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UFG passa a integrar primeira Cátedra Unesco de Goiás com foco no Cerrado e saberes patrimoniais (foto: reprodução)
UFG passa a integrar primeira Cátedra Unesco de Goiás com foco no Cerrado e saberes patrimoniais (foto: reprodução)

UFG passa a integrar primeira Cátedra Unesco de Goiás com foco no Cerrado e saberes patrimoniais

Programa reúne mais de 900 instituições de 120 países

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18.03.2026 - 15:50:27

A Redação

Goiânia – A entrada da Universidade Federal de Goiás (UFG) no Programa de Cátedras Unitwin/Unesco marca a criação da primeira Cátedra Unesco no Estado. Com foco em “Saberes Patrimoniais, Biodiversidade e Cidadania”, a iniciativa insere a instituição em uma rede internacional de universidades voltadas à pesquisa, preservação cultural e enfrentamento de desafios contemporâneos.

Coordenada pela professora da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da UFG, Izabela Tamaso, a iniciativa insere a Instituição em uma rede global de cooperação acadêmica voltada para o enfrentamento de desafios contemporâneos por meio da pesquisa, do ensino, da formação e da extensão. Criado em 1992, o Programa reúne mais de 900 instituições de 120 países.

A Cátedra “Saberes Patrimoniais, Biodiversidade e Cidadania” terá como foco os patrimônios culturais e naturais em diálogo com a biodiversidade do Cerrado, com ênfase na cidade de Goiás, na Chapada dos Veadeiros e Parque das Emas, todos reconhecidos pela Unesco. A proposta articula conhecimentos acadêmicos e saberes tradicionais, especialmente de povos indígenas, quilombolas, camponeses e populações urbanas periféricas.

Segundo a professora, a inserção da UFG nesse sistema representa um avanço institucional significativo. “O objetivo das cátedras é contribuir para o fortalecimento do ensino superior, promover parcerias e desenvolver investigação colaborativa para enfrentar o que a Unesco entende como desafios interdependentes do mundo contemporâneo”, afirma.

Ela completa: “Como gerir a crise climática? A resposta para essa pergunta passa incontornavelmente pelos saberes patrimoniais que são seculares, milenares, das populações tradicionais”. Esse entendimento,segundo a professora, contribuiu para a escolha da temática.

A aprovação também reflete critérios considerados prioritários pela Unesco, como a promoção da equidade de gênero, a cooperação com países africanos e a formação de uma ampla rede internacional. A candidatura reuniu instituições e centros de pesquisa no Brasil, Portugal, Peru, Argentina, Moçambique, além de laboratórios e núcleos da própria UFG.

Para a coordenadora da nova cátedra, essa articulação foi determinante para a escolha do projeto. “É muito provável que a UFG tenha sido selecionada porque a temática apresentada é relevante para os compromissos da Unesco. A proposta observa patrimônios culturais, naturais, paisagísticos e arqueológicos em sua relação com a biodiversidade, o que dialoga diretamente com prioridades contemporâneas”.

Seleção
O processo seletivo para as Cátedras Unesco é rigoroso. As candidaturas brasileiras passam primeiro pelo Itamaraty, que escolhe apenas duas para enviar ao organismo internacional. A UFG foi uma das selecionadas e agora integra um grupo de 36 cátedras no país, sendo a segunda dedicada ao campo dos patrimônios, ao lado da proposta conjunta da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Ser escolhida pelo Itamaraty já foi uma vitória, porque significa que a candidatura dialoga com prioridades nacionais. Ser aprovada internacionalmente foi a consolidação de uma trajetória no campo dos patrimônios que começou há décadas”, diz a Izabela.

A Cátedra terá quatro anos de atividades, com possibilidade de renovação. Estão previstos cursos, mapeamentos e inventários de saberes patrimoniais, identificação de riscos aos sistemas tradicionais, desenvolvimento de projetos de preservação e criação de um observatório dos patrimônios do Cerrado. Também haverá intercâmbios, reuniões de trabalho entre instituições parceiras, encontros entre saberes acadêmicos e tradicionais e produção de relatórios técnicos e publicações voltadas a políticas públicas. A expectativa é que estudantes de povos e comunidades tradicionais participem das pesquisas como bolsistas, com recursos a serem captados junto a agências de fomento.

Recursos e parcerias
Os investimentos dependerão da UFG e de recursos externos, que serão buscados por meio de editais e parcerias com instituições como Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior  (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “A chancela da Unesco fortalece muito a captação de recursos. Estamos confiantes de que teremos apoio para desenvolver as ações previstas”, diz a coordenadora.

Além das parcerias internacionais e institucionais, Izabela Tamaso faz questão de destacar o papel de pessoas diretamente envolvidas na consolidação da Cátedra. Ela ressalta que a proposta é coordenada por ela e co-coordenada professora Ema Pires, antropóloga da Universidade de Évora, que mantém vínculo com o Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFG. “A presença da professora Ema foi fundamental para consolidar a proposta e articular as parcerias”, afirma.

A coordenadora também enfatiza a atuação da Secretaria de Relações Internacionais da UFG (SRI), especialmente da então secretária Rejane Faria e do coordenador Vinícius Santos, além do doutor em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS/UFG), Matheus França, cuja participação foi, segundo ela, decisiva para o envio da candidatura dentro do prazo e com excelência. Destacou, igualmente, a participação da professora Laís Forti Thomaz, quando ainda era titular da SRI.

Ao final dos quatro anos iniciais, a Cátedra pretende disponibilizar diagnósticos, inventários e análises sobre saberes patrimoniais goianos em uma plataforma multimídia aberta, conectada a bases internacionais. A expectativa é que o conteúdo subsidie outras pesquisas e políticas públicas de gestão territorial e ambiental. Para Tamaso, o impacto direto para o Estado será expressivo.

Para Izabela, o impacto direto para o estado será expressivo. “Esperamos contribuir para melhores condições de vida das populações do Cerrado e para políticas públicas de gestão desses territórios. Além disso, Goiás passa a se inserir de forma protagonista nas redes internacionais da Unesco”, conclui.

Conceitos
De acordo com site da Unesco, uma Cátedra Unesco pode ser definida como “uma equipe liderada por uma instituição de ensino superior ou de pesquisa que estabelece parceria com a Unesco em um projeto para promover o conhecimento e a prática em uma área de prioridade comum”.

O órgão também apresenta o conceito de Rede Unitwin como “uma parceria entre a Unesco e uma rede de instituições de ensino superior ou de pesquisa composta por pelo menos três instituições em diferentes países, das quais pelo menos duas devem estar localizadas no Sul Global, e que reúnem suas competências e recursos em torno de um ou mais temas específicos”.

Já o “Programa de Cátedras Unitwin/Unesco mobiliza a experiência de instituições de ensino superior e de pesquisa para abordar os desafios interdependentes do mundo cada vez mais complexo de hoje. Foi criado em 1992 com a visão de promover um sistema integrado de pesquisa, formação e atividades em diversas áreas, construindo redes universitárias e incentivando a cooperação interuniversitária através da transferência de conhecimento e experiência além-fronteiras”, define o site institucional.

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por Caroline Louise

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