A energia solar tem assumido papel estratégico na transição energética brasileira, consolidando-se como uma das principais alternativas para reduzir emissões de carbono e ampliar a participação de fontes renováveis na matriz elétrica. Em um país com alta incidência solar ao longo de todo o território, essa fonte representa uma oportunidade ambiental, econômica e social, além de contribuir diretamente para o cumprimento das metas climáticas internacionais.
Atualmente, a energia solar é a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira, respondendo por cerca de 22% a 24,5% da capacidade instalada no início de 2026, com mais de 63 gigawatts (GW) em operação. Apenas nos dois primeiros meses do ano, o Brasil adicionou 1,28 GW de nova capacidade, evidenciando o ritmo acelerado de crescimento do setor. A tendência é de expansão contínua, impulsionada pela busca por energia limpa, inovação tecnológica e pela necessidade de diversificação da matriz.
Um dos principais diferenciais da energia solar é seu baixo impacto ambiental. Trata-se de uma fonte limpa, que não emite poluentes durante a geração e não degrada o meio ambiente. Além disso, a geração distribuída permite que residências, comércios e indústrias produzam sua própria energia, promovendo autonomia, economia e maior eficiência no consumo energético.
O potencial brasileiro é um dos maiores do mundo. Regiões como o Nordeste, especialmente Bahia, Piauí e Ceará, apresentam níveis de irradiação solar superiores aos de países líderes, como a Alemanha. Para aproveitar melhor esse potencial, é necessário incentivar a instalação de sistemas em telhados, ampliar o acesso ao crédito, investir em infraestrutura e reduzir a burocracia.
Do ponto de vista econômico, os benefícios são expressivos. Consumidores podem reduzir em até 95% a conta de energia, além da valorização dos imóveis. Para o país, há geração de empregos, atração de investimentos e aumento da competitividade industrial, com redução de custos operacionais. A diversificação da matriz também diminui a dependência de hidrelétricas e de fontes fósseis em períodos de seca.
Investir em energia solar é estratégico para garantir segurança energética. A geração própria reduz a dependência das concessionárias e protege contra oscilações tarifárias, como as bandeiras acionadas pelo uso de termelétricas. Com mais sistemas instalados, a tendência é reduzir a necessidade dessas fontes mais caras e poluentes.
Apesar dos avanços, ainda há desafios. A infraestrutura das redes elétricas precisa ser modernizada para suportar o crescimento da geração distribuída. Além disso, questões regulatórias e a insegurança sobre possíveis mudanças tributárias podem impactar novos investimentos. Garantir estabilidade jurídica, planejamento de longo prazo e políticas públicas eficazes será essencial para manter o crescimento do setor.
*Alexandre Bernardes é engenheiro eletricista, proprietário da Abinsaut Engenharia
