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“Não podemos esperar a violência acontecer para agir”, diz idealizadora do Maria da Penha nas Escolas

Iniciativa foi lançada nesta segunda-feira (2/3) em Goiânia 

02.03.2026 - 22:13:20
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A Redação

Goiânia – A Skambau Produções lançou, nesta segunda-feira (2/3) a caravana de 2026 do Projeto Maria da Penha nas escolas, que vai percorrer 12 cidades goianas durante o mês de março em uma caravana de educação sobre as formas de violência contra a mulher. Lançado em 2016, e idealizado pela pesquisadora e gestora de projetos Manoela Barbosa, o projeto utiliza literatura infantil em quadrinhos para conscientizar crianças e já distribuiu mais de 45 mil exemplares em 65 cidades de cinco estados brasileiros.

“Os dados mais importantes não estão nos nossos números alcançados: estão nos relatos de profissionais de educação que encontraram uma linguagem acessível para falar com crianças e adolescentes sobre violência contra a mulher. Estão nas mensagens recebidas de meninas que identificaram sinais de violência. Não posso apenas comemorar e fingir que está tudo bem. Não está! Em 2017, três mulheres eram mortas por mês em Goiás apenas por serem mulheres. Ano passado foram 60 registros de feminicídio só no nosso Estado. E números não são dados frios. São mães, filhas, irmãs, vizinhas, colegas de trabalho. Não podemos esperar a violência acontecer para agir. Precisamos interromper ciclos”, completou Manoela Barbosa durante a abertura do evento.

Questionada muitas vezes sobre a necessidade de falar de violência com as crianças, Manoela é enfática. “É exatamente com as crianças que precisamos falar. A violência começa quando um menino aprende a bater e quando uma menina aprende que tem que suportar. Estamos ensinando sobre respeito, empatia e cidadania. Agora, antes que os ciclos se consolidem. E é nos municípios que a violência é enfrentada ou silenciada”, finalizou a idealizadora do projeto.

O evento foi realizado na Federação Goiana de Municípios (FGM), e contou com a presença da vice-prefeita Coronel Cláudia Lira (Avante); Superintendente de Fomento e Gestão Cultural da Secult, Raissa Coutinho; presidente do Conselho Estadual da Mulher (Conem), Rosi Guimarães; secretária da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Dra. Cristina Lopes; presidente da Equatorial Goiás, Lener Jayme; empresário da Samuel Carvalho; Coordenadora da Ouvidoria da Mulher, Maria Clara Dunck e da Patricia de Almeida, Gerente de Programas e Projetos Intersetoriais e Socioeducação da Secretaria de Estado da Educação (Seduc Goiás). Também marcaram presença os vereadores da capital Aava Santiago (PSB) e Edward Madureira (PT).

De forma emocionada, a secretária da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Dra. Cristina Lopes, falou sobre a sua violência sofrida e a sua luta no combate. Ela teve 85% do corpo queimado em 1986, após uma tentativa de feminicídio de um ex-namorado. “Estou viva porque minha família decidiu que eu ia viver. E no meu caso, vi notícias em jornais que diziam: ‘médico coloca fogo na namorada’, ‘ela terminou o namoro com ele’. Camuflaram o agressor em um personagem. Falaram que ele tinha depressão. E o que tudo isso tem a ver com o crime? A maioria das meninas que veem as mães apanharem viram vítimas. A maioria dos meninos que veem os pais agredindo, viram agressores. Precisamos falar com as crianças e esse projeto é importante demais”, completou.

Representação e trabalho conjunto
Em 2026, o projeto é realizado com recursos do Programa Goyazes do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e patrocínio da Equatorial Energia. Superintendente de Fomento e Gestão Cultural da Secult, Raissa Coutinho falou da importância do projeto e da relevância dessa caravana. “Todas nós mulheres nos sentimos muito contempladas com esse projeto. Nas escolas é simbólico, claro, mas o ‘Maria da Penha nas escolas’ precisa estar em todos os lugares, em mais escolas e mais comunidades. Presidente da Equatorial, Lener Jayme garantiu patrocínio para novas etapas do projeto. “A Equatorial é signatária do Pacto Global da ONU e estamos muito felizes em apoiar esse projeto. Estimular essa ação por meio das escolas é fantástico e a Equatorial continuará patrocinando as próximas ações”, afirmou.

