São Paulo – O banqueiro Daniel Vorcaro decidiu nesta sexta-feira (13/3), mudar sua equipe de defesa após a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) ter mantido sua prisão preventiva. Ele afimou aos seus advogados que decidiu negociar um acordo de delação premiada.
O criminalista Pierpaolo Bottini, que era contra uma delação, deixou o caso e repassou para José Luís de Oliveira Lima, que é mais favorável a esse tipo de acordo e já atuou em vários acordos de colaboração.
Na semana passada, Vorcaro já tinha feito uma sondagem a investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal sobre a possibilidade de uma delação premiada, mas aguardava o resultado do julgamento de sua liberdade para tomar uma decisão.
Essa conversa foi ainda em estágio inicial. Caso decida efetivamente por uma delação, ele precisará apresentar de forma mais detalhada uma lista dos assuntos que irá abordar. A negociação do acordo só é oficializada com a assinatura de um termo de confidencialidade sobre a colaboração premiada.
A delação teria que ser homologada pelo ministro do STF André Mendonça, relator do caso.
Perfil
José Luís de Oliveira Lima já atuou em delações premiadas de grande repercussão, como a do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, no auge da Operação Lava Jato.
Antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro, Oliveira Lima também prestava serviços jurídicos à instituição financeira.
Na Operação Compliance Zero, ele conduz a defesa do fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Falbo Mansur. A gestora também é alvo da operação.
O advogado também integrou a defesa do ex-ministro José Dirceu durante o julgamento do Escândalo do Mensalão, em 2012. Recentemente, representou o general Walter Braga Netto, ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro (PL), no processo que investigou a tentativa de golpe de Estado no País.
Potencial explosivo
Trechos de conversas de Vorcaro no celular que vieram a público até o momento mostram que ele mantinha relação com ministros do STF e vários políticos do Congresso Nacional, o que indica um potencial explosivo para a sua colaboração.
Vorcaro foi preso na semana passada na terceira fase da Operação Compliance Zero, por ordem de André Mendonça. A PF pediu sua prisão após descobrir que ele tinha um grupo armado para ameaçar adversários, invadir sistemas de informática e obter documentos sigilosos de investigações, além de outras ações consideradas ilegais.
Logo após ser preso, ele manifestou irritação aos seus advogados e sinalizou que não desejava permanecer muito tempo encarcerado.
Por isso, a esperança da defesa era o julgamento do STF, que acabou resultando na manutenção de sua prisão preventiva. (Agência Estado)
