O mercado imobiliário de Goiânia revela algo importante e perceptível: mesmo com crédito mais caro, a demanda por imóveis permanece sólida, impulsionada pelo crescimento econômico regional, aumento migratório e percepção do imóvel como ativo de segurança patrimonial. Nos últimos anos, o setor consolidou-se como um dos mais pujantes do Brasil.
Em 2024, atingiu um volume histórico de aproximadamente R$ 7,7 bilhões em vendas, com crescimento de cerca de 35% em relação a 2023. No ano passado, mesmo diante de juros elevados no financiamento bancário, o mercado manteve desempenho robusto, superando a marca de R$ 8 bilhões em negociações, registrando valorização média dos imóveis em 13,4%.
Realidade que deixa claro que a aquisição de imóveis com o crédito imobiliário exige hoje bem mais estratégia do que impulso, mais direcionamento para necessidades específicas do que serviço prestado “em massa”. E o motivo é simples: cada crédito aprovado não é apenas uma venda, é o passo final para a concretização de sonhos, é, muitas vezes, o resultado de um longo planejamento. É aí que entra o jogo de cintura para absorver as demandas sem apertar tanto o bolso de quem compra, nem forçar empresas do setor a massacrarem margem de ganhos. É louvável atender o consumidor a contento e manter lucratividade para a indústria.
Ah, mas a taxa de juros continua sendo fator determinante, por vezes, empecilho e entrave? Sim, isso é inegável. Especialmente nos últimos 30 meses o crédito imobiliário foi diretamente impactado pelo patamar elevado da taxa básica de juros (Selic), o que encareceu o custo final dos financiamentos e reduziu o poder de compra. Mas, embora essa seja uma realidade brasileira, em mercados resilientes e prósperos como Goiânia, esperar o melhor momento pode significar perder oportunidades crescentes de valorização. E é fácil provar: 2026 chegou com valores expressivos do metro quadrado, chegando a R$ 14 mil em setores considerados “de luxo”, valor digno de metrópole robusta, mantendo a trajetória de crescimento do ano passado que, mesmo com juros altos, ultrapassou R$ 10,5 mil. E o consumidor exigente já percebeu que a decisão não deve se basear apenas na taxa de juros vigente, mas no equilíbrio entre custo do crédito e alto potencial de valorização do imóvel.
Outro ponto, não menos importante, está no fato de compreender as modalidades de crédito disponíveis. Linhas vinculadas ao SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) e ao FGTS (Fundo Garantidor do Tempo de Serviço) tendem a oferecer condições mais competitivas, especialmente, para imóveis enquadrados no SFH (Sistema Financeiro de Habitação), com valor de até R$ 2,25 milhões, ou para a primeira aquisição de imóvel, no caso do Pró Cotista FGTS. A escolha do tipo de amortização (como SAC ou Price), prazos e percentual de entrada, também influenciam no custo do negócio, podendo representar diferenças significativas ao longo de 2 ou 3 décadas. Por isso, atenção! É evidente que planejamento e simulação realistas são indispensáveis.
E se vale uma dica valiosa é não subestimar o tempo de aprovação e liberação do crédito. Em mercados competitivos, agilidade no processo é fator decisivo para garantir boas oportunidades. Empresas especializadas em crédito imobiliário têm ganhado relevância justamente por oferecer nada menos que análise técnica mais precisa do perfil do cliente; maior taxa de aprovação; agilidade no repasse do crédito; gestão de riscos ao longo da operação; relação de proximidade com a incorporadora; atenção ao pós-venda, reduzindo as incertezas naturais que o processo traz ao comprador.
Relevante também é que o financiamento não se finda na assinatura do contrato. O pós-venda – tanto do banco escolhido, quanto da incorporadora, e da empresa especializada em crédito imobiliário – é parte essencial nesse caminho. Questões como atualização de saldo devedor, renegociação (quando necessário) e suporte na documentação fazem diferença ao longo dos anos e, é claro, quem mantém relacionamento ativo com o cliente tende a gerar mais segurança e, naturalmente, novos negócios.
Sem mais delongas, financiar continua sendo uma ferramenta bem viável, desde que estratégia, qualidade do produto, condições de crédito, segurança da incorporadora e eficiência do processo recebam a atenção que merecem. Crédito imobiliário com estratégia correta é mais do que capital seguro, são ações bem estruturadas hoje que tendem a se transformar em patrimônio sólido amanhã, e a se perpetuarem.
*Telmo Crisóstomo de Paula é especialista em Crédito e CEO da Sempre Crédito Imobiliário Ltda.