Vice-prefeita de Goiânia, a Coronel Cláudia falou da mudança de comportamento por meio da educação e da necessidade de que o projeto seja expandido. Ela pontuou que muitas ações são realizadas de forma isolada e que defende um trabalho feito em rede. “Desejamos que esse livro ganhe o mundo e que não fique só em Goiás”, acrescentou. Samuel Carvalho, que é empresário e comanda a Viação Carvalho, responsável pelo transporte da equipe durante a caravana agradeceu a oportunidade de apoiar o projeto. “Por que um empresário do transporte escolar decide levantar essa bandeira? A violência doméstica é um problema que atinge nossas crianças e o reflexo aparece na sala de aula. Combater a violência é ensinar respeito antes que o problema vire estatística Se queremos um Goiás mais forte precisamos proteger a próxima geração.”

“Nas páginas dos jornais o que temos é uma carnificina, um movimento bruto e covarde que deixa sequelas irreparáveis. Famílias destruídas, órfãos do feminicídio. Nos sentimos impotentes. A Lei não veio para punir homens, veio para punir agressores. Ninguém está livre. Nenhuma mulher. Temos aqui um material que deveria ser incluso no MEC”, acrescentou Rosi Guimarães, presidente do Conselho Estadual da Mulher (Conem).

Agenda em Brasília

Nos dias 3 e 4, uma nova ação está prevista em Brasília, no evento “Movimente”, promovido pelo Sebrae, em parceria com a Secretaria de Projetos Especiais da Assembleia Legislativa de Goiás, no Royal Tulip, e com a presença de Maria da Penha.

O livro e as caravanas

O livro em quadrinhos que tem como público crianças a partir de 10 anos traz a história da farmacêutica cearense que deu nome à Lei e se tornou símbolo na luta contra a violência. Além da versão colorida para alunos e profissionais de Educação, o projeto conta com uma versão do livro em tamanho ampliado e braille para pessoas com deficiência visual.

Ao longo do mês de março a caravana passará pelas seguintes cidades: Bela Vista de Goiás, Goiás, Iporá, Matrinchã, Porangatu, Cocalzinho, Goianésia, Aparecida de Goiânia, Orizona, Silvânia, São Miguel do Passa Quatro e Senador Canedo. Além de escolas, também haverá palestra com mulheres da agricultura familiar. A expectativa é que 20.250 pessoas sejam atingidas pelas ações com distribuição de 20.250 exemplares, que alcançam exponencialmente 4 vezes mais pessoas, quando inserido nos lares e famílias.

Idealizadora da Skambau Produções, que realiza o Projeto Maria da Penha nas Escolas, Manoela Barbosa reforça a importância de falar sobre violência contra a mulher e de realizar as ações com crianças, adolescentes, com professores e com mulheres da agricultura familiar. “Apenas no primeiro semestre de 2025, o Mapa da Violência apontou uma média de 187 estupros por dia no Brasil. Além disso, foram mais de 1.400 casos de feminicídio segundo o Mapa da Segurança Pública de 2025. São pelo menos quatro mulheres mortas por dia. Os números são crescentes e alarmantes”, completa.

Goiás no 6º lugar do ranking nacional

Em Goiás, 60 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025 colocando o Estado na 6ª posição nacional quando se trata desse tipo de crime. O Painel Interativo de Violência Contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou em Goiás 55,6 mil novos processos relacionados à violência contra a mulher em 2025. Os dados que são de janeiro a novembro já ultrapassavam os 50 mil casos de 2024. No mesmo período, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – recebeu 10.297 denúncias e pedidos de orientação.

Ações previstas por município:
06.03 – Bela Vista de Goiás
09 e 10.03 – Cidade de Goiás
11 e 12.03 – Iporá
13.03 – Matrinchã
16 e 17.03 – Porangatu
18.03 – Cocalzinho de Goiás
19.03 – Goianésia
20 e 23.03 – Aparecida de Goiânia
25.03 – Orizona
26.03 – Silvânia
27.03 – São Miguel do Passa Quatro
30.03 – Senador Canedo

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por Michelle Rabello

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