José Cácio Júnior
Alvo de inquérito da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), o ex-prefeito de Bela Vista, Wilson Marques Teles (PT), pode responder processo por desrespeito à Lei de Licitações e formação de quadrilha. A delegada Maria Lúcia, da Dercap, acusa Wilson de ter contratado a empresa de sua sogra para prestrar serviços de consultoria à prefeitura. A denúncia foi feita pelo atual prefeito Eurípedes José do Carmo (PSC).
De acordo com a delegada, os quatro contratos foram celebrados entre 2006 e 2007 e somam aproximadamente R$ 500 mil. A empresa Incas Consultoria elaborou projetos sobre as áreas de sáude, meio ambiente, cultura (etnia cigana) e sobre o Plano Diretor de Bela Vista. Maria Lúcia encaminhará o inquérito ao Poder Judiciário.
Além de Wilson, mais 10 pessoas foram investigadas: a presidente da Comissão de Licitação na gestão passada, funcionários da prefeitura e de empresas que participaram das licitações. Eles teriam descumprido os artigos 93 e 95 da Lei de Licitações e também serão indiciados por formação de quadrilha. A pena, caso os crimes sejam comprovados, é de quatro anos de reclusão mais multa.
"Constatamos as irregularidades pelo inquérito que realizamos. Conversamos com alguns donos de empresas que constavam como participantes das licitações, mas elas não participaram. O ex-prefeito burlou toda a legislação para contratar a Incas Consultoria", resume a delegada Maria Lúcia.
Por telefone, Wilson Marques afirmou que a licitação foi realizada conforme as exigências legais. "Entendo que não houve dolo, pois o processo foi feito por meio de carta-convite e com toda transparência que a legislação exige", afirma o ex-prefeito, que criticou o fato de a delegada ter divulgado dados do inquérito antes de protocolar a denúncia. "Parece que já estou sendo condenado."
Mandato sub-júdice
O ex-prefeito acredita que a denúncia foi realizada por motivação política, pois o resultado da eleição de 2008 em Bela Vista está sub-júdice. Acusado pelo Ministério Público (MP) por abuso do poder econômico e compra de votos na campanha eleitoral, o atual prefeito, Eurípedes José do Carmo, perdeu o mandato em primeira instância, tomou posse do cargo por meio de liminar e ganhou o recurso no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
O processo, agora, corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Isso se trata de uma questão político-eleitoral, é o assunto da cidade", afirma Wilson. A reportagem tentou contato com o prefeito Eurípedes, mas seu celular estava desligado. Ninguém na prefeitura atendeu aos telefonemas da reportagem.