Jales Naves
Especial para AR
Goiânia – Presidente da Academia de Letras e Artes do Planalto, sediada em Luziânia, que este ano completa 50 anos de existência, o jornalista Eliézer Bispo visitou o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), na última sexta-feira (13/3) quando conheceu a exposição anual “Brasília – O alicerce goiano de um sonho brasileiro”. “É uma impressionante viagem pela história. Destaque para as aulas da curadora Vanessa Resende e do presidente Jales Mendonça”.
Pesquisador, conhece a história da capital federal e a luta para a sua transferência para o Planalto Central e não sabia de muitos detalhes que são enfocados na mostra, que recomenda a todo goiano visitá-la, para ver como foi fundamental a participação de Goiás nesse processo. “É importante que todo goiano conheça essa exposição para saber um pouco mais da história da capital federal e como ela chegou em nosso Estado”, afirmou.
Academia
Um pouco dessa história passou por Luziânia e Eliézer situou a ALAP nesse contexto, em conversa com o presidente do Instituto, Jales Mendonça, quando mostrou essa contribuição. Explicou que a antiga Santa Luzia, concebida pelo bandeirante Antônio Bueno de Azevedo, ao celebrar 230 anos de história, em 13 de dezembro de 1976, um grupo de intelectuais do Planalto Central, liderados por Gelmires Reis (1893-1983) e José Dilermando Meireles (1928-1998), dentre outros, teve a ideia de criar uma instituição cultural para guardar e preservar a fulgurante história de uma das mais importantes regiões de Goiás e do Brasil.
Naquela data, Brasília, “nascida da generosa Luziânia, município que, além da Capital Federal, deu vida a outras seis cidades goianas, já contava com 16 anos de inauguração”. Com isso, “o seleto grupo viu a necessidade de se criar uma confraria capaz de eternizar a identidade regional, que não poderia se perder diante da concretização do ‘sonho dos candangos’. Nascia, então, a Academia de Letras e Artes do Planalto, com o preceito estatutário de ser uma entidade para a produção, levantamento e conservação do patrimônio cultural e artístico, da língua, da literatura, das artes e das tradições do Planalto Central do Brasil.”
A agremiação, sediada no centro histórico de Luziânia, em casarão construído há quase dois séculos, cedido em regime de comodato pela família do imortal Dilermando Meireles, não fugiu de seu propósito inicial e vai continuar sendo uma referência cultural para toda a sociedade centro-planaltense. “Para se ter uma ideia desse firme propósito, basta dizer que, como patronos das 40 cadeiras da ALAP, figuram personalidades que contribuíram e contribuem em variados aspectos para o enriquecimento cultural da região, que é pródiga em produção artística e intelectual”.
“Desde sua origem seus membros são escritores, poetas, artistas plásticos, atores, músicos, pesquisadores, juízes, promotores, advogados, médicos, jornalistas, professores, enfim, uma gama de profissionais e produtores de arte que fomentam e movimentam as facetas artísticas, históricas e culturais do Planalto Central”, afirmou.
Notáveis
Registrou que, ao longo de 49 anos de existência, a ALAP “não possui apenas uma estrela em seu célebre rol de membros, mas uma verdadeira constelação de notáveis”. Para exemplificar, citou o nome de “cinco gigantes que ocuparam ou ocupam cadeiras no colossal sodalício”: Gelmires Reis, patrono da cadeira de número 32, membro-fundador e primeiro titular da cadeira de número 4, autor do emblemático livro “Efemérides Goianas”, compositor do “Hino de Santa Luzia”, membro-fundador da Academia Goiana de Letras e sócio do IHGG; Dirso José de Oliveira (1932-2005), ou simplesmente D.J. Oliveira, artista plástico que pertenceu ao primoroso grupo de fundadores e teve a sua obra apreciada e admirada por todo o Brasil; o lendário e longevo Amaury Menezes, luzianiense herdeiro da cadeira de D.J. que, aos 95 anos, vive na icônica cidade de Goiás e tem suas telas reverenciadas e reconhecidas por quem tem gosto refinado para a arte, pois sua obra reluz e faz bem para qualquer retina; Geraldo Coelho Vaz, poeta, pesquisador e escritor que, aos 85 anos, continua produzindo e lançando livros sobre temas que enriquecem a história do Estado e fazem os leitores viajar pelas páginas de sua poesia; e Jarbas Silva Marques, octogenário historiador que conhece como poucos a história do Planalto Central, de Brasília e de Goiás, o que se pode comprovar na numerosa publicação de artigos de sua autoria, nas excelentes palestras proferidas em variados locais e em entrevistas concedidas a veículos de comunicação e a pesquisadores”.
Citando “somente este magnífico quinteto”, dá para observar a significativa contribuição que a ALAP oferece à população, conforme proposto em sua fundação. Contribuição essa “que atravessa o tempo e os limites do Planalto, se espalhando pelo Brasil e pelo mundo, porque a arte, a cultura e a história difundidas pelos acadêmicos têm asas que nunca param de balançar e vão ao encontro de novos horizontes, por mais longínquos que sejam”.
