Catherine Moraes
A greve dos Servidores Técnicos Administrativos da Universidade Federal de Goiás, que já dura 105 dias, tem data marcada para acabar. Na próxima segunda-feira (26/9) as atividades voltam ao normal em todo o país, apesar de as reivindicações ainda não terem sido atendidas por completo. O governo federal afirmou que só vai negociar quando a paralisação, que acontece em caráter nacional, tiver fim.
Desde oito de junho os servidores cruzaram os braços. No Brasil, servidores de 53 universidades participam do movimento. Entre as reivindicações, piso de três salários mínimos e abertura de novos concursos para suprir déficit de profissionais devido a aposentadorias, demissões e aumento de demanda. Ainda não há novidades sobre aumento do salário, que hoje é de R$ 1.043.
Sobre os concursos, entretanto, o coordenador-geral do sindicato dos servidores (Sint-ifesgo), João Pires, afirma que o governo federal já fechou acordo sobre a abertura de novas vagas. Ele diz que o déficit na UFG hoje é de aproximadamente 900 profissionais já que concursos não são realizados na mesma proporção que o necessário.
“O número de aposentados e demitidos supera o de contratados. Além disso, nosso salário está entre os piores se comparados aos demais servidores públicos federais”, afirma. De acordo com João Pires, 180 leitos do Hospital das Clínicas (HC) estão fechados por falta de técnicos.
A paralisação já foi interrompida outra vez com promessa de negociações. Em julho, os Ministérios da Educação e Planejamento enviaram documento afirmando que as negociações seriam retomadas caso os funcionários voltassem a trabalhar. Como os problemas não foram resolvidos, os servidores cruzaram os braços novamente. No dia 11 de agosto, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) determinou que 50% dos servidores voltassem ao trabalho.
IFG
Para os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFG) a greve continua. Uma contraproposta do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissinal e Tecnológica (Sinasefe) foi encaminhada ao Ministério da Educação e ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). Na próxima segunda-feira (26/9) os servidores vão se reunir em assembleia para decidirem se acatam ou não a proposta que será oferecida pelo governo.
Os servidores do IFG do Campus de Goiânia cruzaram os braços no último dia 15 de agosto. Unidades de Anápolis, Formosa, Inhumas, Itumbiara, Jataí, Luziânia, e Uruaçu também aderiram ao movimento. Além do IFG, campus do Instituto Federal Goiano também estão paralisados. Entre eles, Rio Verde, Ceres e Urutaí.
As reivindicações no caso do IFG, no entanto, vão além de reajustes salariais. Os servidores reivindicam redução da carga horária para 30 horas semanais. Além disso, afirmam que é urgente reestruturar planos de carreira e realizar concursos públicos, diante do grande número de professores substitutos no quadro docente. Reivindicações pontuadas no site do sindicato.
Entre as atividades suspensas, novas adesões à assistência estudantil, realização dos eventos de abrangência institucional, realização de seminários de iniciação científica e abertura de processos seletivos, entre outros.
Na unidade de Goiânia, estão em funcionamento apenas serviços considerados essenciais, como portaria, reitoria e atendimento telefônico, para respeitar a permanência das atividades de pelo menos 30% do quantitativo de trabalhadores, conforme estabelece a Constituição.