Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – Saudosos de um período em que a educação era valorizada, com ensino público de qualidade e as escolas se sobressaindo nas disputas pelo que representavam, em termos de professores qualificados, aprendizagem de seu corpo discente, boa estrutura física e de material e interação com a comunidade, alunos que frequentaram o Colégio Estadual Professor Pedro Gomes, em Goiânia, voltaram na manhã desta segunda-feira, dia 16, à antiga escola. Sempre tendo como referência esse padrão, eles lutam para que o tradicional colégio do bairro de Campinas, que tem 65 anos de existência, volte a seus áureos tempos, em que vencia a maioria dos concursos, seja de oratória, de fanfarras, de esportes e em outras áreas. Chegou a ser considerado, nos anos 1960, o melhor colégio público do Brasil, pela qualidade do ensino ministrado, pois seus estudantes se sobressaíram nas profissões que escolheram; pela quantidade de alunos, mais de quatro mil; pelo quadro de professores altamente qualificados; e pela elogiada direção, rigorosa e exigente, sempre apoiada em suas iniciativas e contribuindo para os resultados positivos.
Desde o início a participação foi grande, de todos, não importando a forma como davam sua colaboração. Quando a então diretora Lígia Maria Coelho Rebelo convocou a todos para que as obras do colégio avançassem, alguns não mediram esforços, como lembra Osmarim Canedo da Silva. Ele ia de bicicleta para o colégio e, um dia, vendo muitos tijolos na calçada, de uma obra, achou que se levasse cinco unidades não iria prejudicar aquela construção e somaria na evolução de sua escola. Alguns colegas tiveram a mesma ideia, e o colégio avançou.
Osmarim, que todos conhecem como Catatau, foi da primeira turma que prestou o difícil exame de admissão, uma espécie de rigoroso vestibular, no final de 1959, e se classificou em terceiro lugar; Sílvio José Ribeiro ficou em primeiro lugar e Sebastião de Abreu em segundo. Foi lá que ele se aproximou de sua colega de turma Marlene Canedo Vieira Borges, namoraram, casaram-se em 1969 e continuam unidos. Estavam entre os colegas que foram ao “Pedro Gomes” nesta segunda-feira.
Há 10 anos eles lutam para resgatar a imagem do Colégio que ficou em suas memórias, de uma escola de qualidade, com professores do primeiro time, alunos que se destacaram por onde passaram e a escola era a própria comunidade em que se situavam, tendo como referência Campinas. O mais antigo bairro da Capital goiana, que fora uma bela cidade, nunca mereceu maior atenção do setor público e a própria escola, criada pelo então secretário estadual da Educação, Hélio Seixo de Brito, em 1947, teria sido uma espécie de compensação do Governo do Estado à localidade. Na época, era o Ginásio Estadual de Campinas, funcionou em espaço do Grupo Escolar Henrique Silva, e passou a ministrar o ensino médio no final da década de 1950, quando mudou de nome e conquistou seu espaço.
Visita
A visita à escola foi agendada pelo deputado estadual Virmondes Borges Cruvinel Filho, do União Brasil, filho de dois parlamentares e que se destaca pelo trabalho na área da educação. Ele conversou com a diretora do agora Centro de Ensino em Período Integral Professor Pedro Gomes, professora Ludmyla Rayanne de Sousa Gomes, no cargo há 16 anos, chamou alunos que estudaram ali nos anos 1950 e 1960, que formam o grupo no WhatsApp “Somos Pedro Gomes”, e o encontro aconteceu na manhã desta segunda-feira.
Inicialmente, os convidados foram para a Sala dos Professores, onde o deputado explicou os objetivos da visita, do saudosismo dos estudantes e suas boas lembranças daquele período. Falou sobre seu trabalho na área e anunciou que pretende levar para o colégio uma iniciativa que realiza com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o “Empreendedorismo na escola”, com ações que focam em criatividade, resolução de problemas e educação financeira, que pode se integrar ao currículo escolar.
Aluno do Colégio nos anos 1960, quando presidiu o Grêmio Estudantil em momento tenso vivido pela escola, Cesmar Moura disse da intenção dos colegas daquela época em reviver o “Pedro Gomes” de então, suas disputas e conquistas, e mesmo de valorização do bairro de Campinas. Todos só têm boas recordações desse período, e são muitas. Ele já atuou em diversos setores, seu filho dirige a Secretaria de Estado de Retomada e reafirmou a disposição das centenas de alunos daqueles tempos em colaborar para que o colégio readquira a condição que teve naquele tempo.
Vereadora em Goiânia por três mandatos pelo Partido Progressista e que ali estudou no período, Jacyra Alves está à frente desse trabalho, falou dos objetivos do grupo e disse que já faz contatos para dar sequência às reuniões. Conforme explicou, o “Pedro Gomes” tem história e aqueles que ali estudaram querem retribuir o que receberam, mantendo viva essa memória de boas recordações.
Ao final do encontro, os visitantes estiveram em alguns espaços do Colégio e encerraram a reunião com um lanche da Sala dos Professores.
