Março sempre convida à reflexão sobre o protagonismo feminino. No esporte universitário, essa discussão ganha um significado especial, mais do que aumentar números, o crescimento da presença das mulheres revela uma transformação cultural que já está em curso dentro das instituições de ensino.
Nos últimos anos, a participação feminina nas competições universitárias deixou de ser tímida para se tornar expressiva. Ainda há predominância masculina, mas a diferença diminuiu de forma significativa. Em delegações recentes, a presença feminina já se aproxima da paridade, chegando a cerca de 45% das atletas. Mais importante do que o número em si é o ritmo de crescimento — constante, consistente e acompanhado por um salto visível na qualidade técnica das equipes.
Esse avanço não se limita às quadras e campos. A presença feminina cresce também nas lideranças esportivas universitárias. Hoje, mulheres ocupam posições estratégicas na organização das atléticas, na gestão esportiva das instituições e na condução das equipes. Esse movimento tem impacto direto no fortalecimento do ambiente esportivo, ampliando a diversidade de perspectivas e contribuindo para estruturas mais organizadas e colaborativas.
Dentro das competições, o protagonismo feminino já é realidade. Modalidades coletivas como vôlei, handebol e futsal despontam como verdadeiros carros-chefes da participação feminina, enquanto o atletismo ganha cada vez mais atletas nas provas individuais. O futebol, historicamente associado ao público masculino, também vive uma transformação evidente, com finais femininas competitivas e equipes consolidadas.
Mas o crescimento não acontece por acaso. Ele está ligado à democratização do esporte universitário, que passou a se tornar um espaço mais aberto, inclusivo e acessível. A possibilidade de conciliar competição, integração social e desenvolvimento pessoal tem atraído cada vez mais universitárias.
Ainda existem desafios. A permanência no esporte é uma das principais barreiras, especialmente diante da necessidade de conciliar estudos, trabalho e outras responsabilidades que recaem com maior intensidade sobre as mulheres. Por isso, o papel das instituições é decisivo: incentivar a prática esportiva, promover eventos voltados ao público feminino e fortalecer políticas de permanência são passos fundamentais para consolidar esse avanço.
A expectativa é de continuidade no crescimento, impulsionado pelo ciclo virtuoso das conquistas. Quando mulheres vencem, mais mulheres se sentem encorajadas a participar. Quando participam, ampliam o nível técnico e elevam o esporte universitário como um todo.
O esporte não precisa de distinções entre masculino e feminino para ser valorizado. Precisa de oportunidades iguais. E quando elas surgem, o resultado aparece — em organização, compromisso, desempenho e conquistas.
O avanço da participação feminina no esporte universitário não é apenas uma tendência. É uma realidade que transforma o presente e aponta para um futuro mais equilibrado, diverso e competitivo.
*Lusimar Santos é presidente da FGDU (Federação Goiana de Desporto Universitário)
