frente dos seus olhos. Não é todo dia que esse ícones absolutos estão ali, metros de distância de você, mostrando o seu trabalho que mudou o mundo. É de cortar até mesmo o mais duro dos corações. E o meu foi sensibilizado ao extremo nessas apresentações.

 

Vários outros shows poderiam entrar aqui: Chico Science e Nação Zumbi no Jaó, Raimundos no Rio Vermelho, Planet Hemp no estacionamento do La Fontaine, Mudhoney no Usina Café que ficava na Avenida 85, O Rappa no Jaó, Oasis e Foo Fighters no Rock in Rio, AC/DC no Morumbi… São muitos shows que me marcaram de forma especial e definitiva. E para cada um daria para escrever um texto único.

 

E eu quero saber de você, nobre leitor, quais são os shows que lhe marcaram para sempre? Diga aí, por favor! É sacanagem me deixar abrindo o coração aqui sozinho, né…

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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